Livros livres

Uma conversa com Patsy Calicchio, que bolou um projeto de compartilhamento de livros em espaços públicos de São Paulo

Por Carlos Castelo

A coluna de hoje está um pouco diferente. Em vez de enfocar livros que li, estou lendo ou lerei, faço uma pausa para divulgar uma novidade surgida em São Paulo: o Livros Livres. Trata-se de um projeto de compartilhamento de obras literárias, em ambiente público, levado pela arquiteta Patsy Calicchio. Se a ideia crescer, não haverá mais desculpas para não ler. A entrevista com ela segue abaixo.

Como surgiu a ideia do Livros Livres?

Sou uma discípula de uma grande amiga que conheci nas redes sociais e tivemos uma afinidade imediata, ela atende pelo pseudônimo de Emma Bovary e é responsável pela minha entrada nessa brincadeira apaixonante.

Quando foi instalada a primeira caixa em São Paulo?

Não consigo precisar quando foi instalada a primeira casinha. Sei que a da Praça Japubá completou um ano. E a da Praça Conde de Barcelos, batizada como “Acervo da Condessa”, foi inaugurada em 10 de dezembro de 2018.

Quantas pessoas estão envolvidas no projeto?

Tenho conhecimento de outras sete casinhas, cada uma com seus administradores responsáveis.

Há algum tipo de apoio ou patrocínio à ação?

Não, nenhuma iniciativa ou apoio, a ideia surgiu mesmo de cada pessoa que se viu na intenção de compartilhar os livros e ensinar que os mesmos devem ser “livres” para serem lidos pelo maior número de pessoas possível.

A prefeitura se envolveu?

Em momento algum. Eu, pessoalmente, busquei a Associação dos Amigos do Bairro onde resido para saber se poderia instalar e se precisava de alguma autorização, fora isso nenhum envolvimento.

Se alguém quiser ter uma caixa de livros em um local público o que deve fazer?

Apenas se incumbir de cuidar da casinha, se responsabilizar pelos livros inicialmente e incentivar, além do hábito à leitura, o sentido de compartilhamento que as pessoas devem ter, precisa de muito menos do que as pessoas imaginam… Venho recebendo depoimentos interessantíssimos na página do Facebook e Instagram que criei para a casinha! A princípio, as pessoas não acreditavam, mas, com o passar do tempo, todos viram o quanto é legal e bacana fazer parte desse movimento.

Como vem sendo a receptividade às caixas? As pessoas respeitam as regras estabelecidas, não depredam?

Respeitam, cuidam, zelam e participam ativamente do projeto. Em apenas três meses incompletos de existência já tenho uma estimativa de, para cada livro novo que oferto na casinha, entram outros três livros que costumo adesivar com o “selo de conscientização do Livro”. Por isso consigo ter essa métrica.

Você tem algum plano de expansão do compartilhamento? Possui alguma meta a ser batida?

Por enquanto, por ser um “projeto embrionário” eu fiz uma pequena expansão e criei a segunda casinha dedicada ao público infanto-juvenil, a “Condessinha” ao lado da casa mãe e ainda quero sentir como vai se desenvolver, mas teria imenso orgulho em ver o projeto crescer pelo país a fora principalmente em áreas mais carentes.

Quanto custa a confecção de uma caixa de livros?

Como fiz por conta própria, sou arquiteta e pedi para um marceneiro executar em baixa escala, então custou R$ 600, porque especifiquei uma madeira de alta qualidade — peroba rosa — e que resista ao tempo

Os livros que vemos lá são doados por alguma editora?

Não, inicialmente coloquei à disposição do público 33 livros que eu mesma tinha em meu acervo e as trocas são com os livros que a comunidade ofereceu. Não tive nenhuma doação de nenhuma editora.