#8 — De noche todos los gatos hacen miau

Mais um episódio onde vemos Bolaños tirar leite de pedra. E pelo visto a proposta era essa mesmo, pegar um conceito simples e esticá-lo até onde possível:

Chapolin precisa ajudar uma mulher que não consegue dormir por causa dos miados de um gato.

E é isso. Tudo parte daí. Em volta disso, temos dois personagens em particular que parecem muito “vivos” principalmente por conta da interpretação dos atores: o marido que sonha que está num barco e o vigilante. O vigilante até nem tanto, ele serve mais de escada, mas o marido acaba quase que roubando a cena. É Carlos Villagrán fazendo o arquétipo do banana de novo, mas o twist da característa do sonho do personagem faz a diferença aqui.

O Chapolin enquanto personagem brilha mais nos momentos em que percebemos coisas sobre ele que não aparecem sempre. A gente sabe as frases que ele vai falar, a gente quase sabe o que ele vai fazer em 100% do tempo, mas às vezes temos uns lapsos de humanidade (e mesmo de “história pregressa”) pra além do esperado dele. Uma das melhores cenas aqui é quando ele se irrita com o gato. A progressão da piada é previsível, mas a entrega compensa. Aliás, esse episódio tem umas tomadas que pareciam estar afiadas com o clima geral, como os momentos em que começam a jogar o vaso de um lado pra outro.

O final é tipicamente chapolinesco: a resolução vem no último momento, mas pelo menos ela é coesa dentro dos padrões do episódio, e o uso de um elemento aparentemente inútil pra trama é bem sagaz (também dentro dos padrões daqui).

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