Adriana Calcanhotto organiza “antologia incompleta” de poetas contemporâneos

Foto: Divulgação

A poesia que abre a seleção de 41 poetas nascidos no Brasil entre 1970 e 1990, organizada por Adriana Calcanhotto no livro É agora como nunca — antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira, diz muito: “Sempre gostei dos livros / chamados poemas reunidos / pela ideia de festa ou de quermesse / como se os poemas se encontrassem / como parentes distantes / um pouco entediados (…)”. Ana Martins Marques, a autora, é uma das expoentes da geração que inclui ainda Alice Sant’Anna, Gregorio Duvivier, Ana Guadalupe, Luana Carvalho, Estrela Ruiz Leminski, entre outros.

Mais frequentadores de Flips que de slams — mas com grande representatividade de mulheres, que são quase metade da seleção — o grupo escolhido por Adriana reflete, diz ela, “mais sobre o antologista do que ele supõe ou gostaria”. É também um “livro de férias”, de “uma leitora de poesia diletante, não acadêmica ou crítica”.

O trabalho chega às livrarias nesta sexta-feira, 17 e será lançado em São Paulo no dia 22, próxima quarta-feira, na Taperá Taperá, às 19h. Em Portugal para uma temporada de aulas na Universidade de Coimbra, Adriana Calcanhotto topou responder algumas perguntas para a Bravo!, por e-mail.

Como você conheceu os poemas selecionados? Costuma buscar por eles ou chegam até você?

Alguns chegam até mim, outros são lombadas com nomes que não conhecia, que compro nas livrarias e aí vou descobrir quem é. Zanzando pela internet também, não sei, os poemas se apresentam.

Naquela antologia organizada por Heloisa Buarque de Hollanda dos 26 poetas dos anos 1970, ela diz ter identificado na época um “surto poético” da poesia marginal que marcava um certo ethos daquela geração. Como você vê a produção de poesia hoje?

Muito mais diversa, nos anos 70 não tinha internet. agora, enquanto conversamos, não é possível dar conta de quantos poemas estão sendo publicados. Heloisa é uma autoridade, eu sou só uma leitora curiosa.

Os poemas selecionados em É agora como nunca conseguiriam se reunir naquela quermesse que a Ana Martins Marques fala? Como seria a festa?

Ah, bem animada. Uma das coisas que eu gosto muito é de ver como os poetas citam-se uns aos outros e aos seus poemas e como usam as influências de modo transparente e escancarado, parodiando (os modernos sobretudo) sem pudor. Acho que uma festa de arromba, os novos poetas sabem fazer barulho.

Aqui em São Paulo uma parte muito expressiva da produção de poesia tem se dado nos saraus e slams em regiões mais periféricas. Você acompanha esses grupos também?

Sou um bicho do mato, não acompanho nada longe da floresta onde moro. A antologia é feita de poemas publicados, em livros, em sites, blogues ou revistas eletrônicas. A poesia produzida em saraus ou nas letras de canções não está na seleta. Queria que o livro fosse um instantâneo, uma Polaroide daquilo que eu tinha em mãos numa determinada tarde de outubro. Se tivesse fechado a seleção um dia depois ela já seria diferente. Chama-se “Antologia Incompleta” por isso, e porque toda antologia será incompleta, a graça toda é essa. As antologias sempre dirão mais sobre o antologista do que ele supõe ou gostaria, hahaha…

É agora como nunca — antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira
Organização: Adriana Calcanhotto
Editora: Companhia das Letras
144 págs.
R$ 34,90

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