Análise política da semana — O desastre governamental e a futura crise política brasileira se estruturando

O governo bolsonarista, como bem sabemos, possui como principal característica a falta de coerência e sagacidade para governar. No começo da semana, em sua conta do Twitter, o presidente publicou um vídeo um tanto quanto curioso, em que se compara com um poderoso das selvas, perseguido por “opositores”. O primeiro pensamento que tive quando vi a postagem foi a caracterização de personagens que Bolsonaro faz para a sua autovalorização, de forma que chega a pintar a Globo, o STF (Supremo Tribunal Federal), e, inclusive, seu próprio partido o PSL, como inimigos da pátria, porém, todo opositor ao governo é denominado como comunista. Diversas postagens em apoio ao presidente foram feitas, e, em sua grande maioria, rotulavam como comunistas esses opositores do vídeo, o que me leva a uma crise de risos, visto que a Globo apoiou fortemente a Ditadura Militar, por exemplo, e hoje, sem saber, a família Marinho passou a defender uma Ditadura do Proletário.
Posteriormente, Carlos Bolsonaro, filho de Jair, que foi apontado como culpado do vídeo, disse publicamente que foi seu pai que havia publicado. O que me leva a pergunta mais óbvia: como não há um consenso prévio antes de ir à público falar sobre? Um presidente de uma república, que encaixou seus filhos na política, que — não entendo a razão — deixa o acesso de sua conta não com sua assessoria, mas com esses filhos, pode dar uma declaração simplesmente colocando a culpa disso em um dos filhos, sem ao menos combinar com o mesmo. Pois, como minha progenitora sempre disse, já que vai mentir faça direito.
Outro caso, no decorrer da semana, com as investigações da morte de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, e Anderson Pedro, que estava no carro com ela, veio à público o nome de Bolsonaro pai, no inquérito da investigação. Bolsonaro nega, e, até onde pode-se dizer, ele não mente. As câmeras da Câmara dos Deputados o filmaram no dia em que o porteiro do condomínio diz que ele estava em sua casa, e ok. Porém, com essa citação uma coisa fica extremamente clara: a família Bolsonaro está intimamente ligada com as milícias. Pelo simples fato do nome de um presidente ser levantado numa investigação desse nível já diz muito.
Essa investigação ainda não ganhou o corpo que vai ganhar daqui para frente, pois o próprio Bolsonaro disse querer conversar com quem lidera a investigação. Mas, mais um capítulo foi escrito hoje, quando foi revelado que o presidente pegou para si as gravações da guarita no dia em questão, para, segundo ele, “não sofrerem alterações”. Não sabemos se ele mesmo o fez, porém, admitiu. Lembrando, isso é crime, enquadrado como obstrução à justiça.
E, um último caso que vale ser ressaltado, Eduardo Bolsonaro assumir publicamente a possibilidade de adoção de medidas ditatoriais, ou mais especificamente, um novo AI-5. Quem tenha o mínimo de conhecimento sobre a ditadura brasileira sabe o que representou o Ato Institucional número 5. Como exemplo de mesma medida, atualmente na Alemanha, quando algum cidadão cita o nazismo como um bom período da história alemã, essa pessoa, no mínimo, é levada a julgamento. Um deputado federal abrir essa possibilidade é extremamente perigoso, lembrando que está intimamente ligado ao chefe de Estado, e possui forte influência sobre o governo, além de que, em comparação aos outros filhos, parece ser o menos estúpido, mesmo dizendo asneiras, como essa citada.

