349.


“Tô resistindo a maioria dos impulsos,
dos processos, dos incentivos e dos afetos.
resisto à vontade de te puxar pela mão, 
e provocar, 
te fazer falar exatamente ou quase tudo o que você quer. 
não queu’ esteja implicando que você queira alguma coisa. 
mas não dá pra te entender e tentar ler o que você planeja, o que você espera, o que você acha que vai receber de mim. 
que cê quer de mim?

desmonta tudo e vem falar porque não dá pra levar,
essa onda de reconfessos e sinais gastos e coisas soltas e esfumaçadas,
e é bem capaz deu’ estar inventando coisa, 
deu’ não saber nada, 
devo estar criando edifícios megalomaníacos a cada frase tua, 
uma expectativa monumental a cada mensagem tua, 
uma coisa que transpassa a cada sorriso.

pelo amor, para de sorrir pra mim.

eu tô quase até pedindo pra você parar de falar comigo e eu não posso pedir nem isso porque não tenho abertura,
não tenho contato.
de afeto só eu falo, interesse só eu tenho, incentivo só o teu rosto e teu corpo prum espaço compartilhado — nosso.

posso ter passado dos limites, posso estar mentindo nisso tudo, você pode não me querer mesmo, em hipótese alguma, 
pode estar querendo só um contexto raso. 
não que eu seja, ou você. 
eu tento ser fundo.

e repito, vai ver a gente não corresponde mesmo.

só por favor, me alivia.

me explica.

me corta logo. depois passa.

só não consigo ficar nessa, isso eu não, por mais que eu ame teu sorriso, 
isso não tem graça.”

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