A versão da história que a mídia caça-clique não vai contar

Taylor Swift errou em não falar desde o começo o que achava sobre a música “Famous”, de Kanye West. Claro que ela não gostou, mas ela estava criando coragem pra dizer isso pra ele sem saber que ele faria a música mesmo assim. Foi um erro que custou caro pra ela.

Ela não disse “Jake, é a sua vez” — isso é o que uma parte da mídia acredita que ela disse. Ela disse “Vegas, é a sua vez”. “Jake, é a sua vez” é pós-verdade — algo que acreditamos simplesmente porque escolhemos acreditar, não porque é verdade.

Não é racismo achar que o Kanye West é escroto. Tudo bem achar que ele não é.

Músicas sobre ex “se fazendo de vítima” são coisas que a maioria dos cantores fazem, mas ninguém se importa quando é o Justin Timberlake quem canta “Cry Me A River”. Não é prova de que são obsessivos, é poesia.

A pessoa pode se tornar feminista depois de dizer que não era. A teoria do passado sujo (aquela que faz a gente desenterrar coisas ditas anos atrás como se comprometessem as pessoas para sempre) não condiz com a imagem “moderninha” e “desconstruída” do BuzzFeed.

O squad é outra coisa que só existe na mídia — ela nem se refere ao grupo assim. São só amigas curtindo a vida juntas, não uma ofensa ao feminismo. A briga com a Katy Perry é uma infantilidade, mas normal também, como pode acontecer com qualquer desentendimento.

Nicki Minaj já perdoou Taylor, parem de remoer esse caso. “Shake It Off” é uma brincadeira sobre danças, de diversos tipos.

As referências da Taylor se aplicam apenas a mulheres como ela porque são experiências pessoais, ela não pode contar a experiência de uma mulher negra porque não é uma.

Feminismo não é votar nos democratas e manter a narrativa que a mídia criou sobre o governo Trump. Até nossa colunista Mônica de Souza, que enjoou de Taylor Swift, acha que isso é um truque.

A mudança de imagem da Taylor é porque ela quer. Parem de julgar.

ELA É UM SER HUMANO!

ELA É UM SER HUMANO (de novo)!

Por fim, o BuzzFeed é um caça-clique que está fazendo o que sempre faz nesses casos: ofender para atiçar os fãs. Nem se dá ao trabalho de checar fatos ou oferecer uma narrativa equilibrada. Jornalismo, vá com Deus.