Art Weekend chega à terceira edição

Programação cultural — com visitas guiadas e conversas com artistas — é destaque no evento que se estende por 38 galerias

Waldemar Cordeiro, Sem Título, 1952

A partir desta sexta-feira, começa em São Paulo a terceira edição da Art Weekend, fim de semana de programações especiais em diversas galerias da cidade. Criada pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) com o objetivo de aproximar o público das galerias, a Art Weekend vem recebendo cada vez mais representantes de fora de São Paulo — neste ano, são 12, vindas do Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília, que dividem espaço com as outras 38 galerias paulistanas.

Um destaque, como nota a galerista Luciana Brito, presidente da Abact, é o caráter cultural, e não apenas de circulação e comercialização, que o evento tomou. "A programação ficou muito forte com o empenho das galerias em fazerem palestras, visitas guiadas, performances. Isso dá um corpo para o evento", diz. Assim como em períodos como o da realização da Bienal ou da feira SP-Arte, a Art Weekend vem se tornando um momento importante da programação das galerias no ano, ressalta.

Bené Fonteles. Yokos 12. Sem Data

Dentre as aberturas, visitas, exibições de filmes e conversas com artistas, Bené Fonteles fará, na sexta, uma visita guiada à sua Das coisas ao avesso, numa parceria da Galeria Jaqueline Martins com a brasiliense Karla Osório. A galeria Vermelho exibe Tudo É Projeto, filme sobre o arquiteto Paulo Mendes da Rocha dirigido por sua filha, Joana Mendes da Rocha, e Patrícia Urbano. A Baró Galeria abre a coletiva O Sentido do Original na Gravura e Albano Afonso inaugura Viver em um Mundo Abstrato na Casa Triângulo. No sábado, dentre outras atrações, a crítica e curadora Regina Teixeira de Barros fará uma visita guiada na Paulo Kuczynski Escritório de Arte e a Galeria Mamute recebe a performance Situação de Risco, de Claudia Hamerski. No domingo, Mauro Piva guia uma visita à sua exposição na Galeria Leme.

Sugestões de roteiros e visitas

Uma boa forma de organizar os passeios é utilizar a sugestão da divisão em regiões da cidade da própria Abact. São quatro circuitos: um entre Vila Madalena, Pinheiros e Butantã; outro entre as ruas dos Jardins; um terceiro que circunda a região do Itaim e Vila Nova Conceição e outro mais central (na área da República e Anhangabaú), incluindo também a Barra Funda.

Para ajudar na escolha dos roteiros, a Bravo! pediu a ajuda do artista do coletivo [+zero] e pesquisador German Alfonso Nunez e do professor de História da Arte na Unifesp Vinicius Spricigo, que selecionaram alguns dos destaques entre a programação.

  • Mostra Ruptura (coletiva) — Luciana Brito Galeria
Geraldo de Barros — "Arranjo de três formas semelhantes dentro de um círculo"

German Nunez: "Nos últimos anos a gente teve várias exposições e retrospectivas em relação aos poetas concretos, mas em relação aos pintores, especialmente o Grupo Ruptura, fazia um tempo que eu, pelo menos, não via. É um grupo essencial para entender a cultura de São Paulo na metade do século 20, e muitas vezes ele acaba sendo relegado ao segundo plano, atualmente, dentro da historiografia e da crítica da arte, em detrimento dos cariocas neoconcretos. Mas é interessantíssimo ver esses trabalhos juntos, não importa em que tamanho ou modalidade de exposição, porque hoje em dia muitas dessas obras já saíram do Brasil. Penso na coleção do Adolfo Leiner, que foi vendida em 2007, ao museu de Fine Arts de Houston. A gente acabou perdendo muitas dessas obras para instituições estrangeiras." Vinicius Spricigo também aponta que, na exposição, o destaque é para as obras de Judith Lauand, a única mulher integrante do Grupo Ruptura.

  • Estela Sokol — "Lanchinho", da Anita Schwartz Galeria de Arte, do Rio, hospedada na Galeria Marilia Razuk
Sem título

German Nunez: “A Estela é uma artista da geração nascida ali no começo dos anos 80 e tem um currículo vistoso. Acho que ela estaria nessa toada das abstrações geométricas, apesar de ser também uma escultora. E tem uma preocupação com cor que é muito bacana, especialmente nos trabalhos em que ela faz intervenção urbana, nos ambientes em que ela fotografa. Vejo como uma das escultoras contemporâneas que tem maior preocupação com a questão da cor.” Sokol, por sinal, participou de um Ateliê do Artista da Bravo!.

  • Allan Sieber — "Fui Eu Sim", Galeria Sancovsky

German Nunez: "O Allan Sieber é completamente outsider. Vem dos quadrinhos. Acompanho o trabalho dele há muito tempo, é uma coisa que beira o tosco, o grotesco, o ofensivo. Ultimamente temos visto pessoas que vêm dos quadrinhos adentrarem — às vezes até à contragosto — o mundo da arte contemporânea, como ele ou o Rafael Campos Rocha. Eles conseguem trafegar nos dois mundos, apesar dos pontos de tensão entre esses universos. O trabalho dele tem sempre uma figuração e uma narrativa, tem um traço que varia entre o cartum e algo expressivo, entre guache e nanquim." Sieber deu uma entrevista a Rafael Spaca, para a Bravo!, no ano passado.

  • Regina Vater — Individual na Galeria Jaqueline Martins
Tina America, de 1976

Vinicius Spricigo: "Para quem gostou da exposição Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960–1985, em cartaz na Pinacoteca, esta é uma oportunidade de conhecer melhor o trabalho multimídia de Regina Vater, através de uma retrospectiva com fotografias, vídeos e instalações da artista."

  • Cristina Cananale, “Cabeças/Falantes”, Galeria Nara Roesler

Vinicius Spricigo: "Expoente da geração de artistas que ganhou notoriedade com a exposição Como vai você, Geração 80?, realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Cristina Cananale, carioca radicada em Berlim, apresenta uma individual de pinturas — sobretudo retratos e representações do corpo feminino — com curadoria assinada pela jovem Clarissa Diniz."

Art Weekend
Sexta-feira, de 17 às 22h; sábado, de 11 às 20h; domingo, de 12 às 18h. 
Confira a programação completa, endereços e sites das galerias.