Que saudade da minha coragem

Como pude um dia passar tantos riscos
Desses que hoje nem imagino
Nem sonho
Nem chego perto de um pensamento.
Hoje corro de um chuvisco
De uma gripe
De uma queda
Tudo parece irreversível e fatal
Mas um dia
Adrenalina já foi combustível
Pulei de avião, de elástico, 
De skate e o escambau
Hoje, menina, ‘aquieta’ o faixo.
Já me joguei do penhasco do amor
Já me arrebentei toda mas não morri
Não é só falta 
É medo de tudo
De encher o peito de vontade
De achar tudo bobagem
Que saudade da minha coragem!
Seria a maternidade? 
A maturidade? Vaidade?
Consciência, prudência ou aparência?
Em um segundo
A vida dura.
Às vezes com, às vezes sem aventura
E às vezes também é coragem
 — Quem diria — 
Estar de pé todos os dias.