Os grandes doadores do parlamento gaúcho

A Odebrecht, a JBS, a Gerdau e o então candidato à vice-presidência Michel Temer estão entre os grandes doadores que ajudaram a eleger deputados estaduais gaúchos na eleição de 2014, quando doações de empresas ainda eram permitidas pela Justiça Eleitoral. Zaffari e Taurus também contribuíram com parlamentares que conquistaram mandatos na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Os estudantes da disciplina Escola de Reportagem II — Apuração / Noite do campus Zona Sul da UniRitter apuraram os dados no Sistema de Prestação de Contas do Tribunal Superior Eleitoral. A atuação dos parlamentares foi checada no site do parlamento gaúcho. Perguntas foram encaminhadas ao e-mail oficial de todos os deputados citados. As respostas recebidas estão publicadas a seguir.

O time que apurou as doações do Zaffari também conferiu no site oficial de cada parlamentar que recebeu recursos da rede de supermercados como foi o voto em projeto de lei de interesse da empresa aprovado em 2016. Doações privadas influenciam a atuação no parlamento gaúcho? Esta foi a questão que motivou a apuração realizada pelos estudantes de Jornalismo da UniRitter. Confira a seguir a apuração completa.

ZAFFARI

Por Brunna Graco, João Forbrig e Gabriel Verdi

O Zaffari doou R$ 255 mil para 14 deputados estaduais gaúchos eleitos em 2014. Os parlamentares que mais receberam financiamento da empresa foram Maurício Alexandre Dziedricki (PTB), com R$ 30 mil, e Adão Villaverde (PT), com R$ 25 mil.

A maioria dos deputados (oito) recebeu uma doação de R$ 20 mil: Any Machado Ortiz (PPS), Gilmar Sossela (PTB), Luis Augusto Barcellos Lara (PDT), João Ervino Fischer (PP), Edson Meurer Brum (PMDB), Lucas Bello Redecker (PSDB), Silvana Maria Franciscato Covatti (PP) e Tarcisio Zimmermann (PT).

Quatro deputados ganharam contribuição de R$ 10 mil na campanha eleitoral de 2014 à Assembleia Legislativa: Juliana Brizola (PDT), Ibsen Vall Pinheiro (PMDB), Marcel Van Hattem (PP) e Miriam Paz Garcez Marroni (PT).

Em 2016, sete dos 14 deputados que receberam recursos do Zaffari votaram favoravelmente ao projeto de lei 182/2016 de interesse da empresa. Dois votaram contra e cinco não votaram a matéria.

O projeto de lei 182/2016 alterou a lei 14.397 de 2013 que autorizou a Fundação de Recursos Humanos permutar com o Zaffari o terreno localizado ao lado da sede da FDRH na avenida Praia de Belas.

Em contrapartida, o Zaffari entregaria um terreno situado na Avenida Teresópolis e, em função da lei aprovada em 2016, construirá unidades prisionais para a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe).

COM A PALAVRA, OS DEPUTADOS

GILMAR SOSSELLA (PDT)

(Resposta enviada pela assessora Melissa Bulegon)

Reporteros: Na campanha de 2014, o senhor recebeu, segundo dados do TSE, R$ 20 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que o senhor votou a favor, autorizou a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. A doação de campanha influenciou seu voto?

Gilmar Sossella: Não influenciou porque o voto é relacionado à construção do presídio. Votaria da mesma forma, independente da doação para a campanha. A questão da segurança pública é uma de nossas bandeiras, principalmente diante da realidade vivida em nosso Estado, que precisa de ações importantes na área, como essa que foi aprovada pela Assembleia Legislativa.

Reporteros: O senhor é favorável ao financiamento privado de campanha?

Gilmar Sossella: Somos favoráveis ao financiamento público de campanha.

MARCEL VAN HATTEM (PP)

Reporteros: Na campanha de 2014, o senhor recebeu, segundo dados do TSE, R$ 20 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que o senhor votou a favor, autorizou a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. A doação de campanha influenciou seu voto?

