Popload Festival acerta em edição maior, com shows de Wilco e Libertines

Com uma programação diversa, mas preocupada com a boa música, o Popload Festival neste sábado, 8, se consolidou como uma boa opção de evento de médio porte em São Paulo. O Urban Stage, na zona norte da capital, comportou tranquilamente as cerca de 8 mil pessoas, com espaço para plateia próxima ao palco (a pista VIP ficava na outra metade da frente do palco), banheiros limpos e sem fila, fácil acesso a bebidas e comidas variadas.

Foto: Paula Carvalho

As duas estrelas da noite — o Wilco e o Libertines, bandas quase opostas em sonoridade e propostas — cumpriram as promessas e parecem ter agradado aos fãs, diversos. Se os indies de Chicago fazem uma apresentação quase contemplativa, com público atento e cantando quase para si hits como Impossible Germany, Jesus Etc. ou Either Way, os do Libertines jogavam copos de cerveja para cima e pulavam ao som de clássicas dos anos 2000: Heart of the Matter, Can’t Stand Me Now e Up the Bracket.

As duas bandas pareceram apropriadas ao tamanho do festival: não arrastaram uma legião — como seria o caso, por exemplo, de um Radiohead–, mas não deixaram de trazer um público fanático (alguém chegou a dizer, atrás de mim, “Quem é Thom Yorke perto de Tweedy?”). O caso do Wilco ainda era mais especial: era o primeiro show da banda em São Paulo (sua única apresentação, anos atrás, havia sido no Rio de Janeiro), e, vindos de um show catártico no Circo Voador, eles sabiam o que esperar do público paulista.

Comandados pelo maestro Jeff Tweedy, o Wilco fez uma apresentação luxuosa com dezenas de instrumentos de cordas — trocados em quase todas as músicas. Carl Barat e Pete Doherty, por sua vez, pareciam mais preocupados em manter viva a chama do Libertines (a banda vive em um junta-separa desde 2005), embora as músicas que menos empolguem sejam justamente as do álbum mais recente, “Anthems for Doomed Youth”, de 2015.

Mais cedo, a cota nacional do Festival, composta pela big band do Bixiga 70 e pela carioca-bogotana Ava Rocha, representou tradições menos celebradas — não menos importantes — da nossa música. O Bixiga 70 tem viajado o mundo apresentando o afro-beat brasileiro do século 21. Ava faz de uma banda de rock um ponto afro-indígena-latino-americano de respeito. O show mostra suas composições permeadas pela tradição da música brasileira, com Canoa, Canoa, música do Clube da Esquina 2, e Corisco— afinal, nunca é demais lembrar Deus e o Diabo na Terra do Sol, especialmente sendo filha de Glauber.

A dupla nova-iorquina Ratatat foi ainda um outro ponto alto da noite: defendeu com peso a música instrumental e não deixou o clima desanimar antes da entrada dos headliners, enquanto a maioria do público ainda chegava no Urban Stage.

Aos fãs de festivais que começam a perceber o limite entre uma programação mais comercial e um line-up com curadoria, a experiência do Popload Festival — com grandes patrocinadores e anúncios pela cidade — indica que é possível unir boa programação, até com música instrumental, a públicos maiores do que as 800 pessoas das tradicionais casas da capital paulista. É o que promete, também, o Dekmantel, a aterrissar no país em 2017.

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