Congresso será ocupado por novos deputados e senadores suplentes de ministros empossados por Temer Fot: Wilson Dias / Agência Brasil

Na aba do meu chapéu

De ex-guerrilheiro a investigado na Lava Jato, conheça os novos parlamentares que foram empossados graças ao ministério de Michel Temer

Reportagem: Pedro Muxfeldt

Dos 24 ministros nomeados pelo presidente em exercício Michel Temer (PMDB) na semana passada, 13 têm mandato de parlamentar — três senadores e 10 deputados federais. Com os cargos na administração federal, o grupo abre espaço no Congresso para seus suplentes, que assumiram os postos nesta terça-feira (17). O grupo de 13 novos deputados e senadores conta com nomes pouco conhecidos no cenário político nacional, apenas uma mulher, cinco familiares de políticos, um tucano amigo de Dilma, integrantes da bancada ruralista e um investigado na Operação Lava Jato.

Além disso, o suplente imediato do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), é Osmar Bertoldi (DEM-PR). Mas o político está preso desde fevereiro, acusado pela ex-noiva de estupro, cárcere privado e agressão. Assim como em duas outras alterações de deputado desde então, Bertoldi foi proibido de assumir o cargo. Confira o levantamento da Apuro sobre quem são as novas caras da Câmara e do Senado.

SENADO

Amigo de Dilma, José Aníbal defendeu o impeachment. Foto: Flickr José Aníbal

José Aníbal (PSDB-SP)

Eleito suplente na chapa do agora ministro das Relações Exteriores José Serra em 2014, José Aníbal assume pela primeira vez o cargo de senador. Eleito cinco vezes deputado federal, Aníbal está no PSDB desde 1989 e atualmente é presidente do Instituto Teotônio Vilella, think tank dos tucanos. Seu passado, no entanto, é de fortes ligações com a esquerda e, em especial, Dilma Rousseff. Os dois militaram juntos na Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop), grupo guerrilheiro que combateu a ditadura militar de 1964. Ele nega participação em ações armadas.

Ainda próximo à Dilma, Aníbal, que perdeu as eleições para o Senado em 2002 para Aloízio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PFL), foi investigado por participação no escândalo das obras do trem de São Paulo. Após ter seu processo arquivado por falta de provas, o tucano, secretário de Energia do governo Alckmin, acusou o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de ter participado de uma farsa para implicá-lo no caso.

Cidinho Santos (PP-MT)

Cidinho Santos assume o posto de senador pela terceira vez. Suplente de Blairo Maggi, novo ministro da Agricultura, o parlamentar já havia substituído o ex-governador do Mato Grosso em outras duas ocasiões quando o titular se licenciou para cuidar de suas empresas. Além de parceiros de chapa, os dois também dividem o mesmo ramo de atividade. Enquanto Maggi é considerado o Rei da Soja, Cidinho atua no setor avícola. Uma de suas empresas, a União Avícola Agroindustrial, é parceira do grupo BRF, controlador da Sadia e Perdigão.

Em 2014, ambas foram condenadas pelo Tribunal Regional do Trabalho de Goiás (TRT-GO) a pagar R$ 20 milhões por não cumprirem determinações trabalhistas. À época, a empresa acumulava 10 mil processos na Vara do Trabalho. No mesmo ano, com mandato de senador, Cidinho foi o autor do PL 149, sobre fiscalizações trabalhistas, que, segundo relatório do senador Paulo Paim (PT-RS), “enfraqueceria a ação fiscalizadora por parte do estado e a proteção conferida ao trabalhador”.

Doutor Wirlande (PMDB-RR)

A parceria entre o pediatra Wirlande Santos da Luz e Romero Jucá (PMDB) é de longa data. A dupla forma chapa para o Senado desde 1994, ano da primeira eleição do novo ministro do Planejamento para a Câmara Alta. Sem nunca ter disputado uma eleição como titular, Doutor Wirlande foi presidente do Conselho Regional de Medicina de Roraima por dois mandatos, secretário de Saúde de Boa Vista e fundador da Unimed na cidade.