Marcel Van Hattem: A doação não influenciou em nenhuma maneira meu voto. Na verdade, meu posicionamento seguiu o que imaginava ser de interesse público: a construção de unidades prisionais. Segurança pública não se faz apenas com policiamento, mas também com prevenção e com punição de quem descumpre a lei. Não termos vagas prisionais o suficiente para o número de condenados, muito menos termos condições mínimas nas penitenciárias existentes, têm sido fatores que agravam a crise na segurança pública. Logo, encontrar um parceiro na iniciativa privada para realizar uma permuta imobiliária que garanta algum alívio na segurança pública é motivo suficiente para contar com meu apoio (ainda mais em se tratando de uma lei com cláusulas prevendo a realização de obras para construção de vagas prisionais dentro de um prazo suficientemente razoável, de 24 meses, caso contrário a lei perde seu valor). Além disso, sugeri na tribuna e vou acompanhar a execução desta lei no sentido de que as eventuais instalações contem com espaços que possibilitem o trabalho dos presos, condição para ressocializá-los.

Reporteros: O senhor é favorável ao financiamento privado de campanha?

Marcel Van Hattem: Eu sou favorável à doação privada e considero-a muito superior à verba pública. Por quê? Em primeiro lugar porque o dinheiro do cidadão, colhido através de impostos, tem finalidades mais urgentes do que o financiamento de campanhas políticas e de partidos; em segundo lugar, porque considero errado o dinheiro do cidadão financiar partidos com cujas ideologias não concorda; em terceiro lugar, porque com o financiamento privado, sobretudo de pessoa física (que detém minha preferência pessoal), o cidadão participa mais ativamente do processo democrático, contribuindo com seus próprios recursos para o fortalecimento das ideias com que concorda e com a própria democracia; e, finalmente, obviamente mediante regras claras que busquem evitar relacionamento promíscuo entre público e privado, doações de pessoas jurídicas também garantem que o empreendedor, gerador de riqueza para a sociedade, possa, dentro de limites, contribuir também no processo democrático e impedir, por exemplo, que assista de mãos amarradas a todo um processo que pode, inclusive, acabar com o seu negócio. A verdade é que financiamento privado normalmente é confundido com financiamento de grandes empresas mancomunadas com o governo. Isso, na verdade, não é financiamento privado, mas financiamento público ilegal, afinal de contas propinas pagas pela Odebrecht, por exemplo, eram provenientes na verdade de uma empresa pública com contratos superfaturados. Sempre defenderei menos poder nas mãos do Estado, mais liberdade nas mãos dos indivíduos. Nesse sentido e no limite, antes uma democracia com financiamento exclusivo individual de pessoas do que patrocinada integralmente com recursos públicos, colocando a decisão sobre onde tais recursos serão alocados exclusivamente nas mãos de políticos.

JOÃO FISCHER (PP)

Reporteros: Na campanha de 2014, o senhor recebeu, segundo dados do TSE, R$ 20 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que o senhor votou a favor, autorizou a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. A doação de campanha influenciou seu voto?

João Fischer: Assim como diversos outros candidatos, recebo doações de campanha da companhia Zaffari há várias eleições. Nem isso, nem doação alguma influência no voto. Tenho meus mandatos pautados na defesa da geração de emprego e renda, na defesa do setor produtivo. Faço isso há mais de 20 anos. E acredito que a permuta do Zaffari tenha sido vantajosa para o Estado e votaria da mesma forma em toda e qualquer oportunidade necessária.

Reporteros: O senhor é favorável ao financiamento privado de campanha?

Fischer: Sou a favor da doação privada. Não é ela a razão da corrupção. A razão da corrupção é o caráter das pessoas que usam a política para enriquecer ilicitamente, superfaturando obras e serviços.

