Na imagem, dezenas de pessoas de diferentes cores, roupas e tamanhos estão ilustradas.

Acessibilidade e inclusão nas universidades

Pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida devem ter autonomia e segurança para usufruir do mundo à sua volta. Em síntese, é isso que a terceira edição da norma brasileira ABNT NBR 9050 estabelece a respeito da acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Entretanto, a realidade brasileira ainda está distante desse ideal.

Quando trabalhamos com acessibilidade, devemos pensar além dos espaços físicos e arquitetônicos. Esse conceito não se restringe a rampas, piso tátil e barras de apoio. Nele devem ser contempladas pessoas com dificuldade de compreensão e locomoção, deficientes visuais e auditivos. Assim, a barreira física é apenas uma das quatro barreiras a serem enfrentadas.

“A acessibilidade não é só cadeirante, tem um outro conceito meio equivocado de que só garantimos acessibilidade quando garantimos o acesso ao cadeirante, mas temos vários outros grupos de pessoas que têm dificuldade de locomoção ou de compreensão que também precisam ser contemplados.”
Paulo Tadeu Leite, professor de Arquitetura e Urbanismo na UFV

Outra barreira que esses grupos necessitam encarar diariamente é a comunicacional. A norma brasileira de acessibilidade fornece à mídia os caminhos para que haja inclusão de pessoas com deficiência auditiva e visual. Entretanto, as empresas de comunicação brasileiras encontram dificuldades — ou não estão interessadas — em aderir as instruções para que a integração desses grupos aconteça.

“As práticas comunicativas em empresas de comunicação hoje são pouco inclusivas. Na verdade quase nada, a gente ainda tem uma não obrigatoriedade da tradução em libras, por exemplo, do jornal diário, então você elimina ou não contempla uma grande parcela da população que tem essa deficiência e precisa da tradução em libras.”
Felipe Menicucci, professor de Comunicação Social na UFV

A barreira social, por sua vez, talvez seja a principal responsável pela insuficiência de medidas inclusivas nas universidades brasileiras, isso porque ela é articulada pela relação de poder entre grupos maioritários e minoritários. Entretanto, recentemente, podemos observar um número crescente de matrículas de pessoas com deficiência na universidade, o que é consequência da reivindicação de movimentos e lutas pelos direitos sociais desse público.

O gráfico mostra como o acesso das pessoas com deficiência à Educação Superior tem crescido ao longo dos anos de 2003 a 2013. Atualmente, são mais 29.221 pessoas com deficiência em universidades públicas e privadas. Para acessar a pesquisa completa clique aqui

Por fim, outra barreira a ser enfrentada é a atitudinal, que é caracterizada pelos preconceitos, pelo desconhecimento e pela inexperiência das pessoas. Essas atitudes negativas impedem ainda mais o acesso, menosprezam e inviabilizam a diferença do outro, ofuscando a pluralidade do mundo e o tornando hostil. Essas atitudes ignoram que o diferente nos educa, nos faz retroalimentar nossas ações e repensar alguns comportamentos. Afinal, a diferença do outro não é uma escolha, é sua condição, é a condição do ser humano, é a marca do humano impressa em cada um.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.