“Sabia Pouco do Sal”

Lívia Mattos lança com exclusividade pela Bravo! novo clipe de seu disco “Vinha da Ida”

Fotos: Tiago Lima

No fim do ano passado, a sanfoneira baiana Lívia Mattos lançou seu disco de estreia, Vinha da Ida, com composições que vinha acumulando ao longo dos últimos anos. O disco explora muitos caminhos diferentes para o som da sanfona, do circo aos ritmos nordestinos, da canção moderna à sofisticação jazzística. Um dos pontos altos é a parceria com o pernambucano Zé Manoel, que vira agora clipe, lançado com exclusividade pela Bravo!.

No dia primeiro de fevereiro, Lívia mostra o disco num show no Sesc 24 de Maio, com participações de Zé Manoel e de Toninho Ferragutti. A pedido da revista, Lívia escreveu um pouco sobre o encontro e o processo. Espia:

Zé Manoel é das águas doces do velho chico. Eu, da baía salgada de todos os santos. Por fim uma mistura salobra de brasis profundos e costeiros, com muitas teclas pra imergir nessas beiras. E nada como uma canção com o nome de “Sabia Pouco Do Sal” pra dar voz à esse cruzamento de poéticas, sonoridades e narrativas. Essa composição começou da poesia para depois tomar tino de música. Escrevi os versos e esqueci. Tempos depois, cavoucando minhas coisas, achei o texto e já reli em melodia. Corre pra sanfona que tem assunto — agi. De pronto pensei em Zé, pela atmosfera harmônica e melódica que tomou, além do discurso poético. Achei que não tinha terminado a canção e mandei pra ele, propondo parceria-foz, encontro de águas. Com a calma de quem diz muito falando pouco, disse-me que a musica já estava pronta, não tinha o que fazer mais nela. Já que é assim, chamei Zé pra gravar comigo, tocando e cantando junto. Precisava da doçura profunda — e intrigante — dele pra canção, quase como se ele pudesse personificar o sujeito oculto da narrativa.
Parentese-contexto: logo que Zé veio pra São Paulo, e estava sem banda, indiquei os músicos que faziam parte do meu trio pra ele: Sérgio Reze (bateria) e Filipe Massumi (cello). Ele começou a fazer show em trio e eu continuei fazendo o meu com os mesmos músicos… e daí experimentamos fazer um show juntos, mixando nossos repertórios e diferentes formas de concepção musical com os mesmos instrumentistas. Águas salobras totalzz. Dessa confluência, a gravação não poderia ser diferente: Sérgio Reze (bateria), Filipe Massumi (violoncelo), Zé Manoel (piano e voz) e yo (acordeom e voz). A produção do disco, e logo, dessa canção, foi de Alê Siqueira, que com sua sensibilidade musical “expressionante” (risos) soube aproveitar toda gestualidade e espontaneidade do encontro.
Da esquerda para a direita, no sentido horário: Lívia Mattos, Zé Manoel, Sérgio Reze e Filipe Massumi
Sabia Pouco do Sal é a canção mais recente do Vinha da Ida, digo em relação às outras musicas do disco. Compus cerca de dois meses antes de entrar no estúdio pra gravar. Como é um primeiro álbum, tem composição que datam de dez anos atrás… por isso destaco o frescor desta. Sinto que marca uma nova fase de autoralidade minha… e quero muito ver onde pode desaguar esse caminho outro. Gosto. Sendo um disco de compositora, com dez canções autorais, fiz questão que ela estivesse presente, pra apresentar esse outro modo de criação. Ao meu ver, é a música menos solar do álbum, mas que não deixa de ser molhada e salgada, como considero que é todo o disco.

SABIA POUCO DO SAL

(Lívia Mattos)

Sabia pouco do sal
 mas salgava

doçura tinha

perdia

lembrava quando ria

cantava.

Tinha mais céu que imaginava

chovia

manhã de sol

sofria

desavisado

marejava.

A boca era o centro

gravitava todo resto

pendia para frente

caía em si

perdia o verso.

Ficha técnica:

Imagens/ Edição: Luan Cardoso

Estúdio: Gargolândia

Show

Lívia Mattos com participação de Zé Manoel e Toninho Ferragutti

1º de fevereiro, 21h

Sesc 24 de Maio

Ingressos: de R$ 6 aR$ 20

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