Eu, desenho

A mim desenhou:
Como eu sou
Por fora.

Se fa(sendo) poeta
Fez de mim poesia.
Em versos curtos
Quis saber
Dos meus medos
Do que escondo aqui dentro
Do que me assombra
A vida.

Me vi desenho
Virando rima.
Escrita com toda a delicadeza
E bem nascida em versos curtos.
Que ficaram mais longos
A cada nova lida.

(E eu li muito.
É onde está a beleza:
Quanto mais me vejo
Mais sobre mim descubro)

A mim fez desenho
Com poesia
A ele subordinada.
Sou sempre palavra
Cursiva, de forma e
(Porquê não?)
Até desenhada.
E tem vezes
Essas vezes
Como hoje
Que faço música de mim.

Encantei-me à melodia
Que nada me canta
Mas tudo me inspira.
Encantado pelo poema
De orações curtas e
Muito provável, de longa vida.

Desenhado
Em folha de caderno
Feito à caneta
Em poucos traços 
Como eu bem me faria.
Por fora, às vezes
Eu que sou de mim desconfiado
Procuro detalhar
Com defeito
Tantas das coisas que…
Bem, fazem parte da vida.

Hoje, então, descobri
Como quem nada queria
Que um espírito vive aqui
Acompanhando minh’alma
Nesta caminhada:

O espírito de um arco
Que dá impulso às flechas
Mas não é responsável
Pelo que, no caminho
A elas acontece.
Há vento, outras forças
E, sem hipocrisia
Algumas vezes nem existe um alvo.

No entanto
Ao me ver desenho e
Também poesia
Ainda não recitada, eu
Não imaginava

Ficar tão feliz e
Rindo feito bobo 
Ao me sentir como flecha lançada
No agora em que me encontro:
Contra o mundo lutando pra não perder
A direção.

Ah, universo…
Me fez arco
Da minha própria flecha.
Esta é minha face descoberta:
Quando por mim mesmo impulsionado
Não importa o quanto queira fa(ser) algo
Sei que sou capaz, mas…
Ainda é difícil
É difícil…
Muito difícil!
NUNCA impossível
Acertar meu almejado alvo.

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