JULIANA BRIZOLA (PDT)

(Resposta enviada pela assessora Mariana Ramos)

Reporteros: Na campanha de 2014, a senhora recebeu, segundo dados do TSE, R$ 10 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que a senhora votou a favor, autorizou a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. A doação de campanha influenciou seu voto?

Juliana Brizola: Não, não influenciou. Na minha percepção, o projeto de lei 182/2016 é importante para o Estado, uma vez que a construção se torna mais ágil. Além disso, vale ressaltar que a área da FDRH em questão não estava sendo utilizada.

Reporteros: A senhora é favorável ao financiamento privado de campanha?

Juliana Brizola: Na época referida, 2014, era permitido, por lei, recebermos doações de empresas privadas. Porém, atualmente, entendo que, em razão de todos os acontecimentos apurados e divulgados pela nossa imprensa, bem como denúncias de improbidade e corrupção, acredito que não seja mais possível as campanhas operarem neste molde.

IBSEN PINHEIRO (PMDB)

Reporteros: Na campanha de 2014, o senhor recebeu, segundo dados do TSE, R$ 10 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que o senhor votou a favor, autorizou a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. A doação de campanha influenciou seu voto?

Ibsen Pinheiro: A Companhia Zaffari Comércio e Indústria sempre contribuiu com as minhas campanhas. Seria suficiente examinar as Prestações de Contas de minhas candidaturas. A permuta foi uma transação legal feita consultando valores de próprio do Estado para a construção de um presídio para reduzir o amplo déficit dos presídios atuais. A Assembleia Legislativa do Estado aprovou o Projeto do Executivo e o converteu em Lei sem qualquer interferência de minha parte, excluindo o fato de meu voto favorável.

ANY MACHADO ORTIZ (PPS)

Reporteros: Na campanha de 2014, a senhora recebeu, segundo dados do TSE, R$ 20 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que a senhora votou a favor, autorizou a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. A doação de campanha influenciou seu voto?

Any Machado Ortiz: Primeiramente é importante destacar que a proposta de permuta do terreno da FDRH com a Companhia Zaffari Comércio e Indústria foi feita pelo então governador Tarso Genro (Lei 14.397 de 30 de dezembro de 2013), eu ainda não era deputada estadual e cumpria mandato de vereadora de Porto Alegre. Na época, o governo do Estado autorizou a troca do terreno pela construção de um prédio novo para a FDRH. O PL 182/2016 que eu votei favorável não autorizou a permuta como afirma sua pergunta. O PL 182/2016 trata da troca de objeto desta permuta, ao invés da construção de um prédio para FDRH a empresa deverá construir mil vagas prisionais.

Inclusive defendi que o projeto tivesse um prazo máximo para a criação dessas vagas, pois no original não estava previsto. Sobre as doações de campanha feitas pela Companhia Zaffari Comércio e Indústria eu não posso acreditar que influenciam diretamente as ações, como também não acredito que o governador Tarso fez essa permuta de que trata a Lei 14.397/2013 porque a Companhia Zaffari Comércio e Indústria foi uma das maiores doadoras da sua campanha para a reeleição. Aceitei a doação da referida empresa, como aceitei de outras, porque na época era permitida pela lei eleitoral doações de empresas e todas foram feitas na forma da lei.

Reporteros: A senhora é favorável ao financiamento privado de campanha?

Ortiz: Sou favorável ao financiamento de pessoa física para campanhas porque o cidadão pode contribuir com aquela pessoa de ideologia que mais se identifica. Além disso, sugiro que ouça minha manifestação na tribuna no dia da votação do PL 182/2016.

TARCISIO ZIMMERMANN (PT)

Reporteros: Na campanha de 2014, o senhor recebeu, segundo dados do TSE, R$ 20 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que o senhor votou contra, autorizou a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. Por que o senhor votou contra um projeto de lei que beneficiava uma das empresas que apoiou sua candidatura?

