Conheça os finalistas do Prêmio Bravo! 2016 de Melhor Disco Erudito

Um time de jurados especializados — jornalistas, artistas, produtores, acadêmicos — debateu, argumentou e ponderou junto à equipe da Bravo! até chegarmos a três nomes de cada uma das 12 categorias do prêmio. Um último troféu, de Artista do Ano, será escolhido pelo voto do público.

Na categoria de melhor disco erudito, os finalistas são Ernesto Nazareth Integral, de Maria Teresa Madeira; Boulez+, de Claudio Cruz e Flo Menezes; e Agosto, de Thelmo Cristovam. O júri é composto pelo compositor multimídia André Damião, pelo jornalista e tradutor Irineu Franco Perpétuo e pelo crítico musical João Marcos Coelho, autor de No Calor da Hora.

Veja a seguir o que diz o júri sobre os indicados:

Maria Teresa Madeira — Ernesto Nazareth Integral

Capa de “Ernesto Nazareth Integral”, de Maria Teresa Madeira
A empreitada da pianista carioca, materializada numa caixa com 12 CDs, é “um projeto inédito e fundamental: a gravação da obra integral de um dos maiores compositores brasileiros, feita com muita garra e dedicação.” Somando mais de 200 peças, a maioria delas para piano solo, a produção de Ernesto Nazareth “merecia este trabalho rigoroso de Maria Teresa Madeira, que vem se dedicando sistematicamente ao compositor em toda a sua carreira. Pode-se observar a evolução do pianeiro, desde a primeira criação, a corriqueira polca-lundu Você bem sabe (1878), até a derradeira, a chopiniana valsa lenta chamada Resignação (1930).”

Claudio Cruz e Flo Menezes— Boulez+

Capa de “Boulez+”, de Claudio Cruz
O DVD duplo Boulez+ é “um caprichado projeto do Selo Sesc, executado com muito empenho e apuro pelo violinista Claudio Cruz, que coloca a obra de um dos mais representativos criadores do século XX, Pierre Boulez, em diálogo com peças inéditas produzidas por compositores brasileiros contemporâneos.” Assim, representa “um marco na história da música contemporânea no Brasil” por pelo menos três motivos: “a comunhão entre Flo Menezes e o compositor francês, que deu assistência direta durante 2015 durante a gravação, pela primeira vez em surround, de Anthèmes 1 e Anthèmes 1, duas obras fundamentais de Boulez dos anos 1990; a performance de nível superlativo do violinista Claudio Cruz e a interação com o aparato eletrônico; e a inclusão de peças inéditas de cinco compositores brasileiros jovens como Sérgio Kafejian, Tiago Gati, Marcus Siqueira, Martin Herraiz e Alexandre Lunsqui.”

Thelmo Cristovam — Agosto

Capa de “Agosto”, de Thelmo Cristovam
“O compositor e artista sonoro recifense apresenta um trabalho intenso e de fôlego, com base nas pesquisas de Cristovam em psicoacústica e nos seus trabalhos de mapeamento sonoro no Recife, no qual tenta recriar paisagens sonoras concretas através de sons sintetizados eletronicamente. O disco é dividido em três composições constituídas de sons similares que se repetem de maneira irregular, com espacialização viva, e proporciona diferentes ambientes de escuta em cada faixa. O trabalho alude a uma radicalização dos processos composicionais de Luc Ferrari, entre a paisagem sonora e a música eletrônica, tornando esses caminhos transversais mais labirínticos.”

Prêmios Bravo! de música erudita

De 2006 a 2012, gravações de diferentes formações e repertórios receberam o prêmio de melhor disco erudito, em um arco que vai de Heitor Villa-Lobos até a novíssima música de câmara composta no país. Veja a seguir os vencedores nesta categoria, ano a ano:

2006 — Villa-Lobos em Paris, de Gil Jardim

Villa-Lobos em Paris recria aquele que é considerado o primeiro concerto internacional do maior compositor brasileiro, dado na capital francesa em 1924. Para a tarefa, o maestro Gil Jardim recrutou músicos de diferentes grupos, como sopros do Quinteto Villa-Lobos e percussionistas da Osesp, além de solistas como a soprano Cláudia Riccitell e o pianista Nahim Marun.

2007 — Piano Transcriptions, de Ira Levin

O regente e pianista americano Ira Levin tem uma relação de proximidade com a música de concerto do Brasil, tendo sido diretor do Theatro Municipal de São Paulo e do Teatro Nacional de Brasília. Neste disco, Levin apresenta transcrições para piano solo de obras de Bach, Tchaikovsky e Wagner, além de uma versão para O Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos.

2008 — Bach: 3 Suítes para Violoncelo Solo, de Dimos Goudaroulis

Este premiado registro apresenta as três primeiras suítes para violoncelo de Bach na interpretação do músico grego Dimos Goudaroulis. O disco abriu uma série de trabalhos do violoncelista sobre a obra do compositor barroco, que incluiu colaborações com os coreógrafos Ismael Ivo e Déborah Colker.

2009 — Neukomm no Brasil, de Ricardo Kanji e Rosana Lanzelotte

A pianista Rosana Lanzelotte e o flautista Ricardo Kanji tiveram papel pioneiro no resgate da figura de Sigismund Neukomm. Aluno de Haydn, o compositor austríaco esteve no Brasil, durante a Missão Artística Francesa, entre 1816 e 1821. O período é lembrado no CD em peças como O Amor Brazileiro, um capricho para pianoforte baseado em um lundu.

2010 — Obras Completas para Violão Solo — Heitor Villa-Lobos, de Fábio Zanon

Com projeção internacional, Fábio Zanon é um dos maiores representantes de seu instrumento no Brasil e é especialista em Villa-Lobos, tendo inclusive dedicado um livro ao compositor (Villa-Lobos, Publifolha, 2009). O violonista conta que mesmo composições mais simples, como a Suíte Popular Brasileira, obrigaram-no a encontrar a pronúncia adequada a uma música que borra as fronteiras entre o popular e o erudito. O resultado é uma combinação de apuro técnico e sensibilidade.

2011 — Flausino Vale e o Violino Brasileiro, de Claudio Cruz

Figura ímpar na história da música erudita do Brasil, Flausino Rodrigues Vale (1894–1954), cujo apelido de “Paganini brasileiro” é atribuído a Villa-Lobos, escreveu uma série de peças curtas e virtuosísticas para violino. Aqui, elas são interpretadas com primor por Claudio Cruz, à época spalla da Osesp. O CD faz parte de um projeto maior dedicado à memória de Flausino, que teve a coordenação de Camila Frésca.

2012 — Espelho d’Água, de Camerata Aberta

Espelho d’Água marca a estreia em disco da Camerata Aberta, ensemble dedicado à música dos séculos XX e XXI formado por professores da Escola de Música do Estado de São Paulo. As composições presentes no CD, que fizeram o grupo experimentar diversas formações, são assinadas por autores brasileiros, como Sérgio Kafejian, pelo italiano Franco Donatoni e pelo alemão Oliver Schneller, entre outros. A regência é do francês Guillaume Bourgogne.