Persona

um desabafo sobre máscaras virtuais

Carol Rosa
Nov 1 · 3 min read

Você, certamente, já deve ter ouvido a expressão “Freud explica” ou “o que Freud diria sobre isso?!”. Mas hoje, enquanto estudava sobre a Psicologia Analítica do Jung (que por sinal é perfeita!), me peguei pensando “o que Jung diria sobre isso?”.

Tenho enfrentado o drama das redes sociais e venho lutando para que elas não tomem conta do meu tempo, dos meus dias e, principalmente, da minha mente. E é aí que a teoria do Jung entra em cena e se encaixa tão perfeitamente nesse contexto.

Carl G. Jung, criou o conceito de Persona, um dos arquétipos da nossa personalidade. Esse conceito se refere à “máscara” que vestimos para vivermos em sociedade. Como pessoas, adotamos um papel particular que a sociedade dita como a postura mais adequada para determinados contextos e situações. Espera-se que um médico aja de determinada forma, um professor de outra, que alguém que está em uma festa se comporte de um jeito, mas quando está em um velório aja de outra maneira. E até aí está tudo certo.

Mas a Persona pode ser tóxica e, quando nos identificamos demasiadamente com ela, podemos ser “possuídos” pela mesma. Nos perdemos em nosso papel, na imagem que queremos passar e, acabamos por deixar que as expectativas dos outros, da sociedade, nos controlem.

Isso não parece familiar?

Lendo sobre tudo isso, as redes sociais surgiram na minha mente (estudar psicologia despertou em mim essa mania, que às vezes pode ser chata, de ver as coisas de outra forma e ficar “analisando” as situações). E então resolvi escrever para pôr as ideias em ordem.

Indo direto ao ponto, o que quero dizer é que a internet nos proporciona coisas maravilhosas, desde conhecimento e informação, até o contato com pessoas de lugares distantes do nosso. Mas as redes sociais também acabam fazendo com que queiramos passar uma imagem que nem sempre é real. E isso nos causa ansiedade e faz com que nos sintamos na obrigação de postar toda hora, de tirar fotos dos momentos legais da nossa vida (porque a vida tem que ser perfeita na internet, não é?). Enfim, acabamos mergulhados nessa imagem que criamos para nós mesmos na internet.

Eu excluí o meu Twitter e o Facebook também, pois eles tomavam tempo demais da minha vida. Mas o Instagram ainda está lá e, mais frequentemente do que eu gostaria, me pego ansiosa tentando controlar meus posts para que se encaixem nos padrões que foram criados - não sei por quem - para essa rede social. Isso chega a ser doentio, não acha? Pois são só fotos e, no fundo, ninguém liga! (ou, pelo menos, não deveria ligar e nem levar tão a sério). E com isso vem a questão:

Será que não estamos deixando que nossas “Personas virtuais” nos controlem demais?

Para que possamos manter uma relação saudável com as coisas, precisamos manter o equilíbrio entre o que nos é exigido pela sociedade e o que realmente somos. Não podemos deixar que nossas máscaras sejam permanentes e nem que nos façam sentir mal por não sermos perfeitos.

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Carol Rosa

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22, estudante de psicologia. Quem só vê o que é visível tem um mundo muito pequeno.

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