Moacir Santos ainda mais desconstruído

Quartabê segue estudando o músico pernambucano em novo EP; ouça faixa exclusiva

A Quartabê é: Chicão, Mariá Portugal, Joana Queiroz, Ana Karina Sebastião, Maria Beraldo Bastos. Foto: Pedro Marghetiro/Divulgação

A turma da Quartabê pegou uma Depê em Moacir Santos. Depois de lançarem o Lição #1: Moacir, disco em que estudaram e rearranjaram a obra do músico pernambucano, o grupo se considerou de recuperação e agora lança um EP da mesma matéria. Desta vez, a ideia é mergulhar nas canções de Moacir — por isso, chamaram para cantar parceiras e parceiros como Juçara Marçal, Arrigo Barnabé, MC Soffia, Tulipa Ruiz e Tim Bernardes. Arrigo é também o “padrinho” das alunas — as meninas já tocavam junto com o músico no show Claras e Crocodilos, e posteriormente chamaram Chicão para a banda.

“Procuro dar-lhes (às composições) caráter essencialmente moderno, bem atual. Espero criar algo absolutamente pessoal — e para isso estou dando o melhor dos meus esforços. Esforços de quem quer vencer, criar. Eu sou um africano nascido no Brasil. Há 500 anos, eu fui trazido para o Brasil nos genes de meus ancestrais. Sonho em fazer minha música para um aspecto que não se enquadra na poética popular do ‘pintar um quadro diferente’. Na música popular o ritmo é constante, é uma diferença. Eu sinto a falta, quando estou embrenhado em música sinfônica, sinto falta daquele ritmo que é o meu berço. Vou ter que achar um jeito de que os instrumentos façam minha percussão, que eu fique satisfeito. Pois bem, esse é meu sonho não realizado.” O depoimento é de Moacir para uma autobiografia que não aconteceu — e foi publicado no livro Moacir Santos, ou os Caminhos de Um Músico Brasileiro, de Andrea Ernest Dias.

Moacir era um autodidata que aos 9 anos já tocava trompa, saxofone, percussão, clarineta, violão, banjo e bandolim na cidade de Flores do Pajeú, no sertão de Pernambuco. Tentou ingressar em bandas militares de várias cidades do Nordeste e só no Rio de Janeiro consegui se consagrar: foi o único maestro negro da Rádio Nacional, estudou com Guerra-Peixe e Koellreutter e foi mestre de João Donato, Baden Powell, Paulo Moura, entre outros. Sua obra-prima é Coisas, um dos grandes discos instrumentais do país. Depois da grande repercussão no meio do jazz, lançou ainda Maestro, Saudade e Carnival of the Spirits pela Blue Note.

Depê sai na íntegra na semana que vem, mas a Quarta adiantou com exclusividade na Bravo! o primeiro single, Bluishmen. Elas escrevem:

Bluishmen representa bem a atmosfera retrô-futurista-espacial-dançante que a banda traz para esse trabalho, lançando mão de sintetizadores, muitos overdubs e pós-produção, diferentemente do primeiro disco, que possuía uma abordagem mais acústica e live. Em Depê, e especialmente em Bluishmen, a banda radicaliza sua proposta de desconstrução da música do maestro, com muita irreverência e reverência, numa aventura Super Sentai.

Ouça abaixo:

E aqui a versão original:

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