Os pacotes de austeridade de Temer/Meirelles que ameça os direitos conquistados e ataca diretamente os mais pobres.


Para quem tem um convívio um pouco mais próximo com o sistema público, já começa a sentir os impactos da austeridade.
Seguindo uma política de corte de gastos por parte do governo para fechar as contas no fim do mês, uma tática já utilizada na Grécia e sugerida pelo FMI, o governo tenta cortar “gastos” com investimentos públicos como escolas, hospitais, energia, etc… para conter o projetado déficit de 139 bi e estabilizar as contas do governo.
Olhando de longe e bem por cima, até parece coerente reduzir custos para pagar uma dívida, afinal é o que toda pessoa comum que precisasse faria.
Pois bem, a questão é que o governo não é um cidadão comum, o governo faz arrecadação, tem credores e pode realizar reformas, mudanças concretas e coerentes num sistema capitalista.
Primeiramente vamos examinar os gastos para ter uma dimensão de onde se pode tirar e colocar dinheiro.

Esses dados foram elaborados pelo núcleo da auditoria cidadã da divida.
http://www.auditoriacidada.org.br/
Um ótimo site que dispõe de muitos dados sobre o sistema da divida.

Pois bem, o gráfico acima mostra os gastos executados em 2014.
Pode se notar que quase metade do orçamento foi amortização e juros, um pouco mais de 1/5 na previdência e o restante foi distribuído.
3,08% Assistência Social, 0,04% Cultura, 3,73% Educação e 3,98% Saúde.
Agora porque os gastos com dividas são tão grandes ?
A dívida é constituída por meio de ativos públicos, negociadas no site do tesouro direto a qualquer um, somente sendo necessário uma empresa vinculada para fazer a compra do titulo.
Até então tudo bem, nesse sistema que a gente vive é normal contrair dividas, a questão é: qual o valor da dívida ?
Há alguns tipos de títulos negociados, é possível ver a sua remuneração no site oficial do tesouro direto, dentre eles estão os pré e pós fixados.
Pré-fixados são títulos com uma remuneração atribuída antes da compra, já sabendo o seu valor remunerado ao fim do período. 
E os pós-fixados, títulos indexados aos índices IPCA (inflação) e SELIC (taxa básica de juros) e geralmente acrescido de um valor. Exemplo: Selic (13,25%) + 5% ao ano.
Junto com o CDI no curto prazo é um dos mais bem remunerados títulos.
Ai é que tá a questão, fazemos dívidas a um custo altíssimo, com um dos maiores juros do mundo.
Em comparação temos o Brasil com 13%, os EUA com 0,75%, Jamaica com 5,00%, zona do Euro 0,00, México 6,25%.
Agora, no Brasil pode acontecer a questão do acumulo de juros, juros compostos dentro de uma dívida a qual todo residente brasileiro paga.
Se analisar, quando o valor remunerado se multiplica novamente por uma das mais altas taxas do mundo, grande parte desse montante vai ser destinado ao pagamento exclusivamente de juros se transformando numa bola de neve.

Mas o que a austeridade tem haver com a dívida ?

A manutenção do pagamento da dívida pública em tese, mantém a credibilidade de investimento para o público externo e garante a rentabilidade sobre o capital investido, nesse contexto, com o fundamento de manter a credibilidade (risco zero), o governo assume o corte nos setores básicos para manutenções sociais ao custo do pagamento dos juros da dívida.
Hoje o pobre paga proporcionalmente mais que o rico. Enquanto o pobre chega a pagar em algumas vezes mais da metade de seu orçamento para o governo, quando não sonegado, os ricos não chegam a pagar 25%.
Que os ricos paguem a conta do déficit, que os devedores como Varig, Marfrig, Oi entre outras cubra esse déficit.
Hoje os únicos setores que se mantém prosperando é o bancário. E porque ?

Agora vamos a alguns dos golpes aos trabalhadores :)

Reforma da Previdência:

  • Idade mínima 65 anos ambos sexos
  • 49 anos de contribuição
  • Maior dificuldade para se aposentar
  • Ataque na pensão por morte
  • Aposentadoria por invalidez de integral para 51% + 1% por ano de contribuição
  • Ataque aos direitos dos agricultores que terão de seguir a mesma regra do trabalhador urbano

Isso é o que a lei pretende mudar, o reflexo não ficará só ai com certeza.

Reforma Trabalhista:

  • Férias parcelada em até 3 vezes sem juros
  • Jornada de 12 Horas (bem vindo de volta ao sec. XIX)
  • Almoço em 1/2 hora

Bom, imagino que a FIESP não deve estar nada contente né ?!
Mas a quem isso tudo é benéfico ? 
A mim? a você ? ao país?
Eu só vejo grandes corporações que financiam campanhas multimilionárias de todo tipo de partido se saindo vitoriosos, uma vitória sobre o povo, principalmente sobre o povo pobre.