Uma feira de arte no Centro-Oeste

Em sua segunda edição, Feira de Arte Goiás mira modelos internacionais do mercado para movimentar o setor da região

Fotografia de Fábio Setti (Foto: A Casa da Luz Vermelha/Divulgação)

É com alguma frieza, e talvez crueldade, que se costuma definir os tempos de crise como uma janela de oportunidade, embora a formulação não minta. Prova disso é a Feira de Arte Goiás, a Fargo, criada no ano passado e que chega à sua segunda edição na próxima quarta-feira (24) com expectativas altas.

Na edição pioneira, elaborada para suprir a escassez de iniciativas do gênero na região Centro-Oeste, o retorno foi imediato. “Quando começamos a apresentar o projeto para as pessoas, reforçávamos a ideia de uma demanda reprimida no segmento, mas não imaginávamos quanto”, diz Sandro Tôrres, coordenador geral e curador da feira. Os números de 2017 surpreenderam: segundo a Fargo, mais de 7 mil pessoas visitaram a feira.

“Eventos de artes visuais em Goiânia não costumam envolver a comunidade, tampouco recebem visitação além do público ligado ao segmento”, avalia Tôrres. “Com o volume e envolvimento do público, percebemos que a feira superaria nossas expectativas mais otimistas.”

Para este ano, a Fargo recrutou cerca de 30 expositores para ocupar a Vila Cultural Cora Coralina, no centro da cidade. A curadoria local, elaborada por Tôrres e Gilmar Camilo, tem entre os destaques a mostra da Arte Plena (galeria e produtora que gerencia a feira), com obras de Juliano Moraes, Evandro Soares e Pitágoras, todos artistas residentes no estado. Também de Goiás, estarão serigrafias da Hidrolands Grafisch Atelier, concebidas por Daniel Acosta, Estevão Parreiras e Marcelo Solá.

Serigrafia de Marcelo Solá (Foto: Hidrolands Grafisch Atelier) | Gravura de Renina Katz (Foto: Oto Reifschneider)

Na curadoria nacional, realizada com Ester Krivkin, há obras em diferentes suportes. Especializada em pequenos formatos, a paulista Galeria Mapa leva um conjunto de peças de Roberto Micoli e Leonilson. Brasília estará representada por Oto Reifschneider, que apresenta uma seleção de gravuras feitas por grandes artistas brasileiras — como Tarsila do Amaral, Maria Leontina e Tomie Ohtake — , e pel’A Casa da Luz Vermelha, com cliques de Bruno Stuckert, Clara Mollina, Fábio Setti e Kazuo Okubo, fundador da galeria.

O modelo de feira mirado pela Fargo envolve, além da dimensão comercial, o conceito de festival artístico, com o objetivo de atrair mais do que apenas galeristas e colecionadores. “Acreditamos que uma feira de arte se destina ao público em geral, vide exemplos como a SP Arte, as feiras de arte de Miami (Art Basel, por exemplo) e várias outras em todo o mundo que há muito transcenderam o rótulo de ‘feira de artes’ e se tornaram grandes eventos de entretenimento e, principalmente, business, com resultados e números impressionantes”, diz Sandro Tôrres.

Com isso em mente, acontece em paralelo à feira o seminário Os Campos das Artes, com palestras e oficinas de artistas, curadores, críticos e jornalistas, como Renato de Cara, diretor do Museu da Cidade de São Paulo, e o galerista Oto Reifschneider, sediado em Brasília. Guilherme Werneck e Helena Bagnoli, ambos publishers da Bravo! fazem palestras no dia 24/10.


Fargo — Feira de Arte Goiás. De 24 a 28/10, das 10h às 22h. Entrada gratuita. Vila Cultural Cora Coralina: Rua 3 (esquina com a Rua 23), s/n, quadra 67 — Centro — Goiânia. Mais informações em fargogoias.com