Foto: Jefferson Bernardes (AFP)

Tangos sem tragédias

As voltas que o mundo dá não alcançam o Beira-Rio

Por Danrí Ferreira

Ainda que o mundo dê voltas, a gente precisa aceitar que, na vida, existem coisas que nunca vão mudar. O céu será sempre azul. O sangue, vermelho. Ambrosia será ruim até o fim dos tempos. No futebol, não é diferente. O Internacional parece ter aversão à facilidade. Se tudo der errado, lamente. Se tudo der certo, desconfie.

Alexandre Lops (SC Internacional)

Demasias à parte, aplicar 4x0 fora de casa ou sofrer empate no último minuto não é sorte. Mas anotar um gol por jogo com bizarras falhas adversárias parece um tanto quanto peculiar. O que não diminui a influência direta do treinador uruguaio Diego Aguirre nesse promissor início de 2015. O laboratório do comandante nos deu gratas surpresas. Valdívia jamais gozou de tanto prestígio. Alicerces do time campeão da Copa do Brasil sub-20, William e Geferson figuram como titulares no principal. O ressurgimento de Sasha, o nosso 9. A consolidação da ELEGÂNCIA de Rodrigo Dourado. O polivalente Jorge Henrique e as variações de esquemas que tanto foram criticadas — por preocupação ou por oportunismo barato mesmo. O bagunçado Inter que se remontou na virada do ano está entre os oito melhores times da América do Sul. Não é pouco, mas nunca é demais.

Dado o empate da quarta-feira passada, cabia ao Inter administrar o escore. Simples. Entretanto, não existe a palavra “simples” nos dicionários da Padre Cacique. O Inter sempre precisa dar aquela emoção a mais, seja do jeito que for. Dois tentos espetaculares anotados ainda no primeiro tempo garantiriam — teoricamente — um segundo tempo tranquilo. Feliz é quem se enganou. O Atlético jogava mais.

Bem como em outros tempos, dois esquadrões faziam soltar faísca com o duelo de ontem à noite. O gol de Lucas Pratto serviu para mostrar que o Galo ainda poderia cantar. Mais um, levava para as penalidades máximas. Mas o destino quis que o gol da classificação do Inter saísse através de Dátolo. Lisandro Lopez não é bobo. A atuação cirúrgica dos comandados de Aguirre falou mais alto. Em menos chutes, mais gols. Em menos volume de jogo, mais resultado. Obviamente, houve uma via sacra até que tivéssemos a certeza da classificação. Mas isso não assusta mais. Afinal, existem coisas que nunca vão mudar…

Alexandre Lops (SC Internacional)

Danrí Ferreira é torcedor do Internacional e convidado especial da Revista Fora da Área. No Twitter, @danri_ferreira


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