Tá pensando que trabalhar em casa é bagunça?

Vamos falar um pouco sobre os mitos e verdades do que ronda o home office.

Resumo: nesse texto, quero falar um pouco sobre os preconceitos que costumam ser vinculados à ideia de um trabalho remoto, em casa ou, pra ficar mais estiloso, o chamado “home office”. Também quero abordar as minhas impressões pessoais, pois sou escritora — recém-contratada pela Editora Brasiliterário — e advogada autônoma. Pretendo escrever todos os dias aqui pra vocês sobre os mais variados temas. Não perca meus textos, curtindo a minha página no Facebook, seguindo meu perfil no Instagram ou assinando minha Newsletter, este para receber textos exclusivos e novidades semanalmente direto na sua caixa de entrada!

Visualizem o seguinte cenário: João Calculista é aquele cara nascido em berço de ouro e sustentado por seus pais, ambos cirurgiões plásticos. João era do tipo que organizava camisetas e calças por cores no armário e resolveu seguir a carreira dos seus pais para poder manter uma vida de padrões financeiros altos e, assim, vai cursar Medicina também.

João Calculista termina a faculdade, faz a residência e logo consegue um emprego por, além dos fatores “favoráveis” já mencionados, à sua ascensão profissional meteórica — para um recém-formado — , ser homem, de classe média alta, branco e metódico — não fuma maconha, por exemplo. Não sofre nem um pouquinho pra achar o “emprego certinho” assim como o de seus pais.

Victor Deboísta é formado em Publicidade e é a completa oposição do colega anterior. Victor era aquele aluno que “dava trabalho” na época de escola e acabou passando pra uma faculdade federal “sabe-se-lá-Deus como”, diriam os parentes.

É que Victor tinha transtornos de ansiedade que resultavam em episódios de hiperatividade na sala de aula, mas que também lhe geravam grandes dons artísticos e criativos — o que lhe serviu e muito para ser bom nas aulas de Artes, mas péssimo em Matemática. Inclusive, foi isso que lhe permitiu cumprir a grade em Publicidade. Depois de formado, mesmo tendo feito uma pá de estágios, Victor não conseguiu trabalho em empresas e, diante de um cenário econômico recessivo, começou a fazer jobs em casa mesmo.

Tanto as rotinas de João Calculista e Victor Deboísta são completamente diferentes, assim como a personalidade de cada um. Convenhamos: João Calculista foi feito para o trabalho de médico — cumprir horas de plantão que fossem atendendo pacientes com esmero e cuidado; roupas impecavelmente brancas; muito analítico e atencioso. Já Victor Deboísta tem a mente polvorosa de um artista: inconstante e criativo, sempre muito dinâmico, precisa de um trabalho em que ele dê tudo de si e, quando se exaurir, ele consiga respirar para fazer… Meditação, por exemplo.

E, bem, trabalhar em casa é o que permite certos luxos como meditar após uma tarefa estressante, mas mais do que isso: trabalhar em casa é o melhor ambiente de trabalho para Victor Deboísta.

Não que as empresas, em geral, não tenham espaço para uma mente viva e flexível como a de Victor Deboísta. Mas essas empresas, para funcionarem, tem que adotar o estilo da empresa Google de “empresa divertida” e ter, por exemplo, um campo de Quadribol para os empregados “espairecerem” (vi isso num filme, não sei se é real. Mas pensando no conceito da Google, pior que deve ser mesmo verdade. Inclusive, quero).

(Nota: descobri por meio deste artigo que o campo de quadribol no tal filme é uma mentira e tô bem triste).

Pois bem: voltando à (des)rotina de Victor Deboísta, que é o que realmente interessa a nós, criativos deste mundão. Será que os metódicos tem alguma ideia do quão difícil pode ser trabalhar com a criatividade? Não é simples como apertar um botão. A criatividade não é como o gosto metálico que nos acorda todas as manhãs dentro da boca. Criatividade depende de uma série de fatores subjetivos, dentre eles, o você estar bem para recebê-la.

