LARGO DA MEMÓRIA

24, 25–10–17, sp

O menino acordou com frio e coçou os olhos antes de abri-los, sentindo uma brisa gelada nas suas pernas. Encarou o teto de tecido azul iluminado pela luz amarela dos refletores e ficou em silêncio por alguns instantes. Sentiu o corpo do irmão ao seu lado. Ainda dorme, pensou. Moveu o braço esquerdo e não encontrou nada, então a mãe já havia se levantado. Ouvia as vozes e o barulho dos carros na avenida e os passos rápidos das solas de sapatos e saltos e tênis e chinelos das muitas pessoas que passavam por ali, e viu a luz do giroscópio da viatura quando despertou de vez. Levantou-se, ficando de joelhos, a cabeça ainda dois ou três palmos distante do teto da barraca, ele não tinha mais de um metro e sessenta em pé, ajoelhado era ainda mais pequenino, e se moveu da maneira mais suave possível para não acordar o irmão, que tinha a coberta cinza manchada levada até metade do rosto e os pés sujos e escuros para fora, um sobre o outro, os dedos quase entrelaçados. Puxou o tecido da abertura da barraca e saiu. Viu a mãe fumando um cigarro ali perto, conversando com duas mulheres, observadas pelos olhos do guarda que passava na viatura bem devagar. Os olhos das infinitas pessoas que passavam não lhe davam muita atenção, um ou dois segundos no máximo, isso se estivesse no caminho. Acima deles o concreto côncavo do Viaduto do Chá, frio e silencioso.


Não estou procurando nada sério, ela disse enquanto mexia com uma colherinha seu café e ele pensava em o porquê ela mexia o café se não havia colocado nem açúcar, nem adoçante.

Ah, sim, claro, eu também não, ele respondeu, tomando agora um gole do seu próprio café com açúcar.

Eu prefiro dizer de uma vez, às vezes as pessoas não falam, é melhor evitar, ela disse ainda mexendo com a colherinha em movimentos circulares.

Sim, sim, claro, é bom você falar, ele concorda, torcendo para não deixar transparecer que foi pego de surpresa. Mais um gole no café antes de mudar de assunto. Antes que ele pusesse a xícara de volta na mesa, ela perguntou:

Você gosta de dançar?

Um sorriso se abriu no rosto dele. Ô, adoro. Ela sorriu de volta. Sou um pé-de-valsa.


Olhou o relógio e eram dezesseis horas, então começou a trocar o peso de uma perna para a outra, batendo o pé, olhando de novo para o relógio. O tempo ia passando e ele inclinava o corpo sobre o balcão, a barriga marcando a camisa, e olhava para os dois lados da praça de alimentação. Filho da puta do caralho, disse baixinho. Ouviu a voz da gerente atrás dele, mas não entendeu o que ela disse.

O quê?

Cadê o David?, ela repetiu a pergunta. Ele fez uma cara enfezada, abriu os braços e disse eu que sei? Tô esperando. Depois você vai ficar lá embaixo? Ele respondeu que sim.

A gerente se virou e foi para os fundos. Quando ele olhou de novo para a praça, viu o David chegando. Finalmente, filho da puta.

Tirou o boné, pegou o maço de cigarros, o celular e desceu pelo elevador de serviço até o térreo. Saiu pela parte de trás do Shopping, subiu na mureta elevada entre o recuo de dois pilares, ficou com as pernas balançando no ar e acendeu um cigarro. Várias pessoas passavam por ali e ele ficou olhando para as barracas embaixo do Viaduto, uma ao lado da outra, e os colchões jogados no chão, e um cachorro que dormia amarrado no pé de um fogão velho. Três mulheres conversavam, imundas, as pernas finas, sujas, shorts curtos, camisetas rasgadas. Algumas crianças conversavam e outras cheiravam cola. Um homem dormia abraçado com uma mulher, as moscas pousando em seus rostos e as bocas abertas, negras, podres. A viatura subiu no passeio depois de passar a sua frente e ligou o giroscópio, seguindo lentamente com as janelas abertas. Pegou o celular e abriu a agenda. Foi passando pelos nomes. Mandou oi para algumas mulheres e ficou esperando a resposta. Colocou o celular sobre a perna e tragou o cigarro. Sentiu a vibração, pegou o celular e ficou insatisfeito, porque não era uma mensagem. Era a mãe ligando. Apertou o botão de bloquear em cima do aparelho e deixou a ligação cair na caixa postal.


Desligou o computador e ficou encarando a tela escura, que refletia sua imagem disforme, meio grotesca. Não dava para ver seus olhos por trás das lentes dos óculos, como se fosse uma profunda escuridão, e apenas a silhueta do seu rosto era bem demarcada, seus traços todos embaralhados. Amanhã, às dezesseis horas, no café do Shopping Light. Fazia uma semana que conversavam, ela aceitou o convite e agora iriam se encontrar. Pensou em mandar uma mensagem para o filho, chegou a pegar o celular, mas desistiu antes de começar a escrever. Melhor não. Se der certo, eu falo para ele, pensou.

