E o amor, para que serve?

Essa é a questão central do espetáculo On Love, da Cia Barracão Cultural, que estreia nessa sexta-feira no Teatro Cacilda Becker em São Paulo

Foto: Henrique Resende/Divulgação

O amor, ora antídoto, ora veneno é das manifestações humanas, a mais retratada há milênios, ao mesmo tempo, que a mais inexplicável. No fim das contas é uma experiência universal, ainda que totalmente individual.

Como funciona o amor? Essa é a questão central do espetáculo On Love, da Cia Barracão Cultural, que estreia nessa sexta-feira, dia 7 de julho no Teatro Cacilda Becker, em São Paulo.

O texto é do dramaturgo e diretor irlandês, Mick Gordon, que desenvolveu a obra em sala de ensaio a partir de depoimentos dos próprios atores e anônimos dispostos a falar. Essa colagem de testemunhos, que tem mais de dez anos, é uma obra aberta que já foi montada inclusive no Uzbequistão, em 2004 .

A montagem brasileira dirigida por Francisco Medeiros, bebeu da intimidade proposta por Mick Gordon, e a partir dela, construiu a sua, já que narrativas brasileiras integram a encenação.

Os personagens em On Love, contam seus segredos, todos eles, os bons e os maus, já que acham que o que importa é o compromisso com a verdade. A dose de humor que embala o espetáculo, é muitas vezes trágico, como é a vida, como são as relações humanas.

O espectador aqui é personagem, envolvido de perto pela narrativa, tomando parte, oferecendo a escuta, a ideia é que os limites entre palco e plateia sejam tênues como são os sentimentos retratados.

O espetáculo tem entre seus pontos de inflexão, a trilha sonora composta por Dr Morris e é executada ao vivo por Alexandre Maldonado. O Cenário e luz são de Marisa Bentivegna e os figurinos de Marichilene Artsevskis.

No elenco estão Claudio Queiróz, Júlia Moretti e Eloísa Elena, uma das fundadoras da Cia, um núcleo de criação e produção que existe há quinze anos e tem mais de doze espetáculos no portfólio.

A Bravo conversou com a atriz Eloísa Elena, também produtora do espetáculo.

1. O que foi determinante na escolha de montar On Love?
Em primeiro lugar nos interessamos pela linguagem narrativa, que há algum tempo vinha despertando em nós um desejo de aproximação e estudo. Este é o primeiro trabalho da Barracão com narrativa, neste formato de depoimento em primeira pessoa. 
Depois nos chamou a atenção uma aparente simplicidade da dramaturgia. Este foi um ponto de contradição, porque esta simplicidade ao mesmo tempo que despertou nosso interesse, era para nós, um lugar de dúvida. Como seria fazer algo tão simples? Deu uma insegurança de parecer simplista, de parecer pouco. E este foi o ponto decisivo, poder falar da simplicidade, sem pose, sem grandes acontecimentos, mas percebendo o que pode ser incrível, belo e transformador na nossa experiência humana cotidiana.

2. Como foi feita a adaptação para o Brasil? À semelhança de outras montagens, vocês incluíram novos depoimentos, novas cenas?
Sim. Quando conhecemos a forma de trabalho do Mick e o processo que foi utilizado na criação do On Love em Londres e depois no Uzbequistão, imediatamente entramos em contato com ele e falamos do nosso desejo de fazer um trabalho mais autoral a partir de On Love. Ele, de forma muito generosa, nos abriu este espaço. 
Assim, como já estávamos trabalhando em sala de ensaio com narrativas autorais ou a partir de depoimentos de outras pessoas, fomos fazendo nossas escolhas com esta liberdade. O On Love que vamos agora compartilhar com o público traz esta mistura de narrativas Brasileiras e Londrinas.

3. Qual o foco dessa montagem ?

A vivência amorosa é o recorte que está presente em todas as narrativas.

Mas sempre com o olhar sobre a experiência vivida e sobre a experiência de vida pela qual os narradores passam no ato de narrar, no presente de cada sessão.

Além disso, a tentativa é a de olhar para o tema sob perspectivas pouco usuais ao senso comum.

a atriz e produtora Eloísa Elena

4. O diretor Francisco Medeiros foi fiel a algum aspecto do teatro de reflexão e experimentação proposto por Mick Gordon?
O Chico é um diretor que, por natureza, se interessa constantemente pela experimentação, pelo espaço de criação que dialoga com toda a equipe, onde o ator e todos os criadores são realmente proponentes. Sinto que ele busca o resultado final, é claro, mas interessado no processo. Neste espetáculo especificamente, isto foi muito forte. Como fizemos um processo longo, sem data de estreia, sem nenhum apoio, sem recursos, experimentando uma linguagem nova para nós e com a liberdade de poder partir do texto, mas sem um compromisso de fidelidade à ele, a experimentação e a reflexão foram nossos campos férteis. Além disto, o nosso encontro com Mick Gordon foi sempre muito estimulante. Apesar da distância e de ter sido sempre um contato virtual, houve desde o início uma disponibilidade incomum da parte dele para dialogar com nossas ideias e nossos desejos.

Acho que a palavra confiança cabe mais do que fidelidade para definir o que tem caracterizado nossa conversa com ele.

5. O que mais te encanta nessa montagem que produziu?
A simplicidade. A possibilidade de ter um encontro muito livre e direto com o espectador. O espetáculo tem um ambiente íntimo, aconchegante. Tem um tempo, cada vez mais raro em nossas vidas, de parar para ouvir o outro. Se interessar por ele e por sua história.

Teatro Cacilda Becker R. Tito, 295 — Lapa, São Paulo — SP /

Temporada: De 07 a 30 de julho

Sexta e sábado às 21h e domingo 19h