Tarcisio Zimmermann: De fato, recebi uma contribuição de campanha do Grupo Zaffari que, penso, se origina no reconhecimento daquela empresa ao meu trabalho. Mas não há, ao menos de minha parte, qualquer compromisso com uma espécie de “toma lá, dá cá”. Por isso não haveria, também de minha parte, qualquer constrangimento em votar contra alguma matéria que eu entendesse desfavorável ao povo gaúcho, mesmo que beneficia aquela ou outra empresa que tivesse me apoiado.

Especificamente em relação à permuta autorizada no projeto em questão, nossa bancada tem dados que indicam que o Estado poderia obter um valor maior pelo imóvel, do que aquele estipulado como contrapartida. E esta foi a razão do voto.

Reporteros: O senhor é favorável ao financiamento privado de campanha?

Zimmermann: Quanto ao financiamento de partidos ou candidatos por empresas, entendo que não é bom para a democracia. Ocorre que, de fato, quando se depende de altos valores repassados por esta ou aquela empresa, há risco real de ficar prisioneiro dos seus interesses. E este é o caminho para a corrupção. Entendo que o financiamento pode ser misto: público e por pessoas físicas, limitando-se o valor que cada uma pode contribuir para os candidatos ou partidos. Isto para evitar que pessoas mais ricas “comprem” a eleição de candidatos e os fidelizem aos seus interesses. Ou ainda, que o poder econômico dite quem será eleito. Creio que no mundo todo a democracia foi sequestrada pelo poder econômico. O dinheiro dita quem é eleito. O dinheiro submete os eleitos. Assim, no mundo todo, o desafio é romper com esta dependência, devolver ao voto livre e consciente do povo o direito a eleger as melhores propostas e não aquelas que tem mais dinheiro e mais para “produzir convencimento”.

MIRIAM MARRONI (PT)

Reporteros: Na campanha de 2014, a senhora recebeu, segundo dados do TSE, R$ 10 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que a senhora votou contra, autorizou a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. Por que a senhora votou contra um projeto de lei que beneficiava uma das empresas que apoiou sua candidatura?

Miriam Marroni: Minha posição sobre o PL 182/2016 foi baseada na análise de mérito do mesmo sem levar em consideração os interesses da empresa citada, pelo o que votei contrariamente. Ressalto que a empresa não tratou em nenhum momento desse assunto comigo, nem tão pouco procurei-a para tal.

Reporteros: A senhora é favorável ao financiamento privado de campanha?

Miriam Marroni: Sou contrária ao financiamento privado de campanha, o que, no modelo eleitoral até 2016, se tornava indispensável para poder fazer frente aos gastos exigidos pelo referido modelo. Penso que o financiamento público com controle e transparência garantidos pela justiça eleitoral gerariam um processo mais equitativo e democrático.

ADÃO VILLAVERDE (PT)

Reporteros: Na campanha de 2014, o senhor recebeu, segundo dados do TSE, R$ 25 mil da Companhia Zaffari Comércio e Indústria. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que o senhor não compareceu na votação, autoriza a permuta de imóvel que pertence a FDRH com a Cia. Zaffari. Se o senhor tivesse votado, qual seria o seu voto e por quê?

Adão Villaverde: De fato recebi, como a legislação autorizava à época, e prestei as devidas contas ao TRE/RS, que as aprovou integralmente. Não votei o projeto citado porque me encontrava em agenda parlamentar, cumprindo roteiro em Pântano Grande e Cachoeira do Sul, tratando dos temas “potencialidades de desenvolvimento regional” e “PL 24 horas — vigilantes”. Se estivesse na sessão naturalmente votaria “não”, como meus colegas de bancada. Aliás, como sempre faço.

Reporteros: O senhor é favorável ao financiamento privado de campanha?

Adão Villaverde: Como o PT, que sempre se manifestou contrário ao financiamento privado de campanha e votou nacionalmente para extingui-lo da legislação de hoje, sou favorável apenas à doação financeira feita em caráter particular, por pessoa física, que considere importante contribuir para a campanha de eleição de um representante de suas demandas e preocupações no Parlamento.

