Karate Kid (2010)

Refletindo sobre levar as coisas adiante

Como você se sente ao se amar mais um pouco?

Perseverar num ideal ou num objetivo, mesmo diante da rotina e do cansaço pode ser uma tarefa hercúlea para alguns. Durante a minha vida, eu comecei muitas coisas, mas também já desisti de muitas.

O curso de teatro. Eu era razoavelmente boa; sempre tive um impulso artístico, ora, não é à toa que eu escrevo. Mas eu comecei a ir mal na faculdade (de Direito) e resolvi priorizar o que parecia mais “seguro” pra mim (e pros meus pais, hehe).

As aulas do francês — que eu amava! -, mas desde que eu mudei de cidade, não procurei mais outra escola de idiomas para continuar.

Sem falar dos inúmeros relacionamentos em que eu me jogava, ia de cabeça, começava muita coisa, mas uma hora, parecia que a vibe da paixonice desaparecia.

Aí que tá: quando a tal vibe da paixonice desaparece, esvai-se, por ocasião da rotina ou da sua falta de vontade de levar aquilo até o fim, como você se sente?

Eu me sinto um ser falho. E isso é terrível para uma narcisista, concordam?

Na era digital em que vivemos, é muito fácil ser um tanto narcisístico. Só queremos o close, dar um pisão e ativar o recalque das inimigas —e, sim, estou rindo muito da imagem mental, que acabei de criar, de eventuais futuros filhos meus zoando essas expressões; assim como eu zoo, às vezes, a palavra “tiras” ao me referir a policiais.

Postamos fotos de nossas maiores conquistas, mas nunca falamos das nossas derrotas, ou muito raramente. Eu, por exemplo, na primeira vez em que prestei o exame da OAB (sim, sou advogada), e não passei, fiz um texto sobre não desistir dos sonhos e o caramba no meu Facebook. Muita gente deve ter estranhado aquele tipo de manifestação em plena rede social, lugar em que, via de regra, só se conta vantagem — a não ser quando se morre alguém, aí todo mundo pode saber.

Bem, eu não preciso dizer que apaguei o texto um tempo depois, né? Principalmente, porque me incomodava aquelas notificações que subiam, os “likes” e comentários que reverenciavam um fracasso meu*.

Enfim, voltando ao assunto desse texto aqui: tem gente que sente um alívio enorme quando abandona tarefas que não parecem mais estar estimulando muito o nosso “senso de recompensa”. Eu já agi assim muitas vezes. E aposto que vocês também.

Não devemos nos julgar por isso, nem nos sentirmos perdedores, só porque abandonamos uma dieta, paramos de ir à academia ou não atingimos aquela meta de sonho profissional ou acadêmico.

Eu comecei a fazer exercícios físicos diariamente desde a sexta-feira passada. No sábado e no domingo, eu não pude ir fazer, porque uma amiga minha de fora está me visitando aqui na minha cidade.

Eu me senti um tanto mal com isso? É claro que sim. Na minha cabeça, lá estava eu, o serzinho julgador, sendo a pior chefe de mim mesma mais uma vez — adotei essa expressão pra vida, depois de ter visto num artigo por aí.

Mas todo mundo há de concordar que existe algo de recompensador em alcançar a linha de chegada, não é mesmo? E a gente, simplesmente, não fica super racionalizando coisas que devemos levar até o fim: vamos ao trabalho e sabemos que temos que ficar lá até às 18h; vou à missa e sei que tenho que sair após a bênção final.

Porque é algo que te completa, é algo que “fecha o círculo mental” — um obrigada a minha terapeuta, por me fazer conhecer essa expressão.

Sim, a gente curte terminar coisas também. O alívio que vem de algo concluído eleva a autoestima e te faz sentir capaz de dominar o mundo; de ir a qualquer lugar, falar com qualquer pessoa e pode fazer, simplesmente, qualquer coisa.

É o sentimento de pegar um diploma; de perder um quilo (quando isso te faz bem); de conseguir levar adiante algum projeto pessoal. Prova que você conseguiu se amar o suficiente para fazer algo por você, e não por que alguém (ou a sociedade) impôs ou te pediu.

O mesmo serve para a escrita: sabe aquele projeto parado? Vamos combinar que, se foi você que criou, não pode estar tão ruim assim. Como dizem os antigos: “para tudo há um jeito, só não pra morte”. Então, tira esse manuscrito do armário! Traz para o mundo o que você tem de melhor!

Quanto a mim, na manhã de segunda última, eu me levantei, pus meu tênis e fui fazer exercícios. Porque há sempre um novo dia para nos amarmos mais um pouquinho. Gradual e pacientemente.


*trivia: fiz o exame da Ordem na segunda vez e passei. Sim, não vou deixar de contar isso! RISOS.


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