Levantou-se e abriu a cortina, deixando o sol da tarde entrar, clareando todo o ambiente, mas ameno o suficiente para não incomodar. Foi para o banheiro e se encarou no espelho, agora sem os borrões da tela do computador. Precisava fazer a barba. Os olhos tinham seus arredores marcados pela pele flácida. A barriga não era grande, mas aparecia logo ali acima do cinto. Pegou a maquininha e aparou a barba nos cantos do rosto, no bigode e no pescoço, esticando a pele para cortar bem os pelos, sentindo o aspecto plástico do seu corpo. Viu o resultado e decidiu deixar o cavanhaque grisalho. E agora?

Não havia mais nada para fazer e ele queria se ocupar para o tempo passar ou fechar os olhos e dormir até o dia seguinte e disse para si mesmo Ronaldo, para de ser estúpido que você não é mais nenhuma criança, lembrando-se dos dias de menino em que não dormia na sexta-feira porque sábado de manhã iam todos para o sítio do vô Nuno e ele podia brincar com os cachorros Pintado e Valente e montar no pônei Coringa, nome que vinha do pelo manchado que parecia uma interrogação. Mas não era mais nenhum menino e do vô Nuno não restava nada além das memórias da família e algumas fotografias em álbuns antigos. E pensando em álbuns foi para a sala e pegou da estante Guimarães Rosa em Sagarana e pensou na primeira vez que leu as estórias do doutor e se sentiu menino outra vez, ora feliz, por voltar no tempo, ora triste, por ver que o tempo havia passado tão depressa e agora os dedos que seguravam o livro de capa preta com um boi roxo eram delicados e de pele fina e a marca de sol da aliança já havia desparecido como uma memória antiga de gente esquecida. Mas ele não havia se esquecido.

Sentou-se de costas para a janela porque ia aproveitar a luminosidade. Os olhos já não funcionavam como deveriam e ler com luz artificial não dava para mais de cinco minutos, precisava da luz do dia, então aproveitou a gentileza da claridade e abriu o livro sobre o colo, as pernas cruzadas. Abriu no último conto do livro e lá imergiu.

E o sol foi se pondo, se pondo, e logo a página já era uma sombra e ele mal conseguia ler, começou apressar os olhos como numa corrida com as palavras, que eram ligeiras que só elas, e lá estava Augusto Matraga tendo com Joãozinho Bem-Bem para que a vingança não fosse posta a termo e conforme a simpatia de Joãozinho Bem-Bem por Augusto Matraga ia crescendo e o sol se pondo, o peito de Ronaldo ia se contorcendo porque ele já conhecia a história, mas não podia parar ali, antes do ponto final, e a luz era cada vez menor. E antes que Augusto Matraga pusesse a bênção em sua filha, a luz se acabou e os olhos de Ronaldo já não podiam terminar a história.

Sentiu-se vazio e triste, mas poderoso, como alguém que muito persegue algo e não a alcança, mas não deixa de correr.


A mãe reclamou que o cigarro tinha acabado e ele se afastou, contrariado. Foi para perto da barraca e o irmão ainda dormia. Tinham passado a noite acordados fumando os cigarros da mãe e cheirando cola. Sentia fome e pegou um pedaço de pão da sacola e deu a primeira mordida, mastigando várias vezes até conseguir engolir, sentindo dor nos dentes podres.

Ficou observando um homem de cadeira de rodas que ficava empinando sua cadeira e andando em círculos na frente da Praça Ramos de Azevedo. Ele usava luvas sem dedos e óculos escuros. As pernas eram muito finas, pendiam para o lado, e os pés estavam presos por uma fita no suporte da cadeira. Ao seu lado um outro homem em uma cadeira de rodas observava, como quem toma nota mental da aula. O menino coçou a cabeça e ficou de cócoras, observando. Pegou do chão uma pedrinha verde que achou bonita. Colocou a pedra à frente do rosto e a encarou. O homem da cadeira de rodas ficou desfocado. Fixou o olhar nele, e a pedrinha ficou desfocada. Repetiu isso algumas vezes e riu sozinho, sem perceber os olhos do senhor que o observava.


Eu não gosto de rock, ele disse. Nem quando todo mundo gostava de rock. Nunca gostei. Meu filho que adora.

Eu também não gosto, ela respondeu. Prefiro sertanejo, um samba. Gosto de dançar de dois, bem junto.

Podemos ir dançar, conheço um lugar que de quinta-feira à noite tem baile, o que você acha?

Que legal, essa quinta?

Pode ser, tudo bem?

Tudo bem.

