Escravidão moderna

A coluna agora é em vídeo. Na estreia, uma análise de “Se a Rua Beale Falasse”, livro de James Baldwin que é um duro retrato do racismo enraizado nos Estados Unidos

“Se a Rua Beale Falasse”

De volta das férias, a coluna vem com uma novidade: a partir de agora, as resenhas serão em vídeos semanais. Para começar, uma análise do livro Se a Rua Beale Falasse, de James Baldwin, cuja adaptação para o cinema foi indicada a três estatuetas do Oscar.

“Tem muitas questões da história em torno desse racismo, desse preconceito cruel, enraizado na América. Por exemplo, ela diz também que a mesma paixão pela vida que salvou o Fonny da marginalidade na juventude, fez com que ele se encrencasse e fosse para a cadeia. Porque ele descobriu o centro dele, descobriu a liberdade e deixava isso claro pra todo mundo.

Ele não era o negro de ninguém, como acontecia muito (e ainda acontece) de negros serem tratados como escravos modernos — eu mesmo consigo enumerar várias famílias que dizem ou diziam ‘ah mas a negrinha é como se fosse da família’, e não é. Pelo amor de Deus. Tratam como um utensílio da cozinha, do quintal, um pedaço da área doméstica. Então, no livro, a personagem fala sobre como o noivo dela descobriu a liberdade. E é até irônico que, nos Estados Unidos, o país líder do mundo livre, um negro descobrir a liberdade era praticamente um crime. E foi isso que os policiais usaram para colocar o Fonny na cadeia”.

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Se a Rua Beale Falasse, de James Baldwin. Tradução: Jorio Dauster. Companhia das Letras, 224 págs., R$ 49,90.