5 séries por Manuela Dias

As favoritas da autora da minissérie "Justiça". É co-roteirista dos filmes "O Céu Sobre os Ombros", "Transeunte" e "Deserto Feliz"

A Casa de Papel 
É vício pesado. Tudo vale a pena, até as licenças poéticas feitas pelo roteiro, que lança mão de todas as artimanhas para te fazer ficar em casa, esquecer a vida, não atender o telefone, dar uma desculpa para os amigos e não sair até acabar. Sem pudor. No fim, eu já estava assistindo à série em fast foward, ansiosa para saber tudo antes de as cenas acabarem. Os personagens são apaixonantes, e os atores dão um show.

Wild Wild Country
Esta série documental tem uma edição primorosa de imagens de arquivo, a incrível experiência liderada por Osho e sua fiel escudeira Sheela na fundação de uma cidade de praticantes de meditação e filosofia no coração de Oregon, nos EUA. Em seis episódios, vemos o choque cultural dos seguidores de Osho com os locais e as estratégias de confronto usadas por ambas partes. A série fez uma sábia escolha de não entrar no mérito da filosofia e prática de Osho e centrar a narrativa nas questões humanas e culturais que envolveram essa experiência.

The Handmaid’s Tale
O seriado mais premiado da temporada. É baseada em um livro de 1985, da escritora canadense Margaret Atwood. Trata-se de uma distopia que tem como motivo central a infertilidade das mulheres, que acaba por remodelar a organização social. Porém, a realidade piorou tão rápido que a série ecoa os piores fantasmas dos jornais.

The Affair
Eu gosto do jogo de pontos de vista da narrativa, que reconta os mesmos eventos sob diferentes perspectivas. O mais interessante é que a narrativa, numa proposta existencialista, não busca os fatos por trás das versões subjetivas. Em The Affair, não existe a Verdade, apenas fenômenos, 
e o roteiro brinca com isso de forma magistral e instigante.

Feud
A série mostra a inimizade icônica entre Bette Davis e Joan Crawford. A rivalidade estabelece entre elas uma relação profunda, que dura até a morte, como uma linda história de amor. O roteiro é simples e brilhante. Susan Sarandon e Jessica Lange estão gigantes em seus papéis.