É que não basta ser criativo. Criativo muita gente, mesmo o mais bitolado dos homens, consegue ser. Mas você, além de ser criativo, tem que ESTAR criativo.

Você pode até ser um aficionado por livros e, portanto, ter um senso criativo desenvolvido, mas não se sentir hábil a escrever. Também pode ser um grande conhecedor de músicas, mas não se sentir no mood de aprender algum instrumento musical.

Assim, também acontece com o home office, meio sagrado dos criativos, mas que pode se referir a uma série de trabalhos autônomos, como o do advogado que atende em casa: você pode até tentar se programar, mas se a inspiração para executar aquele trabalho não vem, não é bom forçar. Vai tomar um banho, assistir uma série, ler um livro e depois volta.

Você não é um bolo em que se põe fermento e cresce. Sem estar criativo, no máximo, vai virar um bolo “solado”: no cálculo da rotina, até pode estar ok; mas o clima pode mudar, o forno pode estar com defeito naquele momento e o bolo “sola”: o resultado do trabalho, portanto, não estará ok.

Quem trabalha com home office, por uma maioria, é visto como uma pessoa sem muita vocação para regras. Ou que não trabalha — porque, sim, muitas pessoas tem a visão (senso comum) de que o home office significa você ser/estar folgado para atender ligações sempre, responder mensagens sem muita importância em horário comercial ou ir fazer qualquer coisa, já que trabalhar sempre pode ficar pra depois — em suma, você é visto como um desocupado ou desocupada.

Temos que desmistificar isso: um período de tempo não utilizado para um criativo é o que pode fazer a diferença para entregar um trabalho bem-feito e com a inspiração devida. O home office pode ter prazos como qualquer outro trabalho e, sem medo de estar cometendo uma injustiça na argumentação, muitas pessoas do home office podem trabalhar até mais do que os que trabalham no formato convencional.

É que, ora, a inspiração ela pode despertar a qualquer momento e, quando ela te visita, você não quer perdê-la. É como se o seu autor de livros preferidos estivesse vindo para a cidade: você não quer deixar de vê-lo mesmo se isso significar virar uma noite ou “perder” o domingo ou o feriado por isso.

A inspiração ela pode despertar a qualquer momento e, quando ela te visita, você não quer perdê-la. É como se o seu autor de livros preferidos estivesse vindo para a cidade: você não quer deixar de vê-lo mesmo se isso significar virar uma noite ou “perder” o domingo ou o feriado por isso.

O home office, muitas das vezes, é mais do que uma jornada de oito horas de trabalho em 6 dias da semana. Sem falar que, se você ficar doente ou não estiver bem mesmo internamente, com questões pessoais, o decréscimo em sua produção significa perda de dinheiro. Bem diferente de quem se “arrasta” até uma empresa certos dias, mas, mesmo que não produza tão bem, há a probabilidade grande de ganhar o mesmo que em um dia inspirado — uma saudação ao serviço público aqui.

Falando de números, só pra fechar: já podemos pensar em bem mais que 12 milhões de brasileiros que trabalham no esquema remoto ou home office. Isso, com base em dados da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades, e da International Telework Academy (via site Nômades Digitais em artigo que, suponho, ser de 2015).

Espero mesmo que, com tamanha expressividade, o home office pare de ser encarado por muitos como um trabalho de gente “folgada” ou “sem disciplina” e, diante de um cenário econômico nacional em que a empregabilidade anda em baixa, seja esse novo sistema visto como uma boa saída para quem tanto não tem aptidão para um labor “certinho” quanto para quem mesmo não consegue achar um lugar no mercado de trabalho convencional. Como vimos, não é porque você é home office que você não tem competência nem mérito em seu nicho. Às vezes, é justamente por você ser home office que você é assim.


Dica de leitura: para quem tiver curiosidade, o Anderson Costa já disponibilizou um texto sobre dicas de livros para o trabalho home office no link:




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