As xícaras já estavam vazios e eles não perceberam quando um rapaz se sentou na mesa ao lado e abriu um caderninho e nele começou a notar alguma coisa, sabe-se lá o quê, mas era certo que ouvia a conversa dos dois.


Chegou muito cedo no centro e ficou se perguntando se não devia ter saído depois, ou se não deveria ter cancelado tudo. Ela não havia dito mais nada e ele pensou se ela não estava arrependida. Quis mandar uma mensagem, mas poderia parecer intrometido e precipitado. Faltava ainda uma hora para as dezesseis e ele estava ali, na frente do Shopping, olhando para o relógio e suando sob o sol.

Caminhou até a escadaria do Largo da Memória e desceu lentamente os degraus. Em todos eles havia sujeira e um forte cheiro de mijo. O Obelisco do Piques estava imundo e os azulejos sujos e mal cuidados. Onde havia a fonte agora restava apenas ferro enferrujado. Quatro rapazes estavam sentados fumando maconha na beirada da fonte e um homem dormia em um dos bancos circulares.

Continuou descendo. Havia morado por ali há muitos anos, logo depois da reforma do Obelisco. Agora caminhava pelo calçadão e viu a sua direita a passarela movimentada, porque ainda era dia, assim que a noite caía o movimento cessava e ali não restava nada além do medo.

A multidão seguia seu fluxo contínuo em direção a entrada do metrô, como uma grande artéria que jorra seu sangue pelo sistema subterrâneo da cidade, sem parar, entrando e saindo, entrando e saindo.

Foi andando em direção ao Viaduto do Chá e uma mulher sofria para empurrar sua cadeira de rodas no passeio irregular e acidentado. Ele diminuiu o passo para ajudar, mas ela o encarou e ele teve medo. Seus olhos eram vermelhos e o cabelo crespo tinha algumas falhas, o rosto estava sujo e ela balbuciava alguma coisa que ele não compreendia. Seguiu seu caminho enquanto ouvia o som das rodas trepidando, lutando para vencer os buracos. Nesse momento sentiu uma súbita vontade de fumar, hábito há muito esquecido, talvez seja o lugar, o caminho que ele percorria que também fez a memória percorrer seu próprio caminho. A mão sem função precisava de um cigarro, como ele fazia há trinta anos. Passou por um rapaz que estava sentado na mureta entre dois pilares da parte de trás do Shopping, e o rapaz fumava, e ele pensou em pedir um cigarro, mas também pensou Ronaldo, não seja ridículo, você é um senhor de idade. Não pediu.

Embaixo do Viaduto viu as barracas e os homens e mulheres que estavam por ali. Alguns dormiam, outros conversavam, um grupo de moleques cheirava cola e a viatura que passava lentamente observava, sem esboçar reação. Reparou num menino magricela e pequeno, descalço, que segurava uma pedrinha verde na mão e a encarava a distância de um braço do rosto. Não percebeu quando parou para olhar. O menino estava ali, de cócoras, a pedrinha na mão, um olho fechado e outro aberto. Mais à sua frente, dois homens de cadeira de rodas, mas sem a dificuldade daquela mulher. Um deles empinava a cadeira e o outro observava. O menino abaixou a pedra e a deixou cair no chão, chutando-a para longe.

Um grupo de três senhoras com panfletos religiosos conversava, sentadas em um dos elevados de concreto do começo do Vale. Um homem passeava com dois cachorros na coleira. Centenas de pessoas iam de um lado para o outro. Ele caminhava devagar quando sentiu algo atrás de si e quando se virou para olhar era uma van do Correios, intrusa ali no trânsito de gente. Foi para o lado e deixou o carro passar, que ia seguindo seu caminho fazendo as pessoas irem para os cantos. Na parte profunda do Vale, um homem estava sentado, revirando suas coisas, alheio a tudo que acontecia, como que protegido pelo concreto que se elevava ao seu redor.

Sabia que o Vale era o Vale pelo rio que corria ali embaixo daquele tanto de concreto, mas agora, caminhando, sentia-se represado. Represado pelos prédios enormes que cresciam ao seu lado e colocavam a gente tão distante no chão, como no fundo de um lago, como no fundo de um rio, e a gente era a correnteza seguindo em diversas direções, nascendo e morrendo caminhando por aquele Vale, indo e vindo sabe-se lá de onde, para onde, só de passagem, e quem ali ficava era feito o menino de cócoras com a pedrinha verde na mão, sujo e descalço, como se a água que era aquela gente desviasse do seu corpo e fosse incapaz de limpá-lo.

Ele chegou até o outro lado e viu o amarelo Viaduto Santa Ifigênia mais adiante. Os ônibus passavam por debaixo da construção e as pessoas caminhavam lá em cima. É bonito, ele pensou, no momento em que lá em cima uma moça era cercada por oito pessoas e enquanto uma delas trombava nas suas costas, outra tomava sua bolsa e saía correndo. Mas daqui de baixo ele não poderia ouvir os gritos de socorro.

