Laços de família

“O Construtor de Pontes”, de Markus Zusak, é uma Odisseia moderna sobre mágoas e lembranças dentro de um clã

Markus Zusak

Depois de 13 anos, Markuz Zusak publicou seu novo romance, O Construtor de Pontes (Intrínseca). E o vídeo da semana fala sobre esse lançamento do mesmo autor do fenômeno A Menina que Roubava Livros.

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“Então o livro ganha muitas e muitas cenas de flashback, pelo menos até a primeira metade, pra contar a história dos pais, Penélope e Michael, desde a juventude deles, até constituírem família. E isso se transforma num quebra-cabeça. É exatamente essa a descrição: um quebra-cabeça; os mínimos detalhes lá atrás fazem toda diferença e dão sentido à história lá na frente. Aí eu paro e penso: mas não é assim com toda família? Não sei na de vocês, mas na maioria das famílias que eu conheço, esse quebra cabeça com problemas e questões do passado explica muito do que acontece no presente, e influi totalmente nos planos para o futuro”.

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“Como eu ia dizendo, o livro ajuda a gente a enxergar além, a refletir sobre a nossa família. Você vê aquele clã movido pela mágoa, pelos rancores do passado, e começa a se estapear por dentro se não tiver nada de tão dramático na sua família. Se você também tem algo que lhe magoa no passado, com seu pai, sua mãe, seus irmãos, você começa a pensar: até quando eu vou carregar isso comigo? Até onde essas lembranças vão me levar? Será que eu sou tão superior que não posso passar uma borracha por cima disso? É difícil, é muito difícil dependendo do contexto, do que você passou, mas não adianta você rezar ‘perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos quem nos tem ofendido’ ou cantar ‘é perdoando que se é perdoado’, não adianta você fazer isso pra pagar de religioso, e não aplicar na sua vida, no seu dia a dia, a começar pelas pessoas que têm o mesmo sangue que você”.

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O Construtor de Pontes, de Markus Zusak. Tradução: Stephanie Fernandes e Thaís Paiva. Intrínseca, 528 págs., R$ 54,90.