O Museu Nacional não é o único a chorar

Verissimo
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Sep 6, 2018 · 2 min read

O incêndio que destruiu aproximadamente 90% do acervo do Museu Nacional, na Quinta da Boavista, semana passada, trouxe à luz uma discussão sobre a falta de cuidado com o patrimônio histórico do País. E o descaso não se restringe apenas ao museu bicentenário.

Encontrei outros problemas em espaços culturais da cidade que remontam a biografia sociocultural brasileira.

No Arquivo Nacional, na região central do Rio, a tubulação dos hidrantes de combate a incêndios do bloco em que ficam armazenadas 90% de toda a documentação, tem mais de 50 anos e está completamente deteriorada. A vida útil dos tubos deveria ser de aproximadamente 20 anos. Em 2017, a equipe técnica do Arquivo detectou o problema e uma empresa terceirizada elaborou um laudo apontando a necessidade de reparo. Porém, até hoje, os R$ 7 milhões necessários para o custeio das intervenções ainda não foram liberados pelo Ministério da Justiça.

A Lei Áurea de 1888, assinada pela princesa Isabel, e todas as constituições do Brasil são alguns dos documentos guardados no edifício histórico de 180 anos.

Recentemente a instituição recebeu cerca de R$ 2 milhões para uma exposição sobre os 130 da abolição da escravatura no Brasil (Foto: Fundação Joaquim Nabuco)

Também no Centro, funcionários da Biblioteca Nacional, considerada pela Unesco uma dez maiores do mundo, temem os riscos de uma pane elétrica, porque trabalha-se no limite da eletricidade. Isso impede que o sistema de climatização do local funcione de forma adequada, prejudicando a manutenção dos cerca de dez milhões de itens armazenados.

A alguns quarteirões dali, o Gabinete Real Português, detentor da maior coleção de obras lusas fora de Portugal, não possui sistema contra incêndio.

No Catete, Zona Sul, o Museu da República, além de possuir infiltrações em vários cômodos, teve sua varanda escorada por risco de desabamento.

O museu, que está abrigado no Palácio do Catete e foi construído entre 1858 e 1867, serviu de sede para o Governo Federal por mais de 60 anos, quando o Rio ainda era capital do Brasil. E foi nele que Getúlio Vargas suicidou-se em 1954. O pijama, ainda sujo de sangue, utilizado na ocasião pelo então presidente é a principal relíquia da exposição.

Em Botafogo, a Fundação Casa de Rui Barbosa luta há pelo menos dois anos para que uma adutora de 90 anos da Companhia Estadual de Águas e Esgoto realize o remanejamento da tubulação. Após a abertura de uma ação civil pública, junto ao Ministério Público Federal, a Cedae deve iniciar os trabalhos em novembro.

Além de itens de Rui Barbosa, ali estão reunidas preciosidades de poetas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes.

Em nota, o Instituto Brasileiro de Museus reconheceu a necessidade de medidas de segurança nos espaços culturais. Já o Ministério da Justiça informou que uma licitação, em curso, vai atender às exigências do Corpo de Bombeiros.

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Revista dedicada a publicação de matérias e artigos com temáticas nacionais e internacionais.

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