São Domingos do Tombo

Padroeiro da Fisioterapia, o santo do dia despencou certo dia da torre da Sé em São Paulo e reapareceu em Latrão

“Stumble”, de Bob Clyatt

Por Carlos Castelo

São Domingos do Tombo nasceu a 7 de março de 1828, em Casablanca. O local é uma aldeia montanhosa, no norte do Marrocos, cujo nome é uma homenagem ao longa-metragem estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

Batizado Ibrahim Abi Laden Maluf. Com 23 anos, adota o Domingos em memória de um mártir do século 2 que faleceu após uma queda de dromedário no deserto de Mojave. Já usando o novo apelido, foge de casa e refugia-se no mosteiro de Nossa Senhora de Achiropita, da Ordem Maronita do Bixiga.

Ao descer pela primeira vez as escadarias do mosteiro (1.774 degraus), Domingos tropeça e é lançado ao fundo de um profundo grotão. Acudido por frades capuchinhos, demora sete meses para recuperar uma pequena parte dos movimentos, talvez por ter sido atendido num Pronto Socorro público de Casablanca.

Três meses depois, quando afinal consegue arrastar-se pelo deserto, transfere-se para o mosteiro da Sé, da província de São Paulo, verdadeiro oásis de oração e consumo de crack pela população nas ruas.

Numa madrugada, passeando pelas ameias das abóbadas e orando, despenca dali para o fosso da catedral. Seu corpo não é encontrado por ninguém, mesmo após infindáveis buscas do Corpo de Bombeiros.

Domingos reaparece milagrosamente na sede da Igreja em Latrão. O papa Belisário II o recebe em audiência. O religioso lhe revela que, durante sua queda até os desvãos do mundo, tivera uma visão. Deus o ensinara as técnicas da fisioterapia — para que, com elas, pudesse sanar as dores do mundo.

Emocionado pelas sacrossantas palavras de Domingos, Belisário tem um rápido desfalecimento e acaba estatelando-se sobre o altar da capela papal de uma altura de 110 metros. Mesmo tendo se estabacado inúmeras vezes correndo pelas escadarias, Domingos consegue acudir o papa. Nos dias seguintes ao horrível desmoronamento, aplica as técnicas fisioterapêuticas que aprendera com o Senhor. Após uma sessão extra de moxabustão, o papa Belisário falece no primeiro dia de tratamento.

Promovido a cardeal, Domingos adota o nome Domingos do Tombo e participa da votação do próximo Santo Padre. Em pouco tempo, a fumaça branca esvoaça na chaminé onde reúne-se o Conselho Cardinalício: Domingos do Tombo é eleito chefe da Igreja.

Latrão é engalanada para a entronização. Milhares de fiéis, dezenas de chefes de Estado e embaixadores, ouvem a leitura de sua encíclica Phisiotherapium deus, nihil aliud — Deus é fisioterapia, nada mais.

Mas o inesperado acontece. Ao subir na carruagem real para a benção Urbi et Orbi, Domingos tropica num estribo, despenca sob as patas dos cavalos e fenece terrivelmente pisoteado. Uma multidão atônita presencia a tragédia em silêncio. Era 28 de novembro de 1898.

Desde então, ele é louvado neste dia como São Domingos do Tombo e protege os fisioterapeutas. É também o santo das demolições.

São Domingos do Tombo, rogai por nós!

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