Em algum lugar da América Latina

Segundo longa-metragem dirigido por Felipe Hirsch, “Severina” faz sua estreia mundial no Festival de Locarno, na Suíça

A vida de um livreiro aspirante a escritor é transformada por uma enigmática mulher que rouba em sua livraria. Logo, ele se enreda no mistério de um amor delirante e obsessivo. Como em um livro, o homem descobre que a fronteira entre a ficção e a realidade é mais tênue do que ele supunha, e a ele resta tentar se agarrar às aparições e desaparições do objeto do seu amor.

Essa é a linha que desenha o enredo de Severina, segundo longa-metragem do diretor de teatro Felipe Hirsch, que teve a sua primeira exibição mundial hoje, dia 6 de agosto, no Festival de Locarno, na Suíça. Com 71 anos de existência, o Festival que já premiou grandes diretores, inclusive Glauber Rocha, com Terra em Transe , em 1967, tem como uma de suas maiores vocações premiar diretores emergentes de todo o mundo, com a Categoria /Pardo d’Oro — Cineasti del presente, onde concorre Severina. O filme tem sessões agendadas também para amanhã , dia 7 e depois, 8 de agosto.

O roteiro de Severina foi escrito por Hirsch e é baseado no livro homônimo do escritor guatemalteco Rodrigo Rey Rosa, que foi lançado em 2011. Felipe Hirsch fez do filme mais uma de suas odes à literatura.

A mais explícita delas foi o projeto teatral feito para a Feira de Livro de Frankfurt em 2013, Puzzle, um mosaico de textos de autores brasileiros contemporâneos que, em seguida, inspirou outros dois espetáculos na mesma toada: A Tragédia Latino Americana e a Comédia Latino Americana, ambos dedicados a apresentar textos literários de autores latino-americanos.

"Isso me fez mergulhar no oceano de autores do continente onde vivo, e me envolver com eles, escrever com eles, e trabalhar com atores de todo o continente. E​ desse modo Severina foi feito: entre uruguaios, argentinos, brasileiros, chilenos, guatemaltecos e, também, portugueses”, conta o diretor.

Severina se passa em um lugar inespecífico, um qualquer país da América Latina. Seu centro é uma livraria, transformada num universo próprio e palco para ações e sentimentos devastadores. Ali o tempo é outro.

Felipe acrescenta que “Severina é um filme sobre destinos, sobre como um livreiro se transforma em um livreiro velho, e sobre os cadáveres que ocupam nossos sofás durante os relacionamentos amorosos, familiares. Sobre como temos que aceitar, tratar, nos livrar e com o tempo nos transformar neles. Primeiro como novios (namorados) depois como padres (pais).Também é um filme sobre ​o verdadeiro e o apócrifo, e sobre os valores que damos as coisas".

Totalmente rodado no Uruguai, o longa tem no elenco os atores Javier Drolas, Carla Quevedo, Alejandro Awada, Alfredo Castro e Daniel Hendler.