Nos 21 anos como suplente, o médico só assumiu o cargo uma vez, em 2005, quando Jucá foi nomeado ministro da Previdência Social do governo Lula. No Senado, Wirlande utilizou a tribuna para defender o titular de acusações de corrupção. Porém, o caso, que envolvia empréstimos irregulares do grupo Frangonorte, propriedade de Jucá, derrubou o ministro em apenas três meses. Onze anos depois, o peemedebista é alvo de inquérito na Operação Lava Jato.


CÂMARA

Agora deputado, Cajar Nardes é irmão de Augusto Nardes (foto), que reprovou as contas de Dilma por conta das pedaladas fiscais. Foto: Lula Marques / Agência PT

Cajar Nardes (PR-RS)

Assumindo o mandato de deputado federal com a saída de Ronaldo Nogueira (PTB-RS) para o Ministério do Trabalho, Cajar é irmão mais novo do ex-deputado e atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes. Foi ele o relator das contas de 2014 do governo Dilma e, em seu voto, orientou a reprovação dos números por conta das pedaladas fiscais que serviriam de base para o processo de impeachment da presidenta.

Filiado ao PR, Cajar Nardes foi gerente de projetos do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) por indicação do diretor da estatal, Luiz Antônio Pagot, também do PR, que controlava o Ministério dos Transportes no início do governo Dilma. Em 2011, a dupla, o ministro Alfredo Nascimento e outros nomes ligados ao PR foram exonerados em escândalo de desvio de dinheiro para os cofres do partido. O caso foi um dos que marcou a “faxina” ministerial do primeiro mandato de Dilma.

Creuza Pereira (PSB-PE)

Eduardo Campos, presidenciável morto em 2014, foi um de seus cabos eleitorais. Foto: Reprodução Facebook

Três vezes prefeita de Salgueiro, no sertão pernambucano, e pré-candidata ao cargo nas eleições de outubro, Dona Creuza, como é conhecida, é a única mulher a assumir um lugar na Câmara com a reforma ministerial. Aos 79 anos, ela entra no lugar de Bruno Araújo (PSDB-PE), agora à frente da pasta das Cidades. Introduzida na política pelas mãos do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, Creuza foi condenada por improbidade administrativa em 2013 por não ter prestado conta de R$ 180 mil repassados à prefeitura de Salgueiro pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação em 2005.

Davi Alves Silva Júnior (PR-MA)

O suplente do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV-MA), também é filho de uma figura política de expressão no Maranhão. Davi Alves Silva foi prefeito de Imperatriz, reduto eleitoral do filho, e duas vezes deputado federal. Em 1998, às vésperas da eleição, Davi foi assassinado com um tiro à queima-roupa pelo ex-cunhado, Abraão Ribeiro da Silva, que se suicidou na sequência.

Dois pleitos depois, Davizinho conseguiu lugar na Câmara dos Deputados aos 29 anos. Na eleição de 2010, foi o suplente mais votado e assumiu o posto com a saída de Gastão Vieira (PMDB-MA) para o Ministério do Turismo em 2011. Dono de terras e integrante da bancada ruralista na legislatura passada, Davi, no entanto, informou à Justiça Eleitoral dispor de apenas R$ 135 em bens — um depósito no Banco do Brasil — nas eleições de 2014.

Guilherme Coelho (PSDB-PE)

Uma das vagas da Câmara dos Deputados ficou em família. Nomeado ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB-PE), filho do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), será substituído por Guilherme Coelho, primo de seu pai. Apesar do parentesco, o atual vice-prefeito de Petrolina é rompido com o familiar senador. Pré-candidato à prefeitura da cidade do interior pernambucano, ele atua no ramo da fruticultura e também irá reforçar a bancada agropecuária no Congresso.

Jones Martins (PMDB-RS)

Natural de Gravataí, Região Metropolitana de Porto Alegre, Jones Martins foi vereador da cidade e candidato a prefeito em 2004. Empossado com a saída de Osmar Terra (PMDB-RS) para o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Jones é afilhado político de Eliseu Padilha (PMDB-RS), chefe da Casa Civil e um dos principais articuladores do impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara. Até o dia do afastamento de Dilma pelo Senado, quando solicitou exoneração, o agora deputado federal era chefe de gabinete do secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde. Seu cargo era comissionado de livre nomeação.

