5 perguntas para Otomo Yoshihide

O mestre japonês da música experimental falou à Bravo! sobre som, exploração e beleza

No último mês, Otomo Yoshihide esteve em São Paulo e no Rio, para o Festival Internacional de Música Experimental e para o Festival Novas Frequências, respectivamente. Um dos músicos mais criativos do Japão, o multi-instrumentista traz sempre uma pesquisa sonora desafiadora, seja em seus trabalhos solo, seja nas diferentes bandas de que fez parte ou liderou, como a seminal Ground Zero, The Sampling Virus Project ou I.S.O., só para citar algumas.

Jazz, noise, eletrônica, minimalismo, música étnica e folclórica são algumas das vertentes para onde apontou sua curiosidade. Uma sede de conhecimento tão grande que passou até pela música brasileira — Yoshihide tocou por alguns anos surdo numa escola de samba japonesa.

O músico respondeu às cinco perguuntas da Bravo! por e-mail, um pouco antes da apresentação no Festival Novas Frequências.

1) Sua música mistura diferentes gêneros e em pontos diversos da sua carreira foi mais próxima do noise, da improvisação, do folk, do minimalismo. O que te leva a seguir diferentes caminhos musicais?
Para mim, não existe a questão de tocar apenas um tipo de música, eu não reconheço as fronteiras entre eles. Porque não preciso, são apenas músicas diferentes. Não quero comer o mesmo almoço todo dia.

2) Você estudou música étnica, viajou para a a China nos anos 80, é uma paixão que permanece? Investigou outras culturas? O Brasil já esteve no seu radar?
Comecei a ter aulas de música étnica e a pesquisar porque ficava muito animado ao ouvir todo tipo de música quando era jovem. Eu pesquisei a música chinesa na época da revolução cultural e a música pop japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. Talvez depois disso eu tenha começado a pensar sobre sociedade, história etc. Eu também tinha interesse em música latino-americana, especialmente a brasileira. Isso quando era jovem, mas permanece até hoje. Fui de uma escola de samba japonesa por 2, 3 anos e tocava surdo. Não tocava bem o surdo, mas me deu uma grande experiência em como criar um conjunto com muitos membros. E eu estudava o que faz a música divertida.

3) Você foi um dos pioneiros em transformar o toca-discos em instrumento. É uma técnica bem diferente de tocar guitarra. O que te levou para esse aspecto mecânico da música?

Quando eu toco guitarra, sinto muito da história do instrumento, especialmente a história de Masayuki Takayanagi, pioneiro da música japonesa free e do noise. Fui seu aluno nos anos 80 por alguns anos. Pesa muito para mim. Quando uso toca-discos, não preciso pensar na história da música, só sinto a história da minha família porque meu pai era um engenheiro elétrico. E é divertido, algo entre a guitarra e os toca-discos. Sempre gosto muito de trabalhar com os dois.

4) Ouvindo seus discos, temos a percepção de que o seu som está cada vez mais claro e afiado com os anos. Concorda com isso?

Não sei, não penso nisso. Mas se você sente isso, fico feliz.

5) O que é beleza para você?

Ai, de novo, não sei. Tento não pensar nisso, senão posso fracassar na vida. É melhor ser cuidadoso com a beleza.

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