.afogada.

escrevo
alguns poemas
meia duzia de papéis amassados
jogados em um canto escuro do meu quarto

escondo-os 
já que em todos eles eu te carrego
já que em cada rima e em cada estrofe
tem um pouco de você

deixo-os 
junto com a garrafa e o isqueiro
o maço de cigarros eu escondo
para que eu não me mate de uma vez só

cada trago é uma lembrança
e cada gole é uma dose de amnésia
abençoada seja a pinga
e o quão bem sucedida ela é

no quesito te esquecer
e te omitir completamente
fingir que não lembro seu nome
eu falho, mas a pinga não.