Cadernos de leituras

Em vez dos habituais comentários sobre o que li, estou lendo ou lerei, hoje resolvi dividir minhas anotações para um futuro livro de aforismos

Bravo!
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Sep 8 · 2 min read
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Por Carlos Castelo

Escrevo há um bom tempo neste espaço sobre livros dos mais diferentes tipos e gêneros. De poesia à linguística, de história à filosofia. Mais ainda sobre ficção, teatro, biografia, crítica, ciência, ensaio.

A ideia é ser um pouco diferente das resenhas canônicas, comentando sobre o que li, estou lendo ou lerei. Não importa se um lançamento ou uma obra esgotada que só se encontra num sebo.

Na coluna de hoje faço uma pausa para dividir com o distinto leitor da Bravo! algumas reflexões. São pensamentos que venho anotando em meus cadernos de redações para um futuro livro de aforismos sobre o mundo da leitura, escrita, literatura, e também dos aforismos.

Esse conjunto de citações de minha autoria ainda nem tem editora, mas, no dia em que lançá-lo, avisarei primeiro aqui. Por enquanto fica um aperitivo. Ave, palavra!

Escrever é cortar palavras e pretensões.

As melhores linhas de raciocínio são as tortuosas.

Não existe redação criativa, existem redações e redações detestáveis.

Deus escreve certo. Mas, com os apps de edição de texto, por linhas tortas não escreve mais.

A poesia é uma profecia latente.

Ensaio é que nem vírgula, cada um põe no papel do seu jeito.

O escritor é um homem de palavra que mente.‬

O ponto final encerra toda e qualquer problematização.‬

Mutismo: o silêncio dos filólogos.

Quem diz que está sem palavras, está é com preguiça.

Há títulos tão ruins que o subtítulo os supera.

Quando a frase é sólida não desmancha no ar.

O leitor apressado come frases descosidas.

Escrever é sobrescrever.

Palavras profundas nada adiantam na boca de rasos.

Ninguém se lembra do travessão. Por isso, de vingança, ele vive separando os outros.

Há coisas que não podem ser ditas em palavras, só em mudez.

Há muita gente fazendo poesia. Mas a maioria é poeta apenas metaforicamente.

Quem muito cita, pouco explicita.

Nem toda máxima é o máximo.

A caneta não faz a oração, nem com reza braba.

Teclados produzem dígitos e letras, não reflexões.

Quando não há nada a ser escrito é que deve-se escrever.

As frases de banheiro são o prêt-à-porter das reflexões.

Vírgula é idiossincrasia.

Mente vazia, oficina de elucubrações.

A palavra é a eructação do pensamento.

As pílulas de pensamento não passam de placebo.

Quanto mais detestada, melhor a troça.

Não se alcança a inteireza usando meias palavras.

O que as palavras querem ser é a Via Láctea.

Se tem uma coisa que me tira a inspiração é uma frase inspiracional.

Longa fala, curto conteúdo.

A boa citação não cita.

Reler um livro não é lê-lo duas vezes, é ter a segunda chance de rever um amigo.

Leia enquanto não apagam.

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A Bravo! olha para as fronteiras do fazer artístico, dá acesso à nova arte, dialoga com os artistas e com o público que consome arte, debate tendências e sonha curadorias.

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