Voltou para a Avenida São João e foi até a Galeria do Rock. Subiu suas escadas rolantes e olhou as vitrines. Percebia que os olhos o perseguiam. Passou por uma loja com um chaveiro dos Rolling Stones na vitrine e pensou se o filho não gostaria da lembrança. A moça apareceu na porta e perguntou: senhor, posso ajudar?

Quanto é o chaveiro?

Dez reais, ela respondeu. Qualquer um deles.

Ele pegou a carteira do bolso e disse que ia levar. Ela pediu para que ele entrasse que ela pegaria um na embalagem.

Pagou, guardou o chaveiro no bolso, agradeceu a moça e saiu. Na extremidade do pavimento, ficou olhando a cidade. Via a Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. A tinta descascava e os homens pretos estavam ali em sua volta, mas não rezavam nem recebiam a bênção, e sim dormiam sobre a grama e o concreto, ou vagavam sem direção. Olhou no relógio e faltavam vinte minutos para as dezesseis horas, então decidiu ir para o Shopping.


O menino ainda sentia fome, mas não queria mais comer aquele pão, porque seus dentes doíam e era difícil de mastigar. O irmão finalmente havia acordado e o menino perguntou para ele se queria jogar bola, mas o irmão disse que não, que ia dar uma volta. Disse que ia junto, e o irmão disse mais uma vez que não. Por quê?

Porque você é criança.

Você também é.

O irmão deu de ombros e seguiu caminhando pelo Vale, olhando para as pessoas sentadas e desatentas.

O estômago do menino doía e agora ele sentia raiva do irmão, que ainda ontem parecia gostar tanto dele quando ele roubou os cigarros da mãe, e agora parecia não gostar mais.

Ele vai ver quem é criança, falou baixinho. Ele vai ver.


Chegou no Shopping e se deu conta de que havia mais de um café por lá. Puta merda, pensou. No primeiro, perto da entrada, não encontrou ninguém que se parecesse com ela. O coração apertou. E se ela chegou e foi embora? E se ela chegou e viu que havia mais de um café e não soube em qual ficar, então foi embora, porque eu não especifiquei qual seria? As pernas doíam e ele sentia o suor nas costas.

Passou pelos quiosques e foi até o outro lado, onde havia um café em frente a livraria. Tinha mais gente, e em uma das mesas uma senhora estava sozinha. Seu cabelo era loiro tingido e ela usava uma camisa branca e um anel de prata no dedo do meio da mão direita e as unhas estavam pintadas de vermelho e o batom era um roxo bem clarinho que combinava com a maquiagem que ela usava no rosto moreno. Estava com as mãos cruzadas sobre a mesa, olhando para o outro lado, quando ele se aproximou.

Cláudia?

Ela se virou para e ele sabia que sim, era ela, e ela sabia que sim, era ele, por trás dos óculos redondos de armação preta e a camisa branca com listras azuis por dentro da calça social preta e os sapatos também pretos, o cavanhaque grisalho era engraçado, mas não era feio, e o cabelo liso penteado para trás estava igual na sua foto do site. Ronaldo?

Ele confirmou com a cabeça e ela sorriu. Seus dentes eram amarelados e meio encavalados, mas ele não se importou. Pediu desculpas pela demora e ela disse que não tinha problema, que tinha acabado de chegar.


Subiu as escadas úmidas e já estava acostumado com o cheiro de mijo. Olhava para os lados nervoso, mas não viu nenhum policial, só os moleques fumando maconha e os mendigos dormindo pelos cantos. Ele vai ver quem é criança, repetia, como um mantra para lhe encher de coragem. Talvez ser invisível agora servisse de alguma coisa.


Vou mandar uma mensagem para o meu motorista vir nos buscar, ele disse, enquanto os dois estavam parados na porta do Shopping.

Motorista?

Ele sorriu e confirmou.

Que chique.

Motorista de Uber.

Ela deu risada e deu um tapinha no braço ele. Achei que íamos de limousine.

Quando ele pegou o celular e olhou para baixo, não percebeu o menino se aproximando. A pequena mão segurou o celular e ele, por reflexo, agarrou o aparelho. O menino correu, tentando puxar, e ele se desequilibrou, caindo no chão, só conseguindo ver os pés descalços do menino correndo em direção ao Viaduto do Chá. Ela gritou e ele sentiu uma dor aguda no braço direito, que usou para se apoiar na queda. O menino desapareceu na multidão e o rapaz do quiosque de sorvete do McDonald’s viu tudo, sem esboçar reação, sentindo o celular vibrar no bolso com a ligação da mãe. No chão, o chaveiro dos Rolling Stones caído sem que ninguém percebesse.