Whiplash: Em Busca da Perfeição

Resenha

Por Lucas Santos

Estou aqui mais uma vez para expor minhas opiniões e interpretações do magnifico filme Whiplash: Em busca da perfeição. Garanto que se você ainda não assistiu essa obra prima do diretor Damien Chazelle,que inacreditavelmente só possui 30 anos, pare de ler nesse exato momento para ter uma experiencia impressionante com o filme. Além do mais, provavelmente não conseguirei manter o ritmo do post sem relatar partes importantes do filme que seriam muito comprometedoras para quem ainda não o assistiu.

Inicialmente, estamos falando de um drama musical com pitadas de sarcasmo cuja mistura rendeu à obra 5 indicações ao oscar. O filme foi uma adaptação de um Curta-metragem com a mesma direção.

A história ronda ao redor de um aluno de bateria, Andrew Neiman (Miles Teller), que estuda no melhor conservatórios dos EUA (e do mundo), com a cabeça feita de que empenharia o seu máximo para conseguir um destaque no meio musical. Aproveitando a oportunidade oferecida por Terence Fletcher (J. K. Simmons) — um dos professores mais renomados do conservatório — Andrew aceita o convite de integrar-se à sua banda. Porém, como nem tudo são flores, o método de ensino de Fletcher é um pouco autoritário e grosseiro, o que torna a trajetória de Andrew mais difícil de ser trilhada. Mesmo sofrendo psicologicamente e fisicamente, Andrew abre mão de sua vida pessoal e tenta no seu extremo se aperfeiçoar cada vez mais.

A premissa do filme dá a impressão de que Whiplash não passa de um filme baseado em moldes onde existe um protagonista, um objetivo e uma barreira. Assim, o protagonista passa grande parte do filme sofrendo para conseguir realizar seus sonhos e inacreditavelmente o feitio é realizado ao final. Ao contrário disso, Whiplash não é um filme que facilmente você encontrará uma comparação. A temática do filme (Baterista querendo ser reconhecido) pode ser deixada de lado em relação ao aprofundamento em diversos temas que te deixarão refletindo por dias. Como exemplo, o método de ensino do professor é uma questão que deve ser debatida e repensada, pelo fato de se realmente o tratamento através de grosserias é fundamental para o reconhecimento profissional e para a conquista da perfeição.

O personagem Terence Fletcher é muito bem construído por J. K. Simmons, que pode ser observado em sua atuação exemplar, deixando muitos atores que interpretaram militares em filmes de guerra no chinelo. o estilo autoritário, arrogante e perfeccionista são muito bem carimbados no personagem. Em comentários que li acerca das atitudes da personagem, encontrei muitos que interpretavam o final do filme como uma confirmação de que os métodos de ensino de Fletcher são realmente necessários para alcançar a perfeição. Porém, acredito que essa não foi a mensagem que o filme passou, pelo fato do professor nunca ter conseguido praticamente transformar um aluno em um astro do Jazz. Lembrando que, na verdade, o único aluno que alcançou o sucesso cometeu suicídio. Partindo do meu ponto de vista então como eu entenderia o final do filme? Para mim, a conclusão deixada pelo filme foi a de que primeiramente a perfeição nunca seria alcançada pelo professor e o seu sorriso no final representa a esperança que lhe surgiu ao perceber que poderia ter encontrado um novo astro musical.

Não nego que Fletcher realmente leva os músicos à um progresso musical. Mas por outro lado, tenho certeza de que métodos pacíficos são muito mais eficientes e garantem uma evolução mental e criativa. Com Fletcher, mesmo a banda apresentando um caráter “perfeito”, percebe-se como a música em si perde importância na trama e a vitória em campeonatos torna-se o objetivo final.

Mais um fato que comprava a invalidade das atitudes de Fletcher é a não evolução que os outros baterista recebem em relação à Andrew. Isso ocorre, por total mérito do aluno que se empenhou para melhorar sua capacidade e não simplesmente por ter passado por um método de ensino mais agressivo.


Originally published at lucasaoquadrado.wordpress.com on February 20, 2015.