Retroceder nunca, render-se jamais

Festival Novas Frequências dribla a crise e chega à sua sétima edição menor, mas ainda absolutamente central para a música exploratória

Ute Wassermann e Thomas Roher, que abrem hoje a sétima edição do Novas Frequências

Com sua sétima edição começando hoje, no Rio, com os shows do japonês Otomo Yoshihide com Felipe Zenícola e Renato Godoy e de Ute Wassermann com Thomas Rohrer, no teatro XP Investimento, o Festival Novas Frequências luta para manter a excelência dos últimos anos em abrir caminhos para a música exploratória no Brasil.

Assim como tem acontecido com a maior parte dos festivais grandes deste ano, o Novas Frequências precisou de muito esforço para acontecer. “Voltamos para o nível de 2012”, conta por telefone Chico Dub, um dos idealizadores do festival e seu principal curador. “Tivemos que diminuir nesse ano, ir para teatros que já tinham estrutura, diminuir as experiências em lugares inusitados, não deu para fazer uma loucura como o Galpão da Gamboa do ano passado, em que tínhamos de levar todo o sistema de som.”

Com os patrocínios minguando, a estratégia que mais deu certo foi trabalhar junto a operações diplomáticas de alguns países, como França, Reino Unido e Alemanha, por exemplo. “Foi a primeira vez, desde que o festival acontece, que não consegui trazer todos os artistas que queria e tive de aproveitar e curar os grupos e músicos que já estavam vindo para o Brasil, diz Dub.

O que facilitou esse trânsito foi o fato de haver uma concentração inédita de festivais de música exploratória na mesma época em São Paulo, como o Festival Música Estranha, o Festival Internacional de Música Experimental e o Improfest, que aumentaram a circulação de grupos que têm a ver com a proposta do Novas Frequências no país. “Embora para o Novas Frequências tenha sido bom, não acho que essa estratégia seja boa para os outros festivais. Antes, apenas o Música Estranha e o Novas Frequências aconteciam na mesma época. É muito delicado isso, mas meu medo é que isso acabe sendo ruim principalmente para os festivais menores e mais novos”, aponta Dub. “O público para esse tipo de música não é gigantesco, se os shows se concentram todos na mesma época, as pessoas acabam tendo de optar entre um show e outro e isso pode não ser ideal para nenhum dos festivais”, pondera.

O curioso é que o próprio Novas Frequências ajudou a criar essa integração, promovendo no ano passado uma série de encontros entre os produtores nacionais e internacionais. Encontro que, neste ano de vacas magras, não vai acontecer novamente.

Independentemente de todas as dificuldades, a programação do Novas Frequências continua incrível, apontando para os caminhos mais interessantes da música atual. Não é à toa que o festival foi finalista do Prêmio Bravo do ano passado.

Perguntado sobre quais foram os artistas que deram orgulho de trazer nesta edição, Chico apontou quatro: Otomo Yoshihide, William Basinski, ensemBle baBel encarando a obra e Christian Marclay e o Acid Arab, para a festa, que terá também Aïsha Devi, Carrot Green, Stellar Om Source e grassmass apresentando uma versão de Coisas, de Moacyr Santos.

Confira a programação completa do festival.

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