Rio 2016: medalha de ouro em transmissão inovadora

Neymar comemorando, de frente para câmera, seu gol na final do futebol masculino. (CRÉDITOS: FOLHAPRESS)

Por ser um dos eventos mais vistos no mundo, as Olimpíadas se tornaram sinônimo de revolução tecnológica. Diversas empresas aproveitam sua visibilidade para lançarem seus produtos mais inovadores. Com um público acumulado que ultrapassou 5 bilhões de espectadores, a Rio 2016 trouxe inúmeras novidades na transmissão esportiva.

Engajamento da realidade virtual

Óculos de realidade virtual, produzidos pela Samsung. (CRÉDITOS: SAMSUNG)

A realidade virtual (RV) foi uma das maiores novidades. Pela primeira vez, a Olympic Broadcasting Services (OBS), empresa que gere e transmite as imagens dos Jogos desde 2008, captou imagens de alta definição em RV nas cerimônias de encerramento e abertura, além de pelo menos um evento por dia.

A inovação só aconteceu porque a rede de televisão norte-americana NBC fechou uma parceria com a Samsung, produtora do óculos de realidade virtual. A intenção da empresa sul-coreana era aproveitar a visibilidade do evento e fazer com que a RV caísse de vez no gosto do usuário tecnológico.

Ao todo, foram disponibilizadas mais de 85 horas de conteúdo, porém com um dia de atraso. Quem sabe em Tóquio 2020 a transmissão não aconteça ao vivo?

O nascimento da transmissão em 8k

Telão de 300 polegadas para a transmissão em 8k no Museu do Amanhã. (CRÉDITOS: TV GLOBO/FILICO DE SOUZA)

A Rio 2016 foi considerada um marco na história da transmissão por levar mais de 7.000 horas de cobertura a 220 países com uma transmissão em 4K, ou seja, com qualidade Full HD. Porém, o Japão é um ponto fora da curva.

A OBS disponibilizou 130 horas de imagens em 8K, Ultra Full HD, para a rede japonese NHK transmitir a cerimônia de abertura e encerramento, além de diversas competições. No país asiático só um existe um modelo capaz de transmitir nessa qualidade: o SHARP LV 85001 de 85 polegadas e valor aproximado de US$ 130 mil, ou seja, R$ 424 mil.

Durante os Jogos, os brasileiros tiveram o “gostinho” de acompanhar transmissões experimentais feitas pela Globo em 8k, 16 vezes melhor que a HD, em um telão público de 300 polegadas instalado no Museu do Amanhã. Os Jogos do Rio foram usados como espécie de evento teste para Tóquio 2020, quando acreditam que a tecnologia será mais comum e viável.

Rede Globo nos Jogos Rio 2016

Estúdio panorâmico da Globo montado no Parque Olímpico. (CRÉDITOS: TV GLOBO/JOÃO COTTA)

A emissora brasileira investiu forte em tecnologia para trazer a melhor cobertura possível da Rio 2016. Além de um estúdio panorâmico montado no próprio Parque Olímpico, a rede modernizou a tradicional mesa tática de futebol implantando a “jogabilidade”: os comentaristas conseguiam tocar a bola e criar jogadas, que teoricamente poderiam terminar em gol.

Esportes como basquete, vôlei, handebol, natação e vôlei de praia receberam versões menos elaboradas da mesa tática, mas, mesmo assim, era possível explicar cada jogada e a estratégia das equipes.

Outra novidade que a Globo trouxe foi a primeira Unidade Móvel (UM) com tecnologia 4K IP do mundo. Dotada de infraestrutura ágil e equipada com tecnologia que oferece máxima qualidade de imagem (Full HD), essa UM foi utilizada nas transmissões de vôlei, no Maracanãzinho, as quais a Globo gerou juntamente com a OBS. A intenção da emissora era deixar um legado para futuras coberturas, visto que essa Unidade Móvel é muito eficiente para gerar eventos, produções ao vivo e shows.

O que esperar de Tóquio 2020?

Shinzo Abe, primeiro ministro japonês, “recebendo o bastão olímpico” na cerimônia de encerramento da Rio 2016. (CRÉDITOS: RIO 2016)

Tóquio promete revolucionar o âmbito da transmissão esportiva. Shinzo Abe, primeiro-ministro do país, pretende fazer todas as transmissões em 8k, além de trocar os telões usados no Rio de Janeiro por hologramas em 3D — a Mitsubishi deve ser a empresa responsável.

Se o Rio de Janeiro já foi um evento inovador para a transmissão esportiva, imagina Tóquio, conhecida como a cidade mais hi-tech do mundo.