ALEXANDRE DZIEDRICKI (PTB)

Reporteros: Na campanha de 2014, o senhor recebeu, segundo dados do TSE, R$ 30 mil da Companhia Zaffari para as eleições estaduais. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que o senhor não compareceu para votar, autorizou a permuta do imóvel que pertence a FDRH, e agora serão repassados para a CIA Zaffari. Se o senhor tivesse votado, qual seria o seu voto e por quê?

Alexandre Dziedricki: Gostaria de ressaltar que foi a única votação de 2016 em que não estive presente, pois participava de debate na Rádio Guaíba entre os candidatos a prefeito de Porto Alegre. Se estivesse presente, teria votado a favor. Após uma ampla análise sobre as vantagens ao erário público, entendo como uma medida benéfica. Tanto é que a maioria absoluta do plenário foi favorável, com apoio de governistas e oposicionistas. Os valores doados pelo Grupo Zaffari para a minha campanha foram doados na mais absoluta transparência. Foi uma doação declarada, feita dentro das regras vigentes. Importante ressaltar que nunca recebi nenhuma demanda ou pressão em qualquer projeto de interesse desta empresa.

Reporteros: O senhor é favorável ao financiamento privado de campanha?

Dziedricki: Se for dentro de regras transparentes, sem vinculação com relações obscuras, sou favorável. É preciso um controle por parte do Ministério Público e da Justiça Eleitoral. É bom lembrar que, em 2016, disputei a eleição para prefeito de Porto Alegre, quando nossa campanha teve apenas recursos doados por pessoas físicas e recursos do Fundo Partidário. Tive uma campanha modesta, com gastos bem menores que os valores de outros candidatos.

LUCAS REDECKER (PSDB)

(Resposta enviada pela assessora Magali Beckmann)

Reporteros: Na campanha de 2014, o senhor recebeu, segundo dados do TSE, R$ 20.000.00 da Companhia Zaffari para as eleições estaduais. Em 2016, o projeto de lei 182/2016, que o senhor não compareceu, autorizou a permuta do imóvel que pertence a FDRH, e agora serão repassados para a CIA Zaffari. Se o senhor tivesse votado, qual seria o seu voto e por quê?

Lucas Redecker: Não votei o projeto porque na ocasião eu era secretário de Estado de Minas e Energia, cargo que exerci até o fim de 2016.

Reporteros: O senhor é favorável ao financiamento privado de campanha?

Redecker: Depende do modelo de sistema eleitoral.

ODEBRECHT

Por Ana Carolina Pinheiro, Giullia Santos e Rafael Godoy

O grupo Odebrecht, envolvido na Operação Lava-Jato, ajudou a eleger 14 deputados estaduais no Rio Grande do Sul nas eleições de 2014 com recursos registrados na Justiça Eleitoral. Foram realizadas doações através de duas empresas do grupo: Quantiq Distribuidora LTDA. e Braskem S/A. O valor total doado pelas duas empresas via comitê partidário ou diretamente aos candidatos eleitos foi de R$ 487.500,00.

A petroquímica Braskem S/A doou R$ 207.900,00 para a campanha dos deputados Adão Villaverde (PT), Valdeci de Oliveira (PT), Luiz Fernando Mainardi (PT), Catarina Paladini (PSB), João Fischer (PP), Tiago Simon (PMDB) e Any Ortiz (PPS). Deste valor, R$ 140.000,00 foram repassados diretamente aos candidatos e R$ 67.900,00 através de fundo partidário.

As doações realizadas pela Quantiq somaram R$ 279.600,00 e os candidatos contemplados foram João Fischer (PP), Regina Becker Fortunati (PDT), Edson Brum (PMDB), Eduardo Loureiro (PDT), Gilmar Sossela (PDT), Ibsen Pinheiro (PMDB), Lucas Redecker (PSDB) e Manuela D’Ávila (PC do B). Do valor total, R$140.000,00 foram doados diretamente aos deputados, enquanto R$ 139.600,00 foram repassados via fundo partidário.

