Nas margens do rio Hudson

Duas instituições culturais, a poucos quilômetros de Nova York, reúnem arte e natureza e propiciam uma pequena jornada pelo rio que corta a cidade

Fotos: Henk Nieman

The Arch (1975), Alexandre Calder. Escultura em aço pintado no Storm King Art Center, composta por várias camadas, uma espécie de bumerangue unido a um corpo central que proporciona visões diferentes de acordo com o ângulo de aproximação
Mon Père, Mon Père (1973–1975), Mark Di Suvero. Em grande escala, essa escultura em aço, tem uma dinâmica espacial, que a integra totalmente à natureza do entorno

Storm King Art Center

O Storm King é um dos maiores espaços do mundo dedicado à escultura. O Parque fica em Mountainville, cerca de uma hora e meia de Manhattan.

Da arte abstrata dos anos 1960 até hoje, há um acervo respeitável: Richard Serra, Alexander Calder, Henry Moore, Louise Bourgeois, Mark di Suvero, Maya Lin e tantos outros. São mais de cem obras espalhadas por pequenos vales, florestas, gramados e bosques.

A integração entre arte e natureza é absoluta. São cerca de 20 quilômetros de área verde que podem ser percorridos a pé, de bondinho ou de bicicleta.

A percepção das obras muda de acordo com as estações do ano, o que torna o passeio um potencial lugar para se voltar muitas vezes!

Storm King Wall (1997–1998), Andy Goldsworthy. Um muro de pedras encaixadas e recolhidas na área do parque, foi construído ao longo de dois anos e atravessa a área ao longo de 700 metros, serpenteando as árvores e o solo

Dia: Beacon

Crouching Spider (2003), Louise Bourgeois. Feita em aço inoxidável com pátina de bronze, preta e polida, essa é uma das muitas esculturas de aranhas feitas pelo artista. A angularidade das pernas finas e suas diferentes alturas dão a impressão de que a aranha está rastejando

A Fundação de Arte, Dia: Fundation (Dia significa através, em grego) existe desde a década de 1970 e sua missão é financiar e apoiar artistas contemporâneos que trabalham com arte de grande dimensão ou criadas para site specific.

The Equal Area Series (1976–1977), Walter de Maria. Um trabalho em aço inoxidável, que faz das dimensões da peça o maior aliado. Cada quadrado tem sempre 2,5 cm a mais do que o seguinte. A área de cada círculo coincide com a do quadrado que está ao seu lado.
North, East, South, West (1967–2002), Michael Heizer. Cubo, cilindro, quadrado feitos em aço corten, foram colocados a cerca de seis metros de profundidade, o que impede que a obra seja transferida para outro lugar

Em 2003, a Fundação materializou os seus projetos inaugurando a Dia: Beacon, uma instituição que agrega artistas importantes da arte conceitual e minimalista, na cidade de Beacon, a uma hora e meia de trem da Central Station em Manhattan.

O edifício do Dia: Beacon foi construído em 1929, como sede da fábrica de biscoitos Nabisco. O prédio foi renovado pelo artista Roberto Irwin, e é um exemplo da arquitetura industrial do início do século 20.

Fora isso, os espaços são amplos, as obras respiram, podem ser vistas de muitos ângulos e com distanciamento. Muitas delas foram colocadas com a participação dos próprios artistas.

Wall Drawing #1211: Drawing Series — Composite (1968–2006), Sol LeWitt. O artista tem 14 desenhos feitos entre 1969–1975 e depois realizados nas paredes da Dia:Beacon. Seguem rigorosos padrões matemáticos, a partir de elementos simples como vários tipos de linhas, círculo, quadrado e triângulo

O ponto alto do museu, é proporcionar ao espectador uma visão do conjunto da obra de cada artista.

Torqued Ellipse I (1996), Richard Serra. Três imensas esculturas feitas em aço, são elipses irregulares onde é possível entrar e ir desvendando as sensações provocadas pelo labirinto de metal