Estudo compara mães e pais que matam seus filhos
O sítio eletrônico PsyPost resenhou o artigo ‘Canadian trends in filicide by gender of the accused, 1961–2011’, publicado em setembro/2015.
Segue tradução livre de parte da resenha.
Myrna Dawson é uma renomada especialista canadense em homicídios e é integrante de longa data do primeiro Comitê de Revisão de Mortes relacionadas à Violência Doméstica [Para o relatório do Comitê referente ao período 2013 -14, clique aqui]
Em uma das mais extensas revisões sobre filicídio (assassinato de alguém com menos de 18 anos por um dos pais), Myrna Dawson analisa dados do Canadá sobre o tema, cobrindo de 1961 a 2011.
Durante esse período, pelo menos 1.612 crianças e adolescentes foram mortos no Canadá por seus pais. Desde 2011, vários casos continuam a ser divulgados na mídia.
Myrna Dawson examina do gênero dos pais, idade e estado civil até o local de residência e possíveis motivos para o filicídio, incluindo história de violência familiar. Dawson procura por padrões e tendências para identificar estratégias para prevenção, particularmente no que tange à similaridades entre os casos e diferenças no comportamento entre mães e pais.
“Casos de filicídio por mães e pais frequentemente diferem de vários modos […]”, diz Dawson, que está associada ao Canada Research Chair in Public Policy in Criminal Justice e lidera o Centre for the Study of Social and Legal Responses to Violence.
Dentre outras achados, encontram-se estes:
- Mais homens do que mulheres são acusados nesses casos, diferença que aparenta estar aumentando;
- Mulheres acusadas são mais comuns no grupo de pessoas com idade inferior a 18 anos. Homens lideram em idades posteriores;
- Mulheres são 4 em 5 acusadas quando são solteiras e nunca casaram. Homens representam 2/3 dos acusados que são divorciados, separados or viúvos;
- Mais homens do que mulheres são acusados quando vingança ou ciúme são os motivos alegados;
- Os acusados são pais naturais. Quando enteados são mortos, 9 em 10 dos acusados são os padrastos. Ainda que esses números não sejam expressivos, aparentemente estão em ascensão;
- Desde 1991, há maior número de informes sobre violência familiar envolvendo filicídios;
- Pais, mais do que mães, contam com maior probabilidade de cometer suicídio depois de assassinar um filho, ainda que esse tipo de ocorrência esteja em declínio, mesmo quando se trata de mães como autoras.
Dawson afirma que o ciúme ou suspeita de infidelidade e disputa de guarda pode aumentar o risco de danos a um dos pais — geralmente às mulheres — e aos filhos.