Hakanai Kure
Análise da primeira versão do jogo.
Hakanai Kure é o primeiro rascunho de um jogo escrito pelo Guilherme Korn submetido para o concurso Game Chef Brasil da edição de 2014. Em especial decidi comentar sobre o jogo para experimentar uma análise. Gostaria de seguir os moldes de avaliação propostos pela segunda etapa do concurso Game Chef. A minha motivação por fazer isso é que o jogo mereça ter um destaque na comunidade pela audácia da proposta.
Ler Hakanai Kure é recordar da experiência de assistir um filme do Studio Ghibli. É embarcar em um história sentimental carregada de significados. É o esforço de jogos que contam histórias sem o foco da violência. Um jogo que vale a pena ter uma atenção.
O que mais gostou no jogo?
Produzir um origami durante o jogo. O Hakanai Kure é diferente por essa abordagem mecânica. Os animais — borboleta, peixe, raposa e tsuru — que são formados pelo origami possuem uma conexão emocional com as estações. São adoráveis. Eles estimulam a serenidade, paciência e a criatividade. Perfeito para uma sessão de jogo narrativo.
Hakanai Kure é heterogêneo de regras. Cada esta estação possuem regras bem definidas e distintas. Isso valoriza cada etapa durante a narrativa.
O que achou confuso no jogo?
A importância do origami no jogo. Na primeira página a proposta desta ideia é bem definida. Mas no decorrer do jogo essa importância é sugada pelas perguntas a serem respondidas para desenvolver a trama. O que de certa forma me desapontou.
O número de questões são gigantescas. Poderiam ser apenas uma escolha dentre a lista. O que agilizaria o processo de jogo. Como é um jogo com transmite um tom reflexivo responder uma pergunta exige segurança e reflexão. O que por sua vez consome um tempo significativo.
Os dados por serem coloridos tem um grau de importância pela manipulação de suas estações. Mas eu não percebo no jogo uma importância em rolar dados. Ao invés de dados poderia substituir por marcadores ou pedras esotéricas. Seria bem mais bonito e interessante.
O que precisa ser melhor trabalhado no jogo?
Se o jogo é sobre a efemeridade os elementos do jogo deveriam tratar mecanicamente com ferramentas temporárias. O jogador precisa sentir que o tempo é o seu maior inimigo.
Não sei se o autor ainda vai se prender aos conceitos que utilizou pelo game chef. Se sim, largue-os. Desamarre o jogo e faça ele fluir. Tem muito para crescer e acredito muito em seu potencial significativo.
Novamente bato na tecla de trabalhar mecanicamente com os origamis. É o total diferencial do jogo e desprezar isso seria um pecado. O jogo exigirá playtests com um público mais feminino. As mulheres tem maior sensibilidade para compreender a intenção do jogo.
Você está com vontade de jogar o jogo agora?
Sim, e muito. Mas eu acredito que o jogo não esteja 100% seguro para apresentar aos meus amigos. Acredito que ele precisa de mais uma ou duas revisões de regras. Eu gostaria de estar envolvido nas etapas de testes e ver como será conduzido o projeto.
Você se sente capaz de jogá-lo agora?
Não. Devido ao fato de algumas instruções citadas acima estarem confusas. Acredito que conversando com o autor ele poderá esclarecer pontos nebulosos.
Quantos dos ingredientes foram utilizados? Eles foram bem utilizados?
Seguindo os critérios do game chef notei que o autor tentou utilizar o ingrediente absorver. O que a princípio não transpareceu em sua totalidade. Hakanai Kure não se encaixa dentro dos ingredientes propostos no Game Chef.
Quão corajoso foi o autor ao propor esse jogo?
Guilherme foi corajoso na proposta de realizar um jogo que não reforce a experiência de violência ou termos similares. Mais corajoso ainda em utilizar o origami como elemento do jogo. Digamos que foi até feliz, porque descobriu um elemento bastante sensível.
As mecânicas desse jogo são inovadoras e instigantes?
Não em sua totalidade. Acredito que utilizar dados está mais defasado e manipular eles em moldes coloridos pode acarretar em algum empecilhos de produção final do jogo. Novamente reforço em trabalhar com as dobraduras dos papéis de estações para compor o origami. Para que o jogo funcione precisará de um bom trabalho de diagramação, se o papel com as instruções for o próprio origami.
Conclusão: Hakanai Kure, me parece um jogo perecível. Mesmo sendo apenas um primeiro rascunho ou versão a proposta é bastante feliz. Assim como todos os demais projetos o primeiro rascunho é apenas um esboço. Agora é trabalhar aos poucos moldando-o de maneira eficaz. Tudo dependerá o que o autor deseja para a obra.

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