Cobertura: Lançamento do livro “O Anel do Nibelungo” de Gabriel Lacerda.
Por Luíza Lucas Bruxellas
Gabriel Lacerda assume com essa obra uma missão difícil: reunir em um único livro quatro óperas de Richard Wagner e ainda despertar o interesse não só do público infantil, como também do infanto-juvenil e adulto, o que não é tarefa para qualquer um.
Que a missão seria cumprida com maestria, já era esperado. Mas a fila na Livraria da Travessa formada numa terça-feira mostrava que familiares, amigos, colegas de profissão, alunos, ex-alunos e admiradores tinham uma expectativa legítima quanto ao que veio a se cumprir. Todos aguardavam pacientemente a vez de adquirir a obra e cumprimentar o autor, nitidamente ansioso e eufórico com a receptividade do público presente.
O Anel de Nibelungo, mesmo título escolhido pelo compositor alemão Richard Wagner (1813–1883) para o conjunto das quatro óperas — Ouro do Reno, Valquíria, Siegfried e Crepúsculo dos Deuses — compostas por dramas musicais oriundos das mais diversas lendas europeias, já demonstrava que temas como amor, poder e cobiça não seriam abordados de uma forma convencional.
Com a história do nibelungo, povo estranho, de seres pequenos e esquisitos que habitavam cavernas embaixo da terra, o autor convida o leitor a viajar nesse mundo fantasioso repleto de gigantes, filhas do rio, donzelas, valquírias, deuses além de um poderoso e amaldiçoado anel.
A leitura leve e as ilustrações de Arthur Rackham possibilitam uma reflexão divertida, mas, ao mesmo tempo, um mergulho profundo na mitologia germânica que ajudou na formação cultural de incontáveis gerações.
Mais do que despertar emoções, o romancista, ensaísta, advogado e professor Gabriel Lacerda tinha um segundo objetivo: passar a mensagem de que “as coisas muito antigas, que são feitas ao longo de mais de mil anos, acabam se tornando eternas. Não são de um tempo determinado, de hoje ou de ontem. São de todo o tempo”, explica. Para o autor, as leis, os códigos em que nos baseamos para construir a própria vida mudam num piscar de olhos, as vezes até mais de uma vez por geração.
No entanto, as lendas reunidas no livro O Anel de Nibelungo e as outras tantas que existem na literatura estão aí para mostrar que obras milenares transcendem o tempo. São e sempre serão uma contínua fonte de aprendizado da qual nenhuma geração deveria abrir mão.