COM A PALAVRA, OS DEPUTADOS

ADÃO ROBERTO RODRIGUES VILLAVERDE (PT)

Reporteros: Considerando o atual cenário da política brasileira, caso as eleições fossem hoje, o senhor ainda aceitaria doação da Braskem, empresa pertencente ao grupo Odebrecht? Segundo apurado, nas eleições para o cargo de deputado estadual de 2014, o senhor recebeu R$ 29,5 mil de doação da Braskem, sendo R$ 20 mil através de doação direta em seu nome e R$9,5 mil via fundo partidário.

Adão Villaverde: Naturalmente não aceitaria porque a doação privada, hoje, é proibida por lei, o que não ocorria à época. De fato, recebi, como a legislação autorizava à época, e prestei as devidas contas ao TRE/RS, que as aprovou integralmente.

GILMAR SOSSELLA (PDT)

(Resposta enviada pela assessora Melissa Bulegon)

Reporteros: Considerando o atual cenário da política brasileira, caso as eleições fossem hoje, o senhor ainda aceitaria doação da Odebrecht? Segundo apurado, nas eleições para o cargo de deputado estadual de 2014, o senhor recebeu R$ 30mil de doação da Quantiq Distribuidora, sendo R$ 20 mil através de doação direta em seu nome e R$10 mil via fundo partidário.

Gilmar Sossella: Todas as doações feitas de forma legal e transparente são bem-vindas, pois não se faz campanha sem estrutura e não se tem estrutura sem recursos.

Reporteros: O senhor é a favor do financiamento privado de campanha?

Sossella: Somos favoráveis ao financiamento público de campanha.

IBSEN VALLS PINHEIRO (PMDB)

(Resposta enviada pelo assessor Juan Carlos Parodi Mintegui)

Reporteros: Considerando o atual cenário da política brasileira, caso as eleições fossem hoje, o senhor ainda aceitaria doação da Odebrecht? Segundo apurado, nas eleições para o cargo de deputado estadual de 2014, o senhor recebeu R$ 50mil de doação da Quantiq Distribuidora, sendo R$ 20 mil através de doação direta em seu nome e R$ 30 mil via fundo partidário.

Ibsen Pinheiro: No que tange à contribuição da empresa Quantiq Distribuidora devo dizer-lhes que foi feita de acordo com o prescrito na legislação vigente na época, devidamente escriturada na Prestação de Contas da minha candidatura.

Reporteros: O senhor é a favor do financiamento privado de campanha?

Pinheiro: Tenho feito inúmeros pronunciamentos e redigido artigos jornalísticos a favor da extinção do voto proporcional em lista aberta e a sua substituição pelo voto distrital. Também tenho me posicionado a favor da cláusula de barreira e contra a coligação em eleições proporcionais. Portanto, em sendo assim os partidos fariam a campanha de seus candidatos com financiamento público com lista fechada votada democraticamente nas instâncias partidárias, inibindo os candidatos a pedir recursos a quem quer que seja para custear as suas campanhas.

MANUELA PINTO VIEIRA D’AVILA (PC DOB)

(Resposta enviada pelo assessor Diego Oyarzabal)

Reporteros: Considerando o atual cenário da política brasileira, caso as eleições fossem hoje, a senhora ainda aceitaria doação da Odebrecht? Segundo apurado, nas eleições para o cargo de deputado estadual de 2014, a senhora recebeu R$ 20mil de doação da Quantiq Distribuidora. A senhora é a favor do financiamento privado de campanha?

Manuela D’Avila: A deputada é favorável ao financiamento público. Ela não trabalha, nem na política, nem na vida, com hipóteses. A eleição não é hoje e não mais são aceitas doações de empresas.

JBS

Por Juan Link

A empresa dos irmãos Batista doou R$ 1.321.980,25 para 17 dos 55 deputados estaduais gaúchos eleitos na eleição de 2014 de cinco partidos (PT, PP, PTB, PSB e PDT).

