Crise não abala otimismo de estudantes

Campus Fapa: estudantes de diversas escolas da Região Metropolitana participaram do festival

Por Ingrid Cavalcante, Gabriela Schultz, dJuan Romero, Lucas Freitas e Nathielle Folharini

A escolha de uma carreira e de uma universidade é sempre um assunto que gera muitos questionamentos, como qual curso seguir e o que exatamente determinada profissão faz. Pensando nisso, a UniRitter promoveu, no dia 6 de setembro, mais uma edição do Festival das Profissões, no campus FAPA. Tendo como público-alvo estudantes que pretendem ingressar no Ensino Superior, o evento contou com aproximadamente 800 inscritos, e buscou esclarecer dúvidas e apresentar a rotina dentro da faculdade.

Através de uma programação repleta de palestras e oficinas, o Festival das Profissões possibilita uma primeira aproximação entre os futuros alunos e o curso que desejam seguir. Segundo a professora e coordenadora do curso de Relações Públicas, Tânia Almeida, “o Festival das Profissões é parte de uma estratégia para trazer as experiências de um curso e consagrar a imagem de inquietos que possuímos”, afirma.

Mesmo com o intuito de esclarecer dúvidas e apresentar a rotina dentro da faculdade, o Festival não deixou de ter uma aura descontraída. Ao longo de todo campus, foi possível identificar salas, bancas e atividades voltadas às mais diversas áreas. Atividades essas que foram procuradas até mesmo por quem já tinha em mente que curso seguir. É o caso de Stefani Silva, 17 anos, que já está decidida quanto a sua futura profissão: publicitária. Ainda assim, ela fez questão de conhecer um pouco mais sobre outras profissões. “Fui em oficinas diferentes, visitei fisioterapia e biomedicina, achei muito interessante. Gostei dos estúdios de áudio e vídeo”, comentou.

Assim também aconteceu com Marcele Gerber, 18 anos, que aproveitou a feira ao máximo, visitando outros cursos além daquele de seu principal interesse. “Achei tudo muito legal, fui em vários lugares, mas gosto mesmo é de Direito”. O Festival, entretanto, não foi capaz de dar fim a indecisão de Bruno Borba, 17 anos, que ainda está pensando no que quer seguir: “Eu queria fazer Ciências Contábeis ou Educação Física. Aqui gostei bastante do Direito, mas ainda não tenho certeza de nada ”.

Decididos ou inseguros sobre que rumo seguir, uma coisa é certa: o mercado de trabalho muda sua demanda dependendo da situação em que o mundo se encontra em determinado momento. Isso faz com que haja mais ou menos espaço para segmentos específicos, desvalorizando algumas carreiras e, em contrapartida, evidenciando outras. Uma pesquisa de mercado realizada pela empresa Wyser determinou quais profissões estão em alta e quais possuem cada vez menos oportunidades no ano de 2017.

A saturação da comunicação

As salas mais cheias do Festival retratam fidedignamente o mercado de trabalho na área da comunicação. As oficinas de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas — que compõem a tríade comunicacional e são cursos ofertados pela UniRitter — foram as mais visitadas do campus. Todos que passavam pelo Centro de Comunicação Integrada, localizada no prédio 5, eram acolhidos pelos coordenadores dos cursos e convidados para um bate-papo sobre as profissões.

O mercado de trabalho foi o assunto mais comentado por quem frequentou os laboratórios do prédio 5. Estima-se que até 22 mil pessoas se formam anualmente em algum dos três cursos, segundo dados das Federações. A abundância de profissionais à disposição pode causar o que especialistas na área de Recursos Humanos chamam de saturação — quando há mais profissionais do que vagas ofertadas. Para bater de frente com essa oferta abundante de profissionais, as universidades buscam entregar bacharéis cada vez mais qualificados ao mercado. “Uma evidência de investimentos da UniRitter são os laboratórios. A estrutura dos laboratórios aqui no campus FAPA e na Zona Sul é boa. Isso é um grande ganho para o aluno na formação dele, e é o melhor que a UniRitter oferece pensando no mercado. Essa estrutura física é tão boa ou melhor do que a gente vai encontrar no mercado de trabalho”, enfatizou o coordenador do curso de Publicidade e Propaganda, Geferson Barths.

A onda da tecnologia que iniciou na metade da década de 1990 no país e tomou rumos maiores a partir de 2010, após a revolução dos smartphones, trouxe impactos na área. A possibilidade de ter o mundo na palma da mão criou um “ “ na comunicação. Todos puderam a encontrar um espaço para se pronunciar, e a área da comunicação deixou de ser tão técnica. A crença de que todo podem fazer comunicação afeta diariamente os profissionais dessa área.

“Alguns anos atrás, lembro de 20 ou 15 anos, nós tínhamos umas gavetinhas, onde a gente colocava as nossas necessidades de comunicação. A gavetinha do anúncio de jornal, revista, outdoor, cartaz… Isso já não cabe mais, porque a entrada do digital transformou tudo isso”, lembra Barths. A mudança no cenário tecnológico das profissões da comunicação implicou em mudanças necessárias, como os currículos. “Hoje temos cadeiras de digital, mas na época em que eu me formei a gente nem pensava nisso. No máximo, um pc para digitar texto. Hoje, falamos em rede social, internet, dados, jornalismo de dados. A tecnologia forçou a gente a acompanhar e a rever os currículos”, reforçou Tânia.

Ainda que tudo pareça um grande abismo para quem deseja seguir um curso da área de Comunicação, como sonha Stefani — que quer fazer publicidade — , há uma saída ao fim do túnel. “Ela (a comunicação) sempre será necessária, e o segredo está na competência dos profissionais que ingressarão no mercado futuramente. Sempre haverá espaço para um bom profissional”, enfatizou a coordenadora do curso de Relações Públicas.

O avanço da tecnologia e o mercado de trabalho

Mesmo em ambientes diferentes e salas distantes, os alunos eram atraídos pelo mesmo motivo: a presença da tecnologia chamava a atenção dos adolescentes que circulavam pelo Festival das Profissões. No prédio 1, as salas tinham professores e coordenadores que, além de tirar dúvidas dos alunos, ministraram oficinas dos cursos de Ciência da Computação, Jogos Digitais e Arquitetura e Urbanismo. No prédio 6, a curiosidade e o engajamento dos jovens nas oficinas dos cursos de Engenharia Civil e de Produção também eram grandes.

A maior parte dos estudantes que opta por fazer vestibular para algum desses cursos costuma já ter um interesse e um conhecimento prévio da profissão, mas nem sempre tem a noção de como é o mercado de trabalho. A crise econômica normalmente assusta quem busca emprego nessas áreas, mas o professor Diego Pacheco tranquiliza quem se interessa pela Engenharia de Produção: “Estamos em um período de recessão. A Engenharia de Produção é a única que nenhuma crise pega e nem vai pegar, seja no Brasil, ou no mundo inteiro. Por quê? É a única engenharia entre todas possíveis que tu aprendes a ter a visão mais sistêmica das coisas, de qualquer sistema”, ressaltou o coordenador do curso.

As carreiras que vão oferecer um número alto de vagas de trabalho no ano de 2018 normalmente estão atreladas ao uso da tecnologia, afirma uma pesquisa realizada pelo Jornal Zero Hora em julho deste ano. No topo dessa pesquisa está o cientista de dados, que geralmente é alguém formado em cursos de Tecnologia da Informação. É ele quem mexe com a quantidade de dados de determinadas empresas e produtos disponíveis na internet. A procura por cursos que lidam com essa área é um reflexo do que se prevê para o futuro.

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