Sinais

Caco Ishak

quando te vi partir

logo depois da chuva

a primeira chuva logo

antes do sol se pôr

voltei pra casa e caiu

em mim a chuva mais triste

e me pus a beber e a chover

e a imaginar o que eu teria feito

pra te levar a ir embora assim

se o cabra marcado pra morrer

em cali ou medellín ou se o abismo

que vinha chegando e me tirou

de quadro, de foco, do pensamento

em que nunca estive e abri um livro

(adeus às armas — ler hemingway

em cuba, meu ideal de romantismo)

e qual não foi minha surpresa ao

ver que a mocinha tinha teu nome

e quão maior não foi minha surpresa

quando you can’t always get what you

want (but if you try, sometimes…)

começou a tocar e te vi passando

e uma joaninha pousou na garrafa de

havana club que bebia, chovia e me fez

imaginar as palavras mais simples e

dei um sorriso e fechei a garrafa e

deixei que o sol nascesse em mim

C​aco Ishak nasceu no ano de 1981, em Goiânia. Radicado em Belém desde os cinco, é autor dos livros de poesia “Má Reputação” (2005) e “Não Precisa Dizer Eu Também” (2013), ambos publicados pela Ed. 7letras, e acaba de lançar seu primeiro romance, “Eu, Cowboy”, pela Ed. Oito e Meio. Mais informações sobre o autor: http://ciaocretini.org

Foto: João Alves

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