Todos os sete deputados eleitos do PP e cinco do PTB receberam recursos da JBS, somando um total de R$ 602.480,25.

Já o PT teve dois de seus deputados favorecidos pelos Batista. Apenas um deles, Luiz Fernando Mainardi, recebeu R$ 500 mil, o que representa 37,8% do valor total das doações do grupo.

Com exceção de Luiz Mainardi (PT) e Elton Weber (PSB), todos os demais parlamentares receberam doações da JBS via repasses partidários. Ou seja, a empresa doou para o partido e o partido repassou para os candidatos.

COM A PALAVRA, OS DEPUTADOS

RONALDO SANTINI (PTB)

Reporteros: Na campanha de 2014, segundo dados do TSE, o senhor recebeu R$ 85.402,00 da JBS. Esta doação influência de alguma maneira a sua atuação no Legislativo gaúcho?

Ronaldo Santini: O repasse dos recursos foi realizado através do Comitê Financeiro do Partido. Não houve nenhum contato direto meu com a empresa. O fato da doação por parte da empresa não influencia de forma alguma no meu trabalho no parlamento gaúcho.

Reporteros: O senhor é favorável a doação privada de campanha?

Ronaldo Santini: Sim. Desde que seja realizada de forma legal.

Apenas o deputado Ronaldo Santini respondeu às perguntas da Revista Reporteros até o fechamento desta edição.

GERDAU

Por Cristiano Lopes, Leonardo Bartz, Paulo Ricardo Netto e Victória Fogazzi

O Grupo Gerdau doou, nas eleições de 2014, R$ 115 mil para cinco deputados estaduais eleitos no Rio Grande do Sul e mais de R$ 3 milhões para diretórios estaduais de dez partidos.

Os deputados eleitos que receberam recursos da Gerdau são: Edson Brum (PMDB), Lucas Redecker (PSDB), Luiz Augusto Lara (PTB), Luiz Fernando Mainardi (PT) e Sérgio Turra (PP).

A Gerdau é líder no segmento de aços longos nas Américas e um dos principais fornecedores de aços especiais no mundo, com plantas industriais em 14 países.

Ela também recicla milhões de toneladas de sucata em aço nas regiões em que atua. As ações da empresa estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo, Nova Iorque e Madri.

Operação Zelotes — A Gerdau esteve envolvida na sexta fase da Operação Zelotes. Dentro os crimes investigados pela Polícia Federal estão: Advocacia Administrativa Fazendária, Tráfico de Influência, Corrupção Ativa e Passiva, Associação Criminosa e Lavagem de Dinheiro.

COM A PALAVRA, OS DEPUTADOS

SÉRGIO TURRA (PP)

Reporteros: Na campanha de 2014, segundo dados do TSE, o senhor recebeu R$ 19.600,00 da Gerdau. Essa doação condiciona de alguma maneira a sua atuação no legislativo gaúcho?

Sérgio Turra: Nenhuma doação específica condiciona minha atuação no parlamento gaúcho. Observei absolutamente a legislação eleitoral então vigente.

Reporteros: O senhor é a favor de doações privadas em campanhas eleitorais?

Sérgio Turra: Acredito que o caráter de cada candidato pesa muito mais que a origem da doação, seja pública ou privada. Portanto sou a favor da doação privada.

TAURUS

Por Ângelo Pinto, Jocelias Costa, Raquel Santos, Hiashine Florentino

A metalúrgica Taurus doou R$ 95 mil para quatro deputados estaduais gaúchos eleitos na eleição de 2014. Foram eles: Ênio Bacci (PDT), Lucas Redecker (PSDB), Adilson Troca (PSDB) e Tiago Simon (PMDB) foram os parlamentares contemplados.

Fundada em 1939, a Taurus é uma das maiores fabricantes de armas leves do mundo, exportando armamentos para 80 países. A Companhia, com sede na cidade de São Leopoldo, também possui indústrias no Paraná, na Bahia e nos Estados Unidos.

