O tempo que levamos para fazer as coisas acontecerem

Uma reflexão sobre o padrão de tempo e energia que incorporamos para atingir o gol.

Muitas das vezes na minha vida, eu consigo perceber que estamos atrás, ainda que momentaneamente, de algum objetivo. Pode ser profissional, acadêmico ou mesmo metas de superação pessoal, como perder peso ou deixar de comer carne.

Eu sempre gostei de cumprir metas. Embora, não gostasse muito de prazos (e olha que me tornei advogada!): pra mim, era essencial conseguir efetuar uma coisa muito bem, no espaço de tempo necessário para isso. E nem sempre o prazo que nos é imposto, seja por outrem ou pela vida mesmo, consegue dar cabo disso: a gente consegue fazer as coisas bem e em tempo hábil.

Pra mim, que sou do Direito, passar em algum concurso público, mais do que ser analisada a vocação da pessoa em si, é considerada a demonstração de competência. Tanto que somos incentivados, mesmo durante a faculdade, a prestar exames e provas de concurso público.

Eu, por exemplo, faço provas de concurso desde o 2º período da faculdade. Então, o que a minha ansiedade me faz pensar é: “caramba, você já tá um bom tempo nisso e nada. Você já deu tudo de si, tem um tempo isso, e, bom, ainda não obteve êxito. Será que realmente você vai conseguir isso? Não tá na hora de parar com essa ideia?” — simplesmente, odeio essas vozesinhas da autossabotagem, e vocês?

A questão é que uma grande porção de coisas que nos é benéfica, precisa de um timing para acontecer. Que bom seria se, por exemplo, todos conseguissem pegar 2 matérias por semestre, para poderem, efetivamente, apreender (não, não digitei errado, apreender mesmo) bem aquele conteúdo da faculdade. Mas se fosse assim com todo mundo, você consegue imaginar que uma graduação, conforme os preceitos de educação brasileiros que conhecemos, demoraria anos para ser concluída. Com isso, as salas de aula ficariam abarrotadas de alunos que, se pudessem, viriam a procrastinar ao máximo a conclusão de um curso. Nem sempre as condições são as ideais, não é mesmo?

Então, existem cursos que “socam” o aluno de carga horária: na UniRio, faculdade do Rio de Janeiro, por exemplo, o pessoal de Ciência Política — já tive uns amigos e colegas de lá — tinham aula pela manhã e à tarde. Muitos eram obrigados a passar o dia na faculdade, primeiro, porque seria menos dispendioso gastar com 1 passagem só de ida e outra de volta para casa, do que ir e voltar duas vezes no mesmo dia. Sem falar do trânsito caótico do Rio, que, em determinados horários, eu não recomendaria que a dosagem fosse mais do que duas vezes por dia mesmo — se você quer ter o mínimo de saúde mental e física durante uma semana normal.

É claro que muita gente, nessas condições, iria acabar desistindo do curso. Ninguém nasceu para ser pensante mais do que 4 horas por dia. Existem exceções à regra? Existem. Mas convenhamos: o que é mais eficaz para o aprendizado, é a quantidade de horas ou a qualidade destas?

Quando você era mais novo e demorou coisa de duas décadas para chegar ao fim do Ensino Médio, aquilo ali não foi à toa. Imagine despejar vários conteúdos, de várias áreas do conhecimento diferentes, em cima de uma criança em, digamos, três anos (como acontece, de forma parecida, em alguns cursos supletivos)? Pior que é isso que ocorre nas faculdades, se você for parar pra pensar.

Eu, que cursei Direito, um curso considerado “longo” ou com uma carga horária densa, via de regra, concluí a grade horária em 5 (cinco) anos, ou seja, no tempo considerado regular. Só que, mesmo tendo dois anos de formada, existem coisas que simplesmente estou tendo que revisitar, porque, ainda que eu tenha feito experiência prática em várias áreas e locais diferentes, seja do setor público ou privado, alguma matéria acabou não sendo bem firmada. Para os estudantes de Direito, comumente, são as matérias de Direito Empresarial, Direito Tributário ou Direito do Trabalho — difícil achar quem seja expert nesse área sendo um mero recém-formado; não são matérias que agradam a todos os paladares dos causídicos.

Mas o que eu gostaria de levá-los a refletir é: o padrão de tempo-energia que você tem exercido para concluir alguma coisa, é o seu padrão ou o padrão de outra pessoa? Porque, assim, às vezes só estamos usando o método errado e o tempo errado para conseguir atingir o ponto final de uma reta.

Precisamos de maturidade e conhecimento pessoal. Entender que, sim, existem coisas que demoram e coisas que não deveriam demorar. O seu relógio interno é você que tem que decidir. E agir, principalmente, quando necessário for.


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