Cadernos de leituras

Os 100 livros preferidos de David Bowie, crônicas e uma seleta humor judaico

Por Carlos Castelo

A Galeria de Arte de Ontário lançou à luz, em janeiro, uma lista dos 100 livros de leitura obrigatória de David Bowie. O fato revela duas coisas importantes: uma privilegiada visão interna da cabeça do ícone do brit-rock e a dúvida sobre se Bob Dylan merecia mesmo ganhar aquele Nobel de Literatura. Isto porque D.B., ao checarmos a listagem, parece muito mais holístico — no bom sentido do desgastado termo — que o roufenho compositor de Blowin’in the Wind.

A lista já começa percorrendo os clássicos americanos dos anos 50 e 60 — On the Road, A Sangue Frio. Depois Bowie mostra seu gosto pelas obras de Ian McEwan, Martin Amis e para as ficções do século 21, leia-se Junot Díaz e seu A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao.

Surpreende a paixão do músico pelo humor irreverente. Entre outros, ele foi leitor do romance “slapstick” de Spike Milligan, Puckoon (cadê a tradução, editoras?), e de toda a coleção do jornal satírico Private Eye.

Minhas menções favoritas de Ziggy Stardust são Laranja Mecânica (Anthony Burgess), Ilíada (Homero), Enquanto Agonizo (William Faulkner), No Castelo do Barba Azul (George Steiner), Blast (Wyndham Lewis), Noites no Circo (Angela Carter), O Dia do Gafanhoto (Nathanael West), O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald) e Uma Confederação de Tolos (John Kennedy Toole).

Curiosamente, nunca apreciei o Bowie musical, mas o literário eu já virei fã de carteirinha.

A lista completa pode ser apreciada aqui.

Melhores crônicas

No campo da crônica, menciono um lançamento e dou uma sugestão. A 3 Estrelas saiu com um belo box. Ele traz o melhor de João Pereira Coutinho, Contardo Calligaris e Ferreira Gullar. Todos publicados nas páginas da Folha de São Paulo. Trata-se de um trio de peso que propõe temas multifacetados para todos os gostos e opiniões.

A sugestão vai para a Globo Livros. Que ela reedite rapidamente o divertidíssimo Cascos & Carícias & Outras Crônicas, de Hilda Hilst. 2018 é o ano da “velha louca da Casa do Sol” (vide FLIP’s e outros). Por isso mesmo, esse livro meio esquecido merece sair em capa dura — mas não em papel bíblia, por razões óbvias.

Do Éden ao Divã — Humor Judaico

Bem-vinda reedição da Companhia das Letras. O livro é dedicado “aos profetas e alfaiates, rabinos e psicanalistas, mães judias e escritores, a todos aqueles, judeus ou não, que sorrindo filosoficamente diante da vida fazem humor judaico mesmo sem o saber”. A organização foi de Moacyr Scliar, Patricia Finzi e Eliahu Toker. Para ler comendo gefilte fish.

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