Leitura Labial Não É Assim Tão Fácil

Por Lydia L. Callis

TPOPOVA VIA GETTY IMAGES

Imagine participar de uma reunião de negócios onde todos ao redor da mesa estão sussurrando, cobrindo suas bocas e murmurando as palavras. Imagine quão frustrante seria para você, ao final da reunião quando todos se levantarem com suas anotações e você ser deixado se perguntando sobre do que se tratava a reunião. Para os surdos que leem lábios essa é a situação que eles passam diariamente no meio social e profissional.

Recentemente, Rachel Kolb escreveu e estrelou em um vídeo chamado “Can You Read My Lips” (“você consegue ler meus lábios”, em tradução livre) que sabiamente descreve sua experiência como pessoa surda. O vídeo usa imagens e sons pra lembrar a audiência ouvinte o quanto as pessoas se apoiam na audição pra se comunicar. O vídeo viralizou e acabou tendo um feedback super positivo dentro da comunidade surda porque além de ser bem feito, ele toca num tópico pessoal e difícil para muitos surdos: a leitura labial.

Estudos mostram que somente 30 a 45 porcento do inglês oral pode ser entendido somente através da leitura labial. Mesmo uma pessoa habilidosa em leitura labial não está apta a entender uma mensagem completa em leitura labial, embora elas frequentemente estejam aptas a interpretarem as pistas faciais, linguagem corporal e o contexto pra entender a mensagem. Como você pode imaginar, essa técnica demanda do cérebro diferentes habilidades e isso se torna exaustivo depois de um período de tempo.

Quando uma pessoa surda é oralizada e capaz de ler lábios, os ouvintes podem não entender o conjunto de desafios que eles estão superando mesmo numa conversa de um-pra-um. Os ouvintes podem se incomodar quando os surdos pedem para eles repetirem várias vezes o que foi dito ou se comunicar mais lentamente e de forma clara. Eles podem até perder a paciência e encurtar a conversa.

Só porque a pessoa surda pode ler lábios não significa que essa é a melhor forma de se comunicar com ela. À comunidade ouvinte falta um maior entendimento do real esforço feito pra se comunicar através dessa forma.

Frequentemente eu (Rachel) sou contatada por surdos que tiveram seu direito à intérpretes na escola, no trabalho e em outros ambientes negado, porque as pessoas ouvintes com quem eles conseguiram se comunicar, fizeram seu próprio julgamento decidindo que a leitura labial do surdo seria o suficiente.

Comunicação é um direito humano e negando-o é uma forma sutil de opressão.

No nosso mundo moderno, com a tecnologia nos conectando de formas nunca antes pensadas, há várias formas de se comunicar com outras pessoas. Pessoa surdas percorrem vários caminhos e tem diversas experiências comunicativas experiências de vida.

Algumas pessoas que tem problemas auditivos e usam implantes coclear ou usam aparelho auditivo geralmente escolhem ler lábios e usam pistas acústicas quando possível, embora eles também possam saber ASL. Algumas pessoas se tornaram surdos tardiamente, e eles podem escolher aprender ASL mas a maioria usa os aparelhos auditivos e a leitura labial. E tem aqueles que se identificam como Surdos, usando somente ASL, escolhendo não ir pelo caminhos das pedras da leitura labial, como falado por Rachel Kolb.

Surdos e pessoas com dificuldades auditivas são indivíduos que, a sua maneira, adotaram sua própria forma de acessa o mundo ao redor deles.

Se vocês está verdadeiramente interessados em ter uma conversa com outra pessoa, então vocês quer que essa pessoa seja capaz de se expressar de forma que é confortável para ela mesma. E qual é a melhor forma de se comunicar com uma pessoa surda? Pergunte a ela!!

Agora você pode estar se perguntando como uma acomodação comunicativa razoável se parece, e como você pode propiciar isso de forma que respeite o Ato dos Deficientes Americanos. Há várias formas de identificar as necessidades das pessoas Surda ou que tem necessidades auditivas.

Quando a pessoa que lê lábios e não sabe a Língua Americana de Sinais, o Acesso à Tradução da Comunicação em Tempo Real (CART, sigla em inglês) é feita transcrevendo o áudio em texto escrito. Sim, uma pessoa habilidosa que lê lábios pode usar o contexto para entender a totalidade da conversa, mas intérpretes e pessoas que trabalham com o CART oferecem uma ferramenta adicional pra entender a mensagem. Isso é especialmente necessário se a conversa é longa ou se a conversa envolve múltiplas pessoas. Em um grupo, fazer leitura labial numa conversa é praticamente impossível.

O vídeo “Can You Read My Lips” fez um ótimo trabalho tirando os ouvintes de sua zona de conforto, fazendo-os pensar sobre a qualidade do discurso na ausência de som. Humanos buscam por conexões, e as pessoas que leem lábios fazem o trabalho dobrado para atingir isso, alargando os limites dos seus sentidos para se conectar com as cultura majoritária. Reconhecendo esse fato e tomando pequenas atitudes para promover acesso à comunicação das pessoas surdas e com necessidades auditivas, nós todos encurtamos a distância para que a humanidade se aproxime.

Tradução livre do artigo “Lip Reading is no simple taks” publicado no site http://www.huffingtonpost.com/entry/lip-reading-is-no-simple-task_b_9526300.html no dia 23–03–2016 por Lydia L. Callis