Nara Leão — Cartazes

A minha primeira versão da capa da Nara Leão estava mais voltada para o passado da cantora. Ela era muito tímida quando criança, e ganhou um violão do pai como incentivo para tocar e se tornar uma pessoa mais aberta. Então, a mancha de aquarela no cartaz significaria a explosão ou a fuga das ideias de dentro da Nara para fora dela. Escolhi o roxo e o azul principalmente porque são cores análogas e fazem referência à calma e criatividade. Os olhos da cantora permanecem em branco para demonstrar que apesar de “explodir” em ideias coloridas e músicas, o olhar crítico sobre o “preto no branco” e a realidade da sociedade nunca saíram de dentro da Nara, baseado em suas músicas críticas sobre o sistema capitalista.

E foi pensando nesta tendência crítica sobre a sociedade que surgiu a segunda capa, que se utiliza principalmente de um esquema de estampas e formas muito similar a algumas imagens da banda Tropicália, com a qual a Nara Leão fez diversas produções em conjunto durante a vida. As cores vivas e sensação de movimento das formas remetem a um público jovem, principalmente com o laranja e o amarelo ao fundo, cores análogas, representando energia e crescimento linear. As cores ao redor são contrastantes e propositalmente não são harmônica de acordo com o estudo do círculo cromático para criar uma ideia de “quebra do comum” e desordem proposital. Porém, as letras da capa e a cantora permanecem em vermelho para simbolizar uma urgência sobre assuntos que, embora tratados de forma leve e rítmica, são muito alarmantes.

Ao escutar todo o álbum Nara, porém, percebi que todas as músicas tinham um tom melancólico, e algumas até tratavam de despedidas de uma forma serena e nostálgica. Então, minha última decisão foi a de colorir as letras e a cantora com vermelho, laranja e amarelo, cores análogas, remetendo à ideia de um pôr-do-sol que termina na própria figura da Nara, como se ela fosse a luz, a esperança e a saudade de que tanto fala em suas canções.