A empresa ainda fez doações em mais sete estados e no Distrito Federal somando um total de R$ 595 mil em contribuições políticas, R$ 380 mil a mais do que o valor total doado nas eleições de 2012.

COM A PALAVRA, OS DEPUTADOS

ADILSON TROCA (PSDB)

Reporteros: Na campanha de 2014, segundo dados do TSE, o senhor recebeu R$ 25 mil da Taurus. Esta doação influência de alguma maneira a sua atuação no legislativo gaúcho?

Adilson Troca: Estes temas são fundamentais no momento político que vivemos. Sobre a doação, informo que este recurso foi doado pela Taurus para o Partido Progressista. O meu partido, PSDB, era coligado em apoio à candidatura da senadora Ana Amélia Lemos ao Governo do Estado. Foi através do PP que esta doação chegou a mim e a outros candidatos da coligação. Nunca fui procurado por ninguém da Taurus ou de qualquer outra empresa tentando influenciar meu trabalho parlamentar. Atuo de maneira transparente, sempre com foco no interesse dos gaúchos como coletivo e com toda tranquilidade de quem tem quase 30 anos de vida pública com ficha limpa.

Reporteros: O senhor é favorável a doação privada de campanha?

Troca: Sempre fui favorável principalmente por entender que o dinheiro público deveria ser gasto com a população e não em campanha eleitoral. Porém, agora que temos informações a respeito das barbaridades que acontecem em algumas campanhas, acho que é importante pensar e analisar melhor esta questão. Só posso falar por mim mesmo, mas nunca senti nem recebi pressão de qualquer empresa para votar ou agir de determinadas maneira. Sempre trabalho de portas abertas, ouvindo a todos e votando de acordo com minha consciência, com o que entendo ser o melhor para o Estado.

MICHEL TEMER

Por Valéria Possamai, Mariana Abreu e Larissa Dumerque

Doações de Temer por deputado estadual eleito na Assembleia Legislativa no Rio Grande do Sul

Nas eleições de 2014, o então candidato à vice-presidência da República Michel Temer ajudou a financiar a campanha eleitoral de seis deputados da atual bancada do PMDB do Rio Grande do Sul. Ao todo R$ 819.606,53 foram repassados por Temer aos parlamentares eleitos, segundo dados do sistema e prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As campanhas eleitorais dos deputados Gilberto Capoani, Juvir Costela, Álvaro Boessio, Gabriel Souza, Edson Brum e Vilmar Zanchin receberam repasses de Temer oriundos das empresas como OAS, Construtora Triunfo S/A, São Sebastião Desenvolvimento Imobiliário e Jofege, além de recursos próprios de Temer.

O deputado estadual Juvir Costela foi o maior beneficiário de Temer, entre os seis parlamentares, com R$ 215.173,75 em suas contas eleitorais oriundas do então candidato à vice-presidência.

A Construtora Triunfo S/A foi a maior fornecedora de recursos financeiros destinados as campanhas dos parlamentares eleitos com recursos repassados por Michel Temer.

Ao total, a Triunfo forneceu 250.000,00 a Michel Temer para o repasse às contas eleitorais. Edson Brum, Vilmar Zanchin e Gilberto Capoani foram os deputados beneficiados com doações da Construtora via Temer.

Valores doados por Michel Temer (recursos próprios e de empresas) aos deputados estaduais do PMDB gaúcho

Ainda segundo dados do TSE, Temer repassou à campanha do Deputado Edson Brum o valor de R$100.000,00. O valor foi um repasse em nome de Rodrigues Borges Torrealba, do Grupo Libra, um dos maiores operadores portuários e de logística de comércio exterior do Brasil.

Produção dos alunos da disciplina Escola de Reportagem II — Apuração / Noite do campus Zona Sul da UniRitter. Supervisão: Prof. Roberto Villar Belmonte