Galeria Pilar abre mostra de Célio Braga e Marcelo Solá

Goiânia uniu os artistas Célio Braga e Marcelo Solá e agora a Galeria Pilar os reúne em duas mostras que se completam.

Obra de Marcelo Solá
Obra de Célio Braga

Célio apresenta um trabalho diáfano, desanuviado e Solá explode em cor e formas. Ambos nos transportam para um mundo sem facilidades.

Marcelo Solá expõe cinco desenhos inéditos em grande formato feitos com técnica mista, que dão continuidade à uma pesquisa que o artista vem desenvolvendo há alguns anos sobre a história do desenho, com influências que vêm desde os tempos das cavernas com a pintura rupestre até o grafite dos tempos atuais.

As obras são feitas com aquarela, tinta a óleo, lápis, spray. “Esses novos trabalhos trazem uma mistura de cores e de materiais, como aquarela com tinta a óleo, uma à base de água, outra à base de óleo, que são coisas que não se misturam, mas que tem dado um resultado bem interessante”, conta o artista.

Dedicado a arte vinte e quatro horas por dia, Marcelo sempre revelou o seu olhar sobre o mundo pelo desenho. Lápis, bastão, caneta, pincel, barra de carvão são os seus instrumentos de trabalho: “Eu sou um desenhista obsessivo, eu desenho todos os dias, em todos os meus traços estão o meu desejo pulsante de deixar um registro da minha passagem pela terra, que está sendo dedicada à criação de um universo próprio”.

Obras de Marcelo Solá

Depois de passar muito tempo brincando com o preto e branco o artista goiano foi se apropriando das cores e fazendo delas o seu grito de guerra. A elas une formas variadas: arquitetônicas — reais ou imaginárias-, rabiscos, contornos, letras, palavras, produzindo um trabalho visceral e contemporâneo.

Célio Braga há muitos anos vem trabalhando com temas ligados ao corpo e sua fragilidade, a memória , a morte, o luto, a sexualidade. Para a mostra Lama e Arco-Íris azul e rosa ele criou dez obras inéditas, que em tons suaves de rosas e azul, separados ou misturados, vêm mostrar a vulnerabilidade da comunidade LGBT, presente também em um dos trabalhos feito com as sete cores do arco-íris, que representa a bandeira do movimento.

São desenhos sobre tela de algodão cru feitos com lápis de cor. Célio não abandona a perspectiva delicada com que trata a questão do gênero e da sexualidade ao longo da sua trajetória.

Instalação de Célio Braga

Além dos desenhos, o artista apresenta uma instalação que toma o espaço térreo e faz uma alusão a recente tragédia de Brumadinho. Uma bandeira do Brasil com as cores verde, azul, amarelo e branco — “cores do nosso orgulho e vergonha” nas palavras do artista, é apresentada suja de lama para não nos deixar esquecer, talvez essa seja a obra mais realista e contundente. Célio diz que acredita que “ esta exposição é a mais política que já realizei, ainda que de forma discreta, silenciosa e poética”.

Assim é o seu trabalho. Célio em seus bordados, desenhos, pinturas feitas com esmero obsessivo, mostra o tempo todo a força e a fragilidade da existência e das questões que nos afligem. A virilidade do seu trabalho mora mesmo na delicadeza.

Assista a visita que a Bravo fez ao ateliê do artista

Célio Braga e Marcelo Solá

De 29 de março a 11 de maio, das 11h às 17 horas

Galeria Pilar

Rua Barão de Tatuí, 389