REVIEW DE BAR # 1 — GELA-GUELA (OU BAR DO SEU TONINHO).

Ambiente familiar, litrão barato, freguesia simpática e papo descontraído. Esses são alguns dos elementos fundamentais para que um bar, pub ou taberna, seja classificado como um famigerado LETRA A. Em nosso primeiro Review de Bar, este que vão conferir logo abaixo, demos inicio a nossa busca pelo bar perfeito. Aonde por um preço justo seja possível de divertir e interagir com aquela rapaziada manga larga. O resultado da epopéia você pode conferir logo abaixo. Vamos lá.
ESPAÇO E LOCALIZAÇÃO
Localizado na cidade de Araras, mais precisamente na Av. Dr. Maximiliano Baruto, 694, no Jd. Universitário (nas proximidades da FHO — Uniararas ou Faculdade Letra E cheia da galera mais desconstruída do século passado), o singelo estabelecimento exibe sua majestosa faixada. Com as calçadas sempre limpas, graças à disciplina do proprietário e dos frequentadores, nossa visão logo é preenchida por jovens estudantes ou clientes Sênior do bar.
O bar é separado em dois ambientes. Sendo um o bar em si e o segundo, um pequeno salão de jogos guarnecido por duas belas mesas de sinuca ( R$ 1,50 a ficha), além de algumas mesas e cadeiras para o conforto dos frequentadores. Há também dois banheiros muito bem guardados por uma épica imagem do eterno ídolo Ayrton Senna.
As paredes internas são apinhadas de artigos peculiares como: Calendários de jogo do bicho, anúncios de quermesse e muitas fotos do Seu Toninho (Proprietário do local) com fregueses e amigos. Há também um aparelho televisor clássico suspenso, acompanhado por um DVD player que, segundo apurado em nossa visita, Seu Toninho não sabe utilizar.
“… Mas eu não sei ligar essa porcaria aí, não!”
Seu Toninho sobre o DVD


No mais, duas bancadas fartamente preenchidas com salgadoces, salames, amendoins e conservas, separam o ambiente de descontração do de trabalho. Este último, que conta com tabelas de preços penduradas (tanto de cigarros como de bebidas), garrafas dos mais tentadores venenos e imagens de santos e de caráter religioso. Os dois freezers do local, também apresentam multifuncionalidade e demonstram o fortíssimo espirito empreendedor de Seu Toninho, pois além de servirem para armazenar e conservar as bebidas geladas, eles ainda servem como bancada e mesa para quando existem muitos visitantes no local.

BEBIDAS
Dentre toda a sorte de rótulos disponíveis no Gela-Guela, pudemos desfrutar em especial do Conhaque Presidente ( R$ 1,50 a dose), que costuma vir acompanhado de um espirituoso comentário político à respeito de nossa situação presidencial. Vale o adendo que, Seu Toninho se mostra completamente averso à discussões à cerca de Politica, Futebol e Religião.
“Isso aí é da porta pra fora!”.

Sendo o conhaque uma pedida indispensável para os dias frios, a Catuaba ( R$ 1,50 a dose) e a Ypióca com limão ( R$ 3,00 a dose), é a melhor amiga dos fregueses nos dias quentes.
Claramente, não poderíamos nos esquecer das cervejas, e os leitores podem conferir uma tabela logo abaixo com alguns dos preços das loiras geladas disponíveis.


Segundo Seu Toninho, a marca de maior saída tem sido a Itaipava ( 8 a 10 caixas por mês). E a de menor saída, a Bavária. Fato esse que fez com que levassem a geladeira desta marca embora.
As clássicas, Brahma, Antarctica e Skol disputam a preferência da clientela como em todo bar que se prese. E além dessas, existem marcas mais refinadas como Amstel, ou peculiares como a Ecobier e a Lokal. Deve-se ressaltar que estas estão disponíveis em suas versões lata, long neck e litrão.
PETISCOS
Como em todo estabelecimento do gênero, os balcões e prateleiras estão sempre cheios de doces e guloseimas, como: Batatas chips, amendoins, balas e salames que, este último inclusive, você pode ganhar em rifas.
Salgados como, espetinhos de frango ( R$ 3,50), presunto e queijo, também chamam a atenção. Os molhos que os acompanham, são um deleite a parte e fazem com que a experiência seja mais enriquecedora.

Tradicionais em bares de todo o Brasil, no Gela-Guela também é possível encontrar iguarias em conserva. Das quais tivemos o prazer de experimentar, o ovo de codorna no espeto ( R$ 1,50) e a salsicha em conserva, que nos proporciona um retro gosto azedinho porém picante.
ATENDIMENTO
Grande parte da experiência de se visitar um local como esse, se deve ao fator humano e a como somos tratados. Fator esse no qual o Gela — Guela, não deixa absolutamente nada a desejar.
Muito querido por todos que lá frequentam, Seu Toninho brinca e interage com seus fregueses (e por que não amigos?). Oferece rifas de salame e palmitos, e pergunta pelos parentes e conhecidos de quem lá está.

Durante o corriqueiro procedimento de encher nossos copos, Seu Toninho inicia uma conversa sobre como era bom o tempo em que jogava Bocha e até mesmo participava de campeonatos e magnânimos eventos dessa exuberante modalidade. Bem humorado e engajado no papo, o simpático anfitrião solta um “Cê quer ver?”, e se abaixa no balcão. Quando retorna ao nosso campo de visão, ele nos entrega uma enorme pilha de fotos. Algumas muito antigas e outras mais recentes. Praticamente documentos históricos que nos revelam épocas e habitantes marcantes da cidade de Araras. Em muitas delas, o time de bocha de Seu Toninho exibe orgulhoso o troféu de campeão (15 vezes, segundo o mesmo), e na escalação do grupo, ele aponta médicos, prefeitos, deputados, donos de comércios tradicionais da época. Todos que faziam parte da clientela e que aos fins de semana se reuniam para um derradeiro enduro na bocha.


No mais, as conversas iam desde os tempos passados até os atuais. Intrigado, Seu Toninho discursa sobre a violência que já se mostrava impiedosa na época e só vem aumentando até hoje.
Quando indagado sobre o seu horário de fechar as portas todos os dias, e porque o faz sempre tão cedo. Seu Toninho nos explica que tudo se deve as reclamações dos vizinhos e demais integrantes do bairro. Segundo ele, há em especial um trabalhador do fórum que não gosta nada da musicalidade ou divertimento do bar, chegando até mesmo ao ponto de levar o caso a justiça, ao qual Seu Toninho julga mais fácil fechar mais cedo mesmo e ignorar.
“O Pessoal fala pra mim, Seu Toninho, por que que você não joga uma bomba na casa desse mardito? Mas eu sempre digo, que não. Não tenho mais energia pra essas coisas assim não…”
Um verdadeiro guerreiro da paz, que prefere bater como Gandhi e prevalecer enchendo nossos copos como um Rei.
A SAIDEIRA
O veredito final sobre nossa primeira experiência claramente não poderia ter sido melhor. Um lugar de ambiente, decoração e atendimento tão notáveis como os descritos acima, combinado à bebidas e petiscos de primeira, por um preço muito mais do que justo e camarada, não poderia receber menos que uma merecidíssima LETRA A!

Recomendadíssimo, tenho certeza que o leitor vai adorar. Inclusive, aceitamos convites para uma partida de sinuca ou uma dose de Dreher com limão. E obviamente, deixem sugestões dos próximos bares LETRA A aqui do interior de São Paulo! O Reviews de bar ainda tem muito copo pra encher e de uma coisa eu tenho certeza:
O MEU POVO TEM SEDE!!
PROUST!!