Neymar em casa

Como em um merchandising dos infernos, craque chega sem cerimônia e inferniza a vida de nosso cronista preferido

Crédito: Lucho Vidales

Por Carlos Castelo

Entrei em casa e logo fui recebido pelo Neymar.

— Vai um isotônico? — ele foi me oferecendo a garrafinha gelada.

Ignorei. Ele veio se sentar comigo no sofá. Não compreendi muito bem o que estava acontecendo, mas, como não é todo dia que se recebe o Neymar em casa, fui dando tratos à bola.

— Vamos ver a novela, no intervalo vai passar o comercial do carrão que eu filmei no Japão.

Tomei o controle da mão dele e comecei a mudar de canal, queria ver uma série. Neymar, como se sabe, é bastante tinhoso. Acabou se engalfinhando comigo e, na sequência, retomou o controle de minhas mãos.

— Me dá isso aqui, olha só o comercial da chuteira que eu tô!

Pulei sobre o pescoço do colega do Messi, afanei-lhe o artefato e sintonizei na minha série. Olhei pro lado, ele havia sumido. Melhor assim, só porque é star não tenho obrigação de pagar pau a ninguém na minha casa. Se ainda fosse a Scarlett Johansson…

Engatei três episódios de House of Cards, jantei e subi pro quarto. Quando abri a porta do armário, a surpresa: Neymar e Dani Alves lá dentro.

- É tois, mulek! — disseram os dois com sotaque catalão em meio às minhas roupas.

Já tinham vestido meus pijamas e queriam ver o programa do Galvão na TV do quarto. Expliquei que aquilo era uma invasão de propriedade particular, que eu não estava interessado nos detalhes dos produtos que os contratavam como garotos-propaganda e muito menos em assistir uma mesa redonda futebolística deitado no meio dos dois. Foi em vão — Neymar e Dani começaram a bater bola. Faziam embaixadinhas, trocavam bolas cabeceadas enquanto assobiavam a trilha de um antigo comercial da Nike captado num aeroporto.

No início foi até curioso ver aquela situação inusitada dentro da minha casa. Todavia, depois que quebraram o abajur e minha estante de livros, comecei a pensar o que poderia ser feito para expulsá-los do ambiente doméstico.

Respirei fundo, contei até 1000 e tomei a decisão: liguei para o pai do Neymar. Em menos de meia hora, ele chegou. Colocou Dani Alves num voo para Espanha e ralhou com o filho, sem pudor algum, na minha frente.

— Neyzinho, se você invadir o ambiente dos outros mais uma vez pra fazer publicidade… Corte de cabelo novo e tatuagem só na Copa da Rússia! Está entendido?

Nunca mais Neymar Júnior entrou na minha casa sem ser convidado.

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