Quando o seu curriculum é um cupobrilum

Por Mikhail Askalsas

Nesse momento solene, de reflexão profunda, em que o sua cabeça bate no ombro e o pé alheio bate na sua bunda, é muito importante fazer uma avaliação do seu curriculum.

Se você segue o benchmark da maior parte dos jovens trabalhadores da geração Y, pode ocorrer que em vez de curriculum você tenha na gaveta um cupobrilum. Estes são os principais sinais para identificar se você tem um cupobrilum:

• Você informa seu CPF junto com os seus dados básicos, fazendo a festa dos ladrões de identidade que andam soltos pela internet.

• Na área de línguas, você informa “inglês intermediário”.

• Para impressionar os selecionadores, você estendeu seu cupobrilum para cinco páginas, informando para isso a data de conclusão de sua catequese e todas as especialidades obtidas quando era lobinho.

• Você abre uma seção especial para colocar seus hobbies, na suposição de que o selecionador vá dizer “nossa, você tem a figurinha do (fill the blanks) pra trocar? É a única que falta no meu álbum do Brasileirão”.

Prezado amigo, sinto informar, mas aquela coisa que você julgava ser um curriculum não passa de um cupobrilum muito do vagabundo.

Mais vale você, sendo brasileiro, admitir que tem português intermediário (seguindo o acordo ortográfico oficial da internet) do que classificar como inglês intermediário o seu conhecimento das expressões necessárias para passar de fase no seu Wii. E o que é que um selecionador aleatório tem a ver se você aprendeu a fazer um torniquete no braço torcido do seu coleguinha quando ainda era criança?

Seja honesto consigo mesmo e não seja trouxa. E tenha a cortesia de não encher linguiça. Todo mundo agradece.

Mikhail Askalsas é um headhunter russo e ostenta o título de primeiro homem a escrever tanto para a Wired quanto para a Fired. Contratou o Deep Purple para tocar na festa da posse de Dmitry Medvedev em 2008, e é o autor da foto oficial do evento.

(texto publicado originalmente em algum mês de 2011)

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.