José Augusto Nalin (PMDB-RJ)

Suplente do único novo ministro que votou contra o impeachment na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), José Augusto Nalin é herdeiro da Nalin Shoppings, que atualmente conta com mais de 11 empreendimentos no interior do estado do Rio de Janeiro. Na cidade fluminense de Magé, disputa a política local com a família Cozzolino, que há décadas controla a região. Está cotado para disputar a prefeitura mageense neste ano. Ele já havia passado pela Câmara nesta legislatura, pois tinha mandato por conta do posto de Celso Pansera no Ministério da Ciência e Tecnologia. Em 2014, foi o candidato mais rico do PMDB fluminense, com cerca de R$ 9 milhões declarados sendo R$ 1,3 milhão em espécie.

Nivaldo Albuquerque Neto (PRP-AL)

Mais novo dos suplentes empossados nesta terça-feira, Nivaldo tem apenas 28 anos e ocupa a vaga deixada pelo ministro dos Transportes, Maurício Quintella (PR-AL). Ele é filho do deputado estadual Antônio Albuquerque, um dos investigados pela Operação Taturana da Polícia Federal, que descobriu desvios da ordem de R$ 200 milhões da Assembleia Legislativa de Alagoas.

Em 2009, aos 21 anos, Nivaldo foi preso por porte ilegal de armas durante blitz da Polícia Militar encontrar uma pistola, de propriedade do pai, em seu carro. Três anos depois, o jovem levou quatro tiros em assalto ao sítio da família na cidade de Limoeiro do Anadia. O autor dos disparos confessou se tratar de crime de vingança. Já em 2015, pai e filho se envolveram em grave acidente na rodovia AL-220.

Roberto Teixeira (PP-PE)

Roberto Teixeira é investigado na Lava-Jato. Foto: Viola Jr. / Câmara dos Deputados

Ingressando na Câmara com a saída de Raul Jungmann (PPS-PE) para o Ministério da Defesa, Roberto Teixeira, deputado na legislatura passada, está sendo investigado pela Operação Lava-Jato. Ele é genro de Pedro Corrêa (PP-PE), deputado cassado em 2005 e condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em 2012 pelo escândalo do mensalão e a outros 20 anos por conta da Lava-Jato.

Corrêa fez acordo de delação premiada e, segundo ele, a campanha a deputado de Roberto Teixeira em 2006 foi bancada com dinheiro dado pelo ex-presidente Lula no início do seu mandato por não ter nomeado um nome do PP para o gabinete ministerial. Segundo o doleiro Alberto Yousseff, outro delator da Lava-Jato, Teixeira recebia entre R$ 30 mil e R$ 150 mil da parte que cabia ao baixo clero do PP nos desvios da Petrobras.

Sergio de Oliveira (PSC-PR)

Alçado ao posto de deputado federal pela ida de Ricardo Barros (PP-PR) para o Ministério da Saúde e a prisão de Osmar Bertoldi, Professor Sergio volta à Câmara após ocupar o lugar de Ratinho Júnior (PSC-PR) na legislatura anterior. Seu reduto eleitoral é Foz do Iguaçu, cidade de fronteira com o Paraguai. Por conta disso, sua principal bandeira em outras passagens pelo Congresso é o combate ao narcotráfico. No entanto, o parlamentar criticou em discurso no plenário da Câmara o que classificou de excessos da Polícia Federal durante a Operação Ágata, em maio de 2013, no município.

Severino Ninho (PSB-PE)

A entrada de Severino Ninho na Câmara dos Deputados é talvez a troca mais curiosa do novo ministério. Por conta do grande arco de alianças feito pelo PSB de Pernambuco para as eleições de 2014, o socialista e discípulo de Miguel Arraes entra na vaga antes ocupada por Mendonça Filho (DEM-PE), filho de José Mendonça Bezerra, pecuarista que iniciou a vida política na Arena, partido de sustentação da ditadura militar.

Severino foi prefeito de Igarassu, no litoral de Pernambuco, e assumiu o cargo de deputado federal em três ocasiões entre 2011 e 2014. Neste período, foi autor da PEC 394 que proíbe a formação de chapas entre cônjuges e parentes. A proposta de emenda à Constituição está parada na Câmara desde então e não foi apreciada por nenhuma